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terça-feira, 20 de março de 2018

A DEPRESSÃO, O SUICÍDIO E O TRATAMENTO PREVENTIVO


A Depressão e o Suicídio

É notório em todos os estados do Brasil que os dados sobre suicídio em 2018, já extrapolaram todas as pesquisas de anos anteriores.
Sem uma explicação clara para esse fenômeno, os órgãos governamentais tateiam às cegas com diversas suposições, mas sem uma resposta concreta sobre a verdadeira causa do aumenta acentuado dos casos de suicídio. Também não sabem o que fazer para conter essa onda descontrolada de pessoas que dão cabo à própria vida, como forma de aliviar o sofrimento de diversas situações que vão de patologias psicoemocionais a fatores que não estão diretamente à saúde mental.
Um dado é certo: A maior causa de suicídio está relacionada à Depressão. Por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registradas cerca de um milhão de mortes por suicídio no mundo. No Brasil são cerca de doze mil casos.
Outro fator de risco são pessoas que já tentaram suicídio. Esses casos devem ser acompanhados com maior atenção e tratados por meio de terapia, para evitar reincidências.

A Depressão
Tristeza, angustia, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração do sono e apetite, persistência de pensamentos negativos são alguns dos sintomas de pessoas com depressão, devendo ser tratado da forma correta, a fim de evitar que atinja um quadro agudo, culminando no suicídio.
Em alguns casos, os sinais da depressão se apresentam na infância e vão evoluindo na adolescência e juventude, tornando-se mais intensos na faze adulta. Nesses casos, a atenção da família é fundamental, devendo buscar ajuda o mais cedo possível.

Os tratamentos: Medicação, Terapia e Espiritualidade.
Medicação – O acompanhamento psiquiátrico é o primeiro passo no tratamento da depressão, visando baixar os sintomas. É imprescindível evitar que o tratamento seja interrompido.
Apesar de ser a medicação o meio mais rápido de reduzir os sintomas, deve-se ter o cuidado de que o paciente não se torne dependente da medicação. 

Estudos recentes tem mostrado que medicamentos psiquiátricos, mais especificamente as benzodiazepinas, podem matar mais que cocaína, heroína e anfetaminas.
As benzodiazepinas são classificadas como tranquilizantes e são usadas no tratamento da ansiedade, dos distúrbios do sono, das convulsões e outras condições. Elas incluem drogas que são comumente prescritas como Valium, Xanax e Lorazepam.
Esse estudo foi realizado pela Universidade da Colúmbia Britânica de Vancouver, no Canadá e publicado em maio de 2017, no periódico American Journal of Public Health, mostrando que o consumo excessivo desses fármacos causa maior risco de mortalidade do que outras substâncias tradicionais usadas pela população.
A pesquisa foi realizada com 2.802 voluntários usuários de benzodiazepinas durante cinco anos e meio. No final do estudo, 18,8% dos participantes morreram.
A necessidade de reduzir os sintomas de forma rápida, tem levado pessoas com quadro depressivo tornarem-se dependente desses fármacos, sem avaliar o grau de males que podem causar, alerta o cientista Keith Ahamad, em entrevista ao jornal Vancouver Sun: “O interessante sobre isso é que é uma droga prescrita e as pessoas pensam que estão seguras. Mas, provavelmente, estamos prescrevendo essas drogas de uma maneira que está causando danos. Não há muita evidência científica para dizer que essas pessoas devem usar esses medicamentos de forma crônica”.

Terapia – A depressão não tem como causa apenas um desequilíbrio químico no cérebro, e não é curada com o simples uso de medicamentos, o processo terapêutico deve fazer parte do tratamento.
Como Psicanalista, vejo a importância da medicação, desde que associada a um processo terapêutico, haja vista que a terapia busca desvendar as causas da depressão, no que tange às patologias psicoemocionais. Nesses casos, apenas o uso da medicação, prolongará o tratamento, sem os resultados que poderiam ser alcançados em curto prazo e de forma mais eficiente, uma vez que a depressão não tem uma causa única, mas é resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
A melhor forma de tratar a depressão é identificar os fatores específicos, causadores da depressão.
Fator Genético – Está relacionado a um histórico familiar de depressão, podendo aumentar o risco. Nesse caso, a depressão é passada para a geração seguinte geneticamente, não sendo conhecida a forma como isto acontece.
Desequilíbrios químicos do cérebro - A depressão é causada por um desequilíbrio nos neurotransmissores que estão envolvidos na regulação do humor. Os neurotransmissores são substâncias químicas que ajudam as diferentes áreas do cérebro a comunicarem uns com os outros. Quando certos neurotransmissores são escassos, pode levar a sintomas que reconhecemos como depressão.
Dor e perda - Embora o luto seja uma resposta normal à morte e à perda, o stress extremo associado à tristeza pode desencadear um episódio de depressão.
Solidão - Sentir a falta ou o apoio da família e amigos pode aumentar o risco de depressão.
Personalidade - Você pode ser mais vulnerável à depressão se você tiver certos traços de personalidade, como baixa autoestima ou ser excessivamente autocrítico. Isto pode ser devido aos genes que você herdou de seus pais, ou por causa de sua personalidade ou experiências de vida.
Traumas ou abuso no passado - Abuso físico, ou emocional pode causar depressão na vida adulta.
Desemprego e Tensão financeira - Aqueles que estão involuntariamente desempregados e, consequentemente com problemas financeiros, têm mais probabilidade de ser deprimidos do que aqueles que estão empregados.
Doenças - O stress de ter uma doença de longa data ou com risco de vida pode causar depressão.
Problemas conjugais ou relacionamentos - O fim de uma relação como o namoro ou divorcio, pode ser uma causa de depressão.
Depressão pós-parto - Algumas mulheres são particularmente vulneráveis à depressão após a gravidez. As mudanças hormonais e físicas, bem como a responsabilidade adicional de uma nova vida, podem levar à depressão pós-parto.
Medicamentos - Alguns medicamentos podem ter como efeitos secundários causar ou potencializando a depressão.
Má alimentação - A falta de certas vitaminas e minerais pode causar sintomas de depressão. Dietas baixas em ômega-3 ou ômega-6 são associados com aumento das taxas de depressão. Alto teor de açúcar também tem sido associado à depressão.
Abuso de substâncias: Drogas e Álcool - Quase 30% das pessoas com problemas de abuso de substâncias também têm depressão.
Estações do ano - O inverno pode ser uma possível causa de depressão. À medida que as horas de luz do dia ficam mais curtas no inverno, muitas pessoas desenvolvem sentimentos de letargia, cansaço, e uma perda de interesse em tarefas diárias. Chamada de depressão sazonal, esta condição geralmente desaparece quando os dias ficam mais longos. O seu médico pode prescrever medicamentos e / ou uma caixa de luz para ajudar a tratar a depressão sazonal.

Espiritualidade – Apesar de determinados campos de psicoterapia terem abolido Deus e a religião do processo terapêutico, recentemente a Associação Mundial de Psiquiatria divulgou um documento em que afirma que religião e a espiritualidade têm impacto relevante no tratamento e na prevenção de doenças mentais.
Para chegar a esta conclusão, a Associação analisou mais de 3.000 estudos sobre a relação entre espiritualidade e saúde mental. Os resultados indicam que a qualidade de vida e a sociabilidade melhoram com a prática espiritual e religiosa, combatendo o estresse causado por perdas, a depressão e a tendência suicida, além de ajudar na recuperação de pessoas que tentaram o suicídio.
Há dois anos, a publicação de outra pesquisa ajudou a ciência a entender um pouco melhor a influência espiritual na espessura do córtex, que é a membrana que reveste o cérebro: quando o córtex é mais fino, maiores são chances de se desenvolver a depressão; e quanto mais se nutre a religiosidade e a espiritualidade, mais espesso tende a ser o córtex, diminuindo, por conseguinte, o risco de depressão. A pesquisa foi feita na Universidade Columbia, dos Estados Unidos, e publicada no periódico JAMA Psychiatry.

Estudos anteriores já tinham indicado que, nas pessoas com histórico familiar de depressão, a espiritualidade reduz em até 90% o risco de desenvolver o transtorno. Os autores da pesquisa publicada em 2013 focaram em estudar de que forma a religiosidade se relaciona com a redução da depressão.
Durante cinco anos, eles analisaram 103 pessoas de 18 a 54 anos, das quais uma parte tinha predisposição genética para a depressão. Foi avaliada, nos 103 voluntários, a importância da religião e a frequência a templos e igrejas, além de serem feitos exames de ressonância magnética para verificar a anatomia cerebral. Os pesquisadores observaram que os participantes que davam mais importância a questões espirituais possuíam um córtex mais espesso em algumas áreas do cérebro. A associação entre religiosidade e espessura do córtex foi confirmada em todos os participantes, mas foi mais forte entre aqueles que tinham histórico de depressão na família.
Está cloro que, dia a dia a ciência vem contribuindo para firmar as verdades bíblicas, mas também tem se rendido a elas, reconhecendo os benefícios que fé e a relação com Deus podem causar na saúde do ser humano. Isso ficou comprovado em pesquisas feitas com vários médicos nos principais hospitais e universidades em todo os EUA, mostraram conclusivamente que a crença em Deus é realmente boa para uma pessoa, fazendo-a mais saudável e feliz, e também contribui para uma vida mais longa.
O estudo concluiu ainda que, os benefícios da prática religiosa devota, particularmente o envolvimento em uma comunidade de fé e compromisso religioso, são de que as pessoas lidam melhor, em geral, com o estresse. Elas experimentam um bem-estar maior, porque têm mais esperança, e estão mais otimistas, experimentam menos depressão, menos ansiedade, e cometem menos suicídio.
Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico.
044-997601317

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Trazer a memória só o que trás esperança é um perigo emocional

Quero trazer a memória aquilo que me trás esperança. Lm.3.21.


Esse versículo bíblico tem sido usado por muitos como uma mensagem motivacional, no entanto, está mais para reprimir as memórias de dores do que motivar. Numa linguagem mais terapêutica, trata-se de repressão.

O que é repressão: você já ouviu a frase: “relembrar é sofrer duas vezes”.

A repressão é um mecanismo mental inconsciente (mecanismo de defesa), pelo qual as ideias ou impulsos indesejáveis e inaceitáveis para a consciência, são reprimidos por ela e impedidos de entrar no estado consciente. Este material indesejável não está, geralmente, sujeito a recordação voluntária consciente.

A ansiedade é a força que leva à repressão e é sentida se houver perigo de o material se tornar consciente. Exemplo: 
• Uma criança que é abusada por um dos pais e, mais tarde, não tem lembrança dos acontecimentos, mas tem problemas para formar relacionamentos.
• A mulher que teve parto particularmente doloroso continua a ter filhos (e cada vez o nível de dor é surpreendente).
• Um homem tem fobia de aranhas, mas não se lembra da primeira vez que ele teve medo delas.

Doenças psicossomáticas também podem estar relacionadas com a repressão:
• Dores na cabeça
• Asma
• Artrite
• Úlcera
• Cansaço excessivo
• Fobias 
• Impotência Sexual
• Frigidez etc.
Todos esses males podem derivar de sentimentos reprimidos. A repressão é o melhor mecanismo de defesa, especialmente contra as exigências dos impulsos sexuais.

Se notarmos os versículos anteriores, o autor faz uma relação de situações que deixam claro a pretensão de reprimir as memórias passadas:
• Aflição
• Andar em trevas.
• Envelhecer a minha carne e a minha pele.
• Despedaçou os meus ossos.
• Veneno e de dor.
• Habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.
• Prisões com grilhões de bronze.
• Clamo e grito, ele não ouve.
• Tortuosas as minhas veredas.
• Me fez em pedaços; deixou-me assolado.
• Fui feito objeto de escárnio.
• Fartou-me de amarguras.
• Afastou a paz de minha alma.
• Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no SENHOR.
• Lembra-te da minha aflição e do meu pranto.
• Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim.

A essência da repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo a distância no inconsciente. Entretanto, o material reprimido continua a fazer parte da psique, apesar de inconsciente, continua a causar problemas. A repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido.

 A repressão não é o único mecanismo de defesa que pode levar a pessoa a querer esquecer determinados acontecimentos passados. Outro mecanismo é a Negação - tira da percepção os aspectos perigosos que machucam, procura negar fatos que perturbam. Exemplo: a lembrança incorreta de um fato desagradável acontecido muito tempo atrás. Certas pessoas chegam a não lembrar nem mesmo de que houve o fato.

Racionalização - são as premissas lógicas que ajudam a afastar da nossa vivência afetiva, certos fatos que nos causam dor ou sofrimento. São os motivos lógicos e racionais que encontramos para afastar pensamentos e lembranças, disfarçando os verdadeiros motivos que nos incomodam.

Isolamento: isolamos desejos permanentes, pensamentos, atitudes, comportamentos, para não sofrer.

Então, quando quisermos trazer a memória apenas as coisas que nos dão esperança, tenhamos a certeza que a intenção por trás desse frase não seja uma forma de fugir daquilo que não queremos confrontar ou tratar.

Um dos grandes medos das pessoas que fogem de terapia é, exatamente, o confronto de memórias reprimidas.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa

sábado, 10 de fevereiro de 2018

AMOR OU PAIXÃO


Paixão só aprendeu a ficar por pouco tempo. O amor gosta mesmo é de permanecer a vida inteira.

Padre Fábio de Melo






Paixão e amor são dois sentimentos muito fortes que podem ser confundidos, e por mais que estejam relacionados, são totalmente distintos e difíceis de identificar.
Muitos estudiosos no campo da psicologia, da filosofia e até mesmo da neurologia têm se dedicado a estudar estes sentimentos para delimitar o que os diferem.
É fundamental saber a diferença entre ambos, antes de declarar a alguém seu sentimento de amor ou paixão.

A Paixão e a Atração

Para a psicanálise a paixão é uma manifestação da projeção - quando a pessoa projeta suas idealizações no outro, ou seja, quando alguém se apaixona, está atraída pela idealização que faz do outro, não pela pessoa em si. 
Essa atração provocada pela paixão, está relacionada às características que mais atrai a pessoa apaixonada, exemplo: o físico, os lábios, os olhos, a pele o sorriso e etc.

Sintomas

Os sintomas mais comuns em pessoas apaixonadas são: suores, olhares perdidos, suspiros, aumento da pressão arterial, da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, tremores, falta de apetite, de concentração, de memória e do sono.
Esses sintomas são provocados por alterações em regiões específicas já identificadas pela ciência, e que são responsáveis pelas descargas de emoções para o coração e as artérias: a dopamina, um neurotransmissor da alegria e da felicidade.
Pesquisas recentes comprovam que as estruturas do cérebro chamadas núcleo caudado (área tegmentar ventral e córtex pré-frontal), se mostraram mais ativas em pessoas apaixonadas.
Referem-se a regiões ricas em dopamina e endorfina, neurotransmissores com efeito semelhante ao da morfina, e a somatória desses agentes, estimulam os circuitos de recompensa. Exemplo: Estar em contato com a pessoa, objeto da paixão, mesmo que por telefone ou redes sociais, aumentará a liberação de endorfina e dopamina, resultando em mais prazer e satisfação.
Outra molécula natural associada a essa avalanche de transformações é a feniletilamina - também conhecida como "hormônio da paixão", é um neurotransmissor cuja molécula se parece muito com a anfetamina, e cuja produção no cérebro suspeita-se possa ser desencadeada por eventos simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos, age, como a noradrenalina, ativador da memória para novos estímulos.
O aumento de hormônios como a oxitocina e vasopressina (responsáveis pela formação dos laços afetivos mais duradouros e intensos, como os afetos de ligação familiar: da mãe com o filho), também foram notados nas fases mais agudas da paixão.

Tempo de duração da paixão

A paixão é um sentimento devastador que costuma fazer muito estragos e deixar sequelas na área emocional, podendo durar semanas ou até anos – em média 2 a 3 anos e depois acaba, levando ao fim do relacionamento, isso porque, no caso da paixão, quando ela acaba, a primeira coisa que acontece é que, ambos começam a perceber as falhas e defeitos que antes não viam e vêm as cobranças. Assim, não é recomendável que nenhum casal de namorados se apresse em casar nos três primeiros anos de relacionamento.

O amor é cego

Com certeza você já ouviu dizer que o amor é cego. Isso não é verdade! A paixão cega. Freud disse: “Estar apaixonado é estar mais próximo da insanidade do que da razão”. Uma pessoa apaixonada não vê defeitos, vícios, falta de caráter, maldade, e nem dá atenção aos alertas de pessoas que tentam fazê-la enxergar.
Diferente da paixão, o amor verdadeiro enxerga muito mais que a aparência, o amor verdadeiro tem a percepção dos valores, da autenticidade e da personalidade, características que podem ser tão instigantes ou mais que um olhar ou um sorriso. Quem ama, tem plena consciência dos defeitos do outro, mas está disposto a superar e ajudar a pessoa amada.
As ilusões também desaparecem com o amor. A pessoa que ama, consegue ter a percepção das qualidades e dos defeitos da pessoa amada, não havendo ilusões – projeções.
Outro ponto que diferencia o amor da paixão é que o amor não acontece à "primeira vista", mas é um sentimento profundo e complexo, que leva um longo período de tempo para se desenvolver. 
E engana-se quem pensa que o amor é garantido para todo o sempre. Sim, os amores podem chegar ao fim! Mas, para que isso não aconteça, o casal nunca deve deixar de se empenhar em respeitar, cuidar e ser sinceros um com o outro.
Amar não implica na busca pessoal da felicidade, mas em fazer seu parceiro(a) feliz. Também é a prática de ações que externam esse amor mais que as palavras. Quem diz que ama, deve agir de forma a fazer as palavra serem verdadeiras.
Participar das atividades que o parceiro(a) gosta, é outra forma de demonstrar amor, mesmo que seja a coisa mais chata do mundo para você. Quando amamos de verdade, não estamos presentes apenas para os programas divertidos e românticos, mas também para aquilo que sabemos que é importante para o companheiro(a).
Amar é apoiar incondicionalmente o(a) outro(a), fazendo com que, mesmo os programas mais chatos, sejam ótimos, apenas por ver a satisfação e felicidade da pessoa que ama.
Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!” Sigmund Freud

Amor e Sexo

O sexo é um fator extremamente necessário na relação do casal, porém, no amor o sexo está longe de ser a coisa mais importante. Quando amamos queremos a garantia da felicidade da pessoa amada, e o desejo de cuidar e ajudar o parceiro(a) a conquistar os seus sonhos e objetivos mais audaciosos.
A coisa mais importante no amor é justamente isso: lutar e garantir a felicidade de quem você ama! Lembrando que este sentimento precisa ser mútuo para que a relação se mantenha, caso contrário, é provável que a pessoa que está contigo não seja a “destinada” a receber todo o amor que você tem a dar.

Enfrentando as crises

Administrar os conflitos na relação, talvez seja uma boa oportunidade para refletir sobre os seus verdadeiros sentimentos para com o seu parceiro(a).
Brigas e desentendimentos existem, mesmo entre as pessoas que se amam. O que difere os momentos de crises na paixão e no amor é o modo como lidamos com as situações.
Quando você não admite ceder para apaziguar uma situação de conflito, optando por fugir para evitar confusões, talvez esta pessoa não seja mesmo o amor da sua vida.
O amor é feito de trocas e consensos. Podemos até ficar irritados e querermos nos afastar, mas quando brigamos com quem amamos verdadeiramente, a vontade de pôr os pingos nos “is” e achar uma solução para a crise, fala sempre mais alto. Nestes momentos é importante que ambos estejam abertos a compreender não apenas quem são como indivíduos, mas também os sentimentos e pontos de vista do parceiro.
Diálogo e compreensão são dois ingredientes importantes num relacionamento amoroso de sucesso!
O amor pode ir muito além do que o tradicional "amor romântico". O amor tem muitas formas e manifestações, você só precisa encontrar a sua!
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.” Cl.3:14

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós graduado em Psicanálise Aplicativa
044-997601317

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Depressão e Suicídio


Conteúdo da entrevista à rádio Terra HD hoje

CAUSAS DA DEPRESSÃO

A depressão é causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Por outras palavras, as escolhas que você faz relativamente ao seu estilo de vida, relacionamentos e habilidades de lidar com as situações de vida, são muito significativos para o surgimento da depressão, mais do que o fator genético. No entanto, alguns fatores de risco podem torná-lo mais vulnerável à depressão.

A Depressão Profunda ou Depressão Clínica - Sintomas e Tratamento
A depressão será, na década de 2030, a doença com maior prevalência no mundo, segundo projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde). O transtorno já afeta cerca de 7% da população mundial, no final de 2014.
A alta incidência da doença no Brasil foi confirmada por levantamento mais recente, a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde (MS) em 2014. Segundo o estudo, cerca de 11 milhões de pessoas têm depressão no país.
·         A depressão profunda, também conhecida como depressão clínica,
·         Afecta a mente e o corpo, levando por vezes o paciente a perguntar-se se vale a pena viver.
·         É uma doença grave que geralmente requer uma combinação de medicação e de aconselhamento.

TRISTEZA, VAZIO E IRRITABILIDADE

Crianças, adolescentes e adultos que sofrem de depressão profunda têm:
    sentimentos de extrema tristeza,
    irritabilidade
    vazio.
Num minuto podem chorar e, no próximo podem gritar.
Algumas pessoas com este transtorno relatam não sentir nada, como se os seus corpos e mentes estivessem vazios.
Crianças que sofrem de depressão profunda permanecem isoladas e choram com angústia.

ISOLAMENTO
Quem sofre de depressão profunda, provavelmente, isola-se dos amigos e familiares. Deixam de atender telefonemas dos amigos, deixam de ir a encontros sociais e deixam de cumprir as suas obrigações familiares. Por

Exemplo: uma mãe que sofre de depressão profunda pode deixar de cuidar dos seus filhos, de fazer as refeições, de lavar as suas roupas e de os ajudar com os trabalhos de casa.

Alguns adultos deprimidos isolam-se no local de trabalho por longos períodos de tempo, para que não tenham que interagir com os seus familiares.

COMER E DORMIR
A maioria dos pacientes com depressão profunda passam por alterações nos seus padrões de alimentação e de sono.
Podem comer demais na maioria das refeições ou experimentar uma perda de apetite, resultando num ganho ou perda significativo de peso. (Nas crianças, a variação de peso é mais perceptível).

ESCOLA E ASSUNTOS DE TRABALHO
As primeiras áreas que são afetadas pela depressão profunda são o trabalho ou a escola, dependendo da faixa etária. As crianças e adolescentes têm, frequentemente, uma diminuição notável no desempenho escolar, faltam às aulas e entram em discussões com os colegas. Os adultos têm dificuldade em realizar projetos de trabalho dentro do prazo, têm dificuldade em frequentar o emprego numa base regular, em chegar ao trabalho a horas e em se concentrarem.

HIGIENE PESSOAL
A maioria das pessoas com depressão profunda deixa de cuidar de si próprio. Não têm a energia ou a motivação para tomar banho regularmente, lavar a sua roupa ou até mesmo mudar de roupa. Podem aparecer no trabalho com a mesma roupa durante vários dias seguidos.

DESESPERO
A maioria das pessoas que sofre de depressão profunda sentem-se inúteis. Não vêm como as suas vidas possam mudar, nem vêm qualquer esperança ou felicidade para o futuro. Os pacientes com depressão profunda podem dizer coisas como: “Ninguém me vai amar “, ou “eu estaria melhor morto”.

IDEIAS DE SUICÍDIO
A maioria dos pacientes com depressão profunda pensam em suicídio. Alguns escolhem um plano específico para obter os meios para acabar com as suas vidas. Estas pessoas precisam de ajuda imediata.
Mais de 90% das pessoas que cometem suicídio tem um transtorno mental diagnosticável, o principal é a depressão.
Sinais de pensamentos suicidas:
    Falar sobre a morte e o morrer,
    Agir de forma imprudente,
    Dizer adeus aos seus entes queridos,
    Dar bens pessoais importantes
     Uma mudança repentina de depressão profunda para um estado de calma e felicidade.
A depressão tem várias fases e pode ser muito profunda e grave podendo ameaçar a própria vida. O paciente sente-se marginalizado, mesmo que os outros não o vejam dessa forma. Às vezes, para superar os sintomas entram pelo caminho das drogas e outros medicamentos que a longo prazo prejudicam a saúde.

DIMINUIÇÃO DO INTERESSE OU PRAZER
Há uma espécie de diminuição de interesse em atividades diárias, e outro trabalho regular.

AGITAÇÃO OU RETARDO PSICOMOTOR
A pessoa permanece inquieta ou agitada, fisicamente abatida e lenta no seu trabalho rotineiro.

FADIGA
A fadiga também é um sintoma de depressão profunda.

SENTIMENTOS DE INUTILIDADE OU CULPA
Os pacientes com depressão profunda têm um constante sentimento de culpa e inutilidade, sentem que não têm controlo sobre as coisas.

TRATAMENTO
A medicação e a psicoterapia são algumas curas que a maioria das pessoas procura para combater a depressão profunda. Estes são, sem dúvida métodos eficazes para controlar a depressão.

Os sintomas depressivos podem variar muito de pessoa para pessoa. Enquanto uma pessoa deprimida pode experimentar sentimentos de tristeza, desesperança e desamparo, outra pode sentir raiva, irritação e desanimo. Os sintomas depressivos também podem parecer uma mudança de personalidade. Por exemplo, uma pessoa tipicamente paciente pode começar a perder a paciência com coisas que normalmente não seriam preocupantes. Os sintomas depressivos também podem alterar durante o curso da doença, alguém que é introvertido e triste pode tornar-se altamente frustrado e irritado como resultado da diminuição do sono e da incapacidade de realizar tarefas simples ou de tomar decisões.

COMO SUPERAR A DEPRESSÃO PROFUNDA
A depressão profunda não é apenas difícil, mas também é perigosa.
A depressão profunda interfere com os níveis de energia e, as pessoas que sofrem com esta doença, muitas vezes, sentem-se desconfortáveis com a perspectiva de procurar tratamento e combater a depressão. No entanto, é fundamental que o façam.
Superar uma depressão profunda é difícil, mas não impossível.

Passo 1
Obter tratamento. A depressão é muito difícil de superar sem ajuda externa. A consulta com um profissional de saúde é indispensável. Uma das terapias passa pela administração de medicamentos que podem estabilizar as substâncias químicas no cérebro e fazer com que o paciente se sinta melhor.
A terapia cognitiva ajuda o paciente a resolver os seus problemas atuais e, a aprender novas maneiras de lidar com a sua doença.

Passo 2
Estabeleça metas. Mesmo que a medicação e o aconselhamento sejam benéficos para pessoas com depressão profunda, só serão eficazes se o paciente estiver disposto a trabalhar para combater a depressão. Estabelecer pequenas metas, concretas, sobre o processo de recuperação pode ajudar na continuação da luta contra a doença, de uma forma produtiva. O cumprimento dessas metas, muitas vezes, dá ao paciente uma sensação de poder e controle sobre a sua depressão.

Passo 3
Permanecer saudável. Muitas pessoas subestimam a ligação entre a saúde física e a saúde mental. Abundância de exercício, alimentação saudável, dormir bem à noite, evitar drogas e álcool e reduzir o stress pode ajudar a manter os sintomas da depressão à distância. Também pode ser benéfico participar em actividades que antes gostava.

Passo 4
Procurar apoio. O processo de recuperação é muitas vezes difícil, mesmo com a medicação e aconselhamento adequada. Embora a ajuda profissional seja útil, as pessoas deprimidas que se ‘cercam’ de apoio e pessoas positivas podem ter um processo de recuperação mais fácil. Também é útil quando as pessoas deprimidas educam os seus parentes e amigos sobre a sua doença, isto permite-lhes prestar atenção aos sintomas de retorno, ajudar com metas tangíveis e fornecer feedback útil durante o processo de recuperação.
Passo 5

Ser paciente. Pode levar várias semanas antes que o resultado da medicação ou terapia seja notável. Os resultados do tratamento dependem muito do paciente, por isso poderá ter que tentar vários tratamentos antes de encontrar o melhor tratamento para a sua situação específica. As pessoas que sofrem de depressão profunda devem permanecer dedicadas aos seus objectivos e focadas na sua recuperação, mesmo que não experimentem melhoras tão rápido quanto esperavam.

DEPRESSÃO NÃO É FRESCURA

SUICÍDIO

1º Boletim sobre suicídio no Brasil divulgado ontem pelo Ministério da Saúde
    Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil.
    Entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país
    79% delas são homens
    21% são mulheres.
    A taxa de mortalidade por suicídio entre os homens foi quatro vezes maior que a das mulheres, entre 2011 e 2015.
    São 8,7 suicídios de homens e 2,4 de mulheres por 100 mil habitantes.

Em Paranavaí:
    Média de 1 suicídio a cada 19 dias - referência 2016/2017.
    Nos últimos 15 dias foram 4 suicídio e 2 tentativas. (2018).
Esse número é maior pois há uma perda de diagnóstico dos casos de suicídio. Isso porque nas classes sociais mais altas há um tabu sobre o tema, questões relacionadas a seguros de vida e diagnósticos feitos por médicos da família. “As pessoas mais pobres, em geral, são captadas a morte porque vão para o IML - Instituto Médico Legal.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O cristão e a prática do beijo na boca da criança?


Uma mãe, preocupada com o comportamento do pai ao beijar a boca do filho, um bebê de 3 anos, me enviou uma pergunta: O beijo na boca da criança passa uma mensagem?
 A preocupação da mãe faz sentido. Mesmo sendo um ato de carinho e inocente, a criança pode estar recebendo uma mensagem distorcida, já que não tem a mesma percepção do pai.

O questionamento é oportuno, visto a ampla repercussão do ocorrido no BBB, onde um pai beijou a filha no reality show, provocando repúdio na sociedade brasileira, embora, para aquela família “isso fosse natural”.
Então, vamos a resposta.
O período mais importante da formação da criança é a primeira infância, que vai desde o nascimento até aos seis anos de idade, quando as áreas fundamentais do cérebro são desenvolvidas: A área do caráter, da personalidade, das emoções, dos contatos interpessoais, da aprendizagem e etc.
É nesse período que a criança aprende a se relacionar e desenvolver importantes valores, principalmente em suas relações na família, na escola e na comunidade.
“Durante o primeiro ano de vida, o ser humano aprende 50% de tudo que virá a aprender na vida e, no segundo ano, aprende mais 25%. Ou seja, nos dois primeiros anos de vida, o ser humano aprende 75% de tudo que um dia virá a aprender. Obviamente, parte desse aprendizado envolve aspectos motores e físicos como sentar, andar, mastigar, falar, etc., mas também aspectos de ordem emocional, intelectual e espiritual. Assim, ao terceiro ano de vida, grande parte do caráter já está formado e aos sete anos está concluído”.
Dados publicados em: Rockey, Ron e Nancy, Chosen Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 2001) p. 117).
Pesquisas científicas realizadas nos últimos 100 anos, comprovam que a primeira infância é um período decisivo na formação da personalidade, do caráter e do modo de agir do adolescente e do adulto.
É, à partir das experiências vividas na infância, que o mapa da realidade é construído. Para isso, é preciso oferecer à criança ambiente familiar saudável e estável, bons modelos de identificação, atenção e estruturas sociais confiáveis, que estimulem seu desenvolvimento e o aprendizado de valores.
A formação da mente na Neurociência - a Neurociência oferece evidências de que acontecimentos precoces de natureza física, emocional, social e cultural permanecem inscritos nas pessoas por toda vida.
Até próximo aos três anos de vida, a criança se ocupa da concretude do mundo. O fazer e tocar são as formas com que seu vocabulário de símbolos se constrói. O passo seguinte, por volta dos quatro e cinco anos, é o da abstração do pensamento e internalização dos símbolos, em que a criança se ocupará do pensar e a linguagem interna construirá o elenco de símbolos e significados que farão parte do seu arcabouço do imaginário e fantasia.
A Psicanálise e a sexualidade infantil – Temos visto o quanto que a psicanálise tem como um de seus operadores centrais uma compreensão inovadora da sexualidade humana. Por meio dos conceitos, como zona erógena, pulsão e libido, a sexualidade representa-se como porta de entrada para o entendimento da vida psíquica. Com a ideia da pulsão sexual, que de forma diferente do instinto sexual, não se limita às atividades da sexualidade biológica, mas demarca o fator primordial que estimula toda a série de manifestações psíquicas, Freud autoriza uma inovadora e revolucionária compreensão da sexualidade humana. 
Lembremos que, ao se tratar da psicanálise, precisamos entender que Freud não via o sexual no mesmo sentido em que o senso comum da época. Ele propôs a desconstrução da ligação existente entre o sexual e o genital. Seu questionamento se baseava em como e o que constitui a sexualidade nos fenômenos humanos.  
Assim, é de suma importância que entendamos a diferença existente entre “sexo” e “sexualidade”. Cientistas sexuais, a partir da década de 70, convencionaram o termo sexo para se referir à divisão biológica entre macho e fêmea. Tal palavra também serve como referência aos órgãos sexuais, tanto masculino (pênis) quanto feminino (vagina). Enquanto isso, a sexualidade vai além das partes do corpo, organizando-se como um predicado presente não só na cultura como na história do homem. Contudo, a sexualidade envolve prazer, relações sociais, procriação e sublimação.  
“A sexualidade forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, na forma das pessoas tocarem e serem tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e tanto a saúde física como a mental. Se a saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada como um direito humano básico.” (OMS, 1975, apud EGYPTO, 2003, p. 15 e 16) 
Podemos, inclusive, ressaltar que para a psicanálise o objetivo sexual tido como normal é aquele onde ocorre o encontro dos órgãos genitais capaz de levar ao alívio de tensão sexual e, ao mesmo tempo, a uma extinção temporária do instinto (pulsão) sexual. 
Devemos deixar claro que os instintos humanos não predeterminam certa ação nem a forma como ela se tornará completa. Os instintos humanos têm a função de apenas iniciar a necessidade da ação. 
“Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão e um objeto. A fonte, quando emerge a necessidade, pode ser uma parte do corpo ou todo ele. A finalidade é reduzir a necessidade até que mais nenhuma ação seja necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele no momento deseja. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer ou gratificar o instinto; ela é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto é qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original.”  (FADIMAN e FRAGNER, 1986, p.8) 
Precisamos ainda esclarecer que Freud percebeu que no inconsciente existe um estímulo que nos diferencia dos animais. Este instinto foi denominado de pulsão sexual. Assim, enquanto os animais agem impulsionados sem terem outra opção a não ser o instinto – seja pelo instinto de sobrevivência ou de procriação –, o homem, por sua vez, se constitui de uma diversidade de prazeres. É a essa diversidade que Freud chamou de pulsão sexual.  
O psiquismo humano está banhado por essa pulsão e é nisso que para Freud se traduz a sexualidade: essa constante impulsão capaz de movimentar o nosso organismo em busca da satisfação. Não há só fome na boca, mas também libido.  Assim, se a pulsão é uma espécie de energia que leva o indivíduo à ação, aliviando da tensão resultante do acúmulo da energia pulsional, a genitalidade é o alvo da libido, isto é, a ação para a qual a pulsão direciona o indivíduo adulto.
Partindo desse pensamento, cito a psicóloga norte americana Charlotte Reznick - professora da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e autora do best-seller “O poder da imaginação dos seus filhos: como transformar estresse e ansiedade em alegria e sucesso”, que afirma: “beijar os filhos na boca é “muito sexual”. Seguindo a linha psicanalítica freudiana, a psicóloga destaca que “a boca é uma zona erógena que, ao ser estimulada, pode causar confusão nas crianças”. Afirma ainda: “Quando uma criança chega a 5 ou 6 anos, e começa a ter consciência sexual, o beijo nos lábios pode ser estimulante para ela”.  Esse pensamento vai de encontro com a teoria freudiana da “fase oral” que apresenta a boca como área erógena.
O tema é polêmico, e divergente entre profissionais da área terapêutica, mas, como psicanalista cristão, vejo com preocupação a prática, visto que, vivemos numa sociedade onde se tenta de todas as formas destruir o conceito de família, por meio de ampla divulgação da diversidade sexual e como a mídia mostra que o beijo na boca entre pessoas do mesmo sexo é natural.
Se a criança é formada numa família onde essa prática é comum, ao crescer, verá esse comportamento com naturalidade, deturpando os bons princípios e coadunando com uma prática biblicamente condenável.
Particularmente, vejo com muita cautela essa prática e não recomendável na família cristã evangélica, ainda que muitos achem que “não tem nada a ver”.