Pesquisar este blog

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

As três fases de um relacionamento tóxico

O PRÍNCIPE ENCANTADO – FASE DA IDEALIZAÇÃO


​ 
Imagem relacionada
Idealização, Desvalorização e Descarte: as três palavras mais terríveis para qualquer um que já tenha se envolvido no ciclo de uma relação com um sociopata narcisista ou antissocial. 

No início de seu relacionamento ele era tudo o que você sempre quis? O príncipe encantado com quem um dia você sonhou e quando acordou, lá estava ele aos seus pés? Aposto que ele era. Era todo carinho e adoração? Sua atenção, seu tempo, seu interesse, tudo para era você? As surpresas inesperadas, os elogios constantes que faziam com que você se sentisse linda e muito especial? Ele parecia genuinamente ouvir o que você tinha a dizer? Horas conversando… e de repente, você achou sua alma gêmea, seu melhor amigo e o amante mais cuidadoso? Tenho certeza que sim! 

Os sociopatas narcisistas e antissociais são mestres absolutos do charme e manipulação. Eles têm a incrível capacidade de ser exatamente o reflexo daquilo que você deseja, quer e precisa. Mas não se engane, o sociopata não se importa com você. Nada daquilo que você vê é real. É tudo desenhado para a conveniência dele e para que ele consiga adentrar suas defesas, limites e espaço pessoal, tomando o controle de seu tempo, de sua atenção, de sua vida. Esse sonho tem um prazo de duração e quem determina esse prazo é ele. 

No início do relacionamento com um sociopata, todas as emoções normais de euforia que se sente quando se inicia um novo relacionamento estão lá. No entanto, ainda que tudo esteja perfeito, tem sempre algo estranho sobre ele que não se encaixa, que você não entende bem o que, mas decide ignorar para continuar vivendo o sonho. 

Uma vez que o sociopata percebe que você pode ser uma fonte viável de suprimento narcísico, investirá em você tão rápido, tão alto e com tanta força que você não vai saber o que a atingiu. Você mal acreditará quanto esta pessoa parece estar apaixonada por você. Seu charme e constante afeto não são como nada que você já tenha experimentado antes. Ele realmente parece bom demais para ser verdade… 

A idealização é a primeira fase neste ciclo surreal constante que é a relação com sociopatas. É a “fase do pedestal”, isto é, você é posta na posição de uma deusa, e ele parece tão sincero, faz com que você se sinta tão bem e produza tantas daquelas endorfinas da paixão, que logo você fica dependente. Ele demanda seu cuidado e atenção constantes, despertando em você a empatia e seu lado maternal. 

Nessa fase ele moveria montanhas para sua felicidade. Ele ama tudo sobre você e faz questão que você saiba disso. O contato com você é constante. Faz planos, quer te ver, ouvir sua voz mesmo que seja para um simples “oi”. “Desfila” com você para os amigos e quem sabe até para sua família, como se você fosse um troféu do qual ele está orgulhoso. E você lá, deslumbrada com toda essa atenção que nunca recebeu de ninguém. Por ele, você começa a dizer a si mesma que tudo vale a pena e… logo colocará isso em prática… 

Vocês se conhecem há pouco tempo, mas já parecem anos. Tudo se move rápido com ele. É comum o sociopata falar rapidamente de casamento, filhos e tudo que ele, estudando você, saiba que você quer ouvir. Como são irresponsáveis, inconsequentes e não sentem qualquer culpa ou remorso, dirão essas coisas mesmo sem nenhuma intenção de concretizá-las. Ainda que cheguem a concretizar algo, viram as costas para essas coisas sem nenhuma cerimônia. Mas isso só acontece mais tarde… quando já atingiram todos os seus objetivos obscuros. 

Na fase da idealização estamos só no começo. Nessa fase parece que ele não se cansa de você, certo? Errado! Ele pode e ele vai se cansar. Logo. Uma vez que o narcisista percebe que a “comida dele está no anzol”, ele começa a enrolar a linha para trazer sua presa para suas mãos. E é aqui que começa o verdadeiro pesadelo. 


PRÍNCIPE OU SAPO? – FASE DA DESVALORIZAÇÃO


Desvalorização é a segunda fase do ciclo que compõe a relação com sociopatas, em especial, o narcisista. Eu, pessoalmente, não estou bem certa de qual fase é pior, a desvalorização ou o descarte. Ambas são terríveis. 

Agora que você está viciada em toda a atenção, romantismo e bombardeamento amoroso que vêm em sua direção com grande intensidade e rapidez na fase da IDEALIZAÇÃO prepare-se porque é hora de conhecer o homem (ou a mulher) com quem você está realmente. 

O narcisista tem dois métodos para fazer o outro se sentir abaixo de zero: ele pode destruir de forma rápida e brusca o pedestal sob seus pés, desaparecendo no nada como se você nunca tivesse existido, sem dar a mínima explicação e comodamente reaparecer como se nada fosse, ou fazer isso de forma lenta, insidiosa e cruel. É quando escolhe esta segunda técnica de desvalorização que ele mina sua autoestima, corrói sua identidade, desdenha de seus sonhos e conquistas, aponta de forma cruel seus defeitos, isola-a do mundo acusando a todos, levanta contra você suspeitas daquilo que você não fez, alterna sua cara amarrada e mau humor com pequenos gestos de doçura (de modo que não perca o controle sobre você), enfim, lhe faz provar um doce-amargo constante e infernal, de modo que você passa a ter diante de si alguém que você “ama”, mas que estranhamente lhe entristece a maior parte do tempo. 

Ele fará isso com tudo o que tem em seu arsenal e seu arsenal é bem abastecido. Abastecido com seu ódio, raiva e incapacidade de assumir a responsabilidade por qualquer de suas ações ou receios. Sempre com raiva, busca culpar qualquer um além de si mesmo por tudo que não dá certo ou que lhe desagrada. Ele nunca fez nada. Ele é a vítima. Não importa quanto você o venere, obedeça, ceda ou concorde, você sempre fez algo terrível que “o magoou profundamente e que justifica os seus maus tratos”… 

Pesquisas mostram que a maior parte dos narcisistas desenvolve seu transtorno no início da adolescência e também na infância, quando não conseguem desenvolver bem o superego. Muitas vezes, é um resultado direto de abuso ou negligência. Outras, resultado de uma vida sem limites por parte dos cuidadores. Principalmente, se não quase sempre, por parte da mãe. 

Mas, pare! Eu sei no que você está pensando: Não, você NÃO pode ajudá-lo. Quem se envolve com alguém assim precisa de mais ajuda do que ele. Você não pode ajudá-lo pelo simples motivo que ele não acredita que haja algo errado com ele. O problema “está com você”. No final você será difamada como louca, perseguidora, fútil, interesseira, etc. Você será o que na verdade ele é e por isso projetará TUDO em você. 

Na verdade, o narcisista é um grande impostor que projeta uma imagem charmosa e perfeita. Mas sua incapacidade de manter a máscara, permite que você enxergue rapidamente ver quem ele realmente é. E se você não ignorar seus instintos, é claro… 

Sua própria turbulência interna, baixa autoestima (ao contrário da crença popular, narcisista não têm a autoestima elevada que mostra ao mundo) e medo de abandono, faz com que o narcisista abandone as pessoas com grande facilidade. Isso não deixa de ser um mecanismo de defesa contra aquilo que no fundo, teme. Ah, e não, não adiante assegurar-lhe que você não vai abandoná-lo. Isso só vai enfurecê-lo, mostrar quanto você é submissa e fraca. Na verdade isso mostra que você tem para dar um amor que ele não tem e isso faz com ele se sinta inferior e inadequado. Não é o seu abandono que ele teme. É o da mãe (que está no passado, mas que o assombra) e isso, você não pode mudar. Não, nem mesmo com todo o amor do mundo. Na verdade, sua busca é receber amor de seu objeto primário (a mãe), o que nunca ocorrerá porque o tempo em que essa ferida se abriu está lá na infância, impossível de se resgatar na fase adulta quando se trata de narcisistas e antissociais. 

Na fase de desvalorização, o que ele antes achava incrível sobre você agora se torna veneno. Assim, lançará farpas sobre você sem nenhuma razão aparente. É o momento de destruir em você tudo o que ele admira e que sabe não possuir. Isso faz imensa confusão na cabeça das vítimas. Elas são incapazes de compreender por que isso acontece. Como você poderia ser amado num minuto e tão ferozmente detestado no próximo? 

É nessa fase que o narcisista vai usar tudo o que você confidenciou-lhe, contra você. Lembre-se: o narcisista é um predador e sua presa é bem dimensionada na fase de idealização. Todo o tempo que ele escutou você tão atentamente, espremendo mais e mais informações sobre a sua vida, seu passado e seus objetivos atuais e futuros… lamento em informar: ele estava apenas observando, estudando você… e essa pesquisa culminará com a sua destruição final e devastadora, basta você permitir. 

Ele passa a criticar tudo sobre você, desde a maneira de olhar, rir, dormir, comer, se vestir, se relacionar com os outros, sua família, seus amigos, tudo será alvo de críticas. Críticas abertas ou veladas. Algumas vezes escrachadas outras travestidas de “eu só estava brincando”… Ele pode vir a público e criticá-lo severamente ou pode fazê-lo muito sorrateiramente, tentando disfarçar como se ele só quisesse ajudar… Ele não ajuda e não ajudará jamais. Jamais será o companheiro que você sonhou. 

Se você for do tipo questionadora, que capta quando há maldade, ele vai devolver para você com sua especialidade: o tratamento silencioso. Uma agressividade passiva, um “silêncio ensurdecedor” que acusa você sem sequer uma palavra. É um de seus métodos mais cruéis e mais utilizados contra suas vítimas mais inteligentes e questionadoras. Ele não consegue argumentar seu comportamento completamente desequilibrado então fica calado, castigando, insinuando que você está tão errada que não vale a pena nem dirigir-lhe a palavra! Diga lá: São mestres ou não em manipulação? 

Aos poucos o narcisista separa-se emocionalmente de você. Isso faz com que você se pergunte o que fez de errado e inicie uma maratona para “compensá-lo” e trazer a relação para a primeira fase. A resposta é mais distanciamento e indiferença. Ele sabe bem o que está fazendo. Passa a dar desculpas para gastar menos tempo com você, chegar tarde em casa, não aparecer, não dar sinal por dias. 

Nesta fase você terá pequenas pausas em que será bem tratada. Isso acontece quando ele percebe que você está se distanciando, andando com as próprias pernas, desligando-se do abuso. Ele não quer que você se vá antes que ele esteja pronto para descartá-la e, para evitar isso, vez ou outra se apresentará com a máscara do começo. E isso só causa mais confusão emocional, a não ser, é claro, que você já entenda com quem está lidando. Se já entende, esta é sua chance de cair fora antes de ser massacrada. Você será, basta esperar. 

De repente, o seu trabalho torna-se engolir abuso, humilhações, abandono e choro. O que o narcisista está fazendo com você é a DESVALORIZAÇÃO propriamente dita. Ele faz isso porque é irremediavelmente machucado por dentro. Um verdadeiro zumbi moderno, vazio de outra coisa senão instintos mais primitivos e gratificações instantâneas. Ele faz isso porque realmente não está disposto a fazer tudo o que é necessário para manter seu suprimento narcísico (você). Ele precisa de suprimento narcísico (atenção, dedicação, adoração, subserviência, sexo, etc.) como uma droga. Ele quer agora e não quer trabalhar por isso. Ele sabe disso e se ressente. 

O narcisista se cansa muito facilmente e, como qualquer viciado em drogas, precisa de mais e mais a cada vez para manter “seu barato”. Quando a euforia sentida no início de qualquer relacionamento acaba, uma vez que está provado que surge de substâncias químicas no cérebro, ele simplesmente se entedia e se enfurece. Sabe que o problema está com ele, mas projetará culpas imaginárias sobre você para não ter que lidar com sua superficialidade, além ter uma desculpa para partir para a próxima vítima que lhe dê suprimento novo, sem parecer o vilão da história. 

As pessoas saudáveis, durante a química da paixão, podem desenvolver outras ligações, respeito pelos limites do outro e outros sentimentos que criam laços mais profundos, substituindo a paixão química. Há desenvolvimento de uma relação saudável onde ambos mantêm sua autonomia como indivíduos. Então esqueça: Você jamais terá isso com um narcisista patológico. Ele não permitirá que tais laços se estabeleçam. Ele olha para as pessoas nesses relacionamentos como fracos, submissos ou patéticos. Isso ocorre porque alguns estágios emocionais e de desenvolvimento do narcisista foram atrofiados na infância ou adolescência por algum evento traumático, ainda que esse trauma seja uma mera percepção dele de um determinado fato. É claro que nem todo mundo que experimenta traumas de infância desenvolve Transtorno de Personalidade Narcisista. 

Então acredite, na desvalorização o que ele deseja é destruir sua mente, seu brilho, sua energia vital, pelo simples fato de que ele se ressente de sua dependência por você, e é através da desvalorização que ele conseguirá colocá-la na posição de dependente, de modo a sentir-se um pouco melhor. Quem chegou a esse ponto deve preparar-se para o golpe final: O DESCARTE 




DO CASTELO À LATA DO LIXO – FASE DO DESCARTE


O DESCARTE é a terceira e última fase da experiência traumatizante e dolorosa que é o encontro com um sociopata narcisista. Prepare-se, pois é nessa fase que você vai vê-lo completamente sem máscara, numa versão diabólica que você nunca pensou em associar àquele anjo imaculado que você conheceu e que lhe deu tanta lição de moral e bons costumes ao longo de toda relação. 

Quando ele tiver rasgado você ao meio e arrastado seus pedaços para as profundezas do inferno com suas agressões verbais, sua humilhações, suas mentiras, traições, inversões, projeções e, em muitos casos, atos de violência física, ele vai descartar você. 

Assim que ele tiver sugado por completo sua energia vital, deixando-a esvaziada de alegria de viver, autoestima, amor próprio, autorrespeito e dignidade, ele vai jogá-la fora com crueldade e sangue frio. Simples assim, como se você fosse um pedaço de papel sujo. Papel higiênico que ele usou para se livrar de sua sujeira, constantemente projetada sobre você. Só então ele estará pronto para descartá-la. 

Durante a fase de desvalorização, a vítima tenta incansavelmente descobrir o que fez de errado para que seu parceiro tão perfeito do início se voltasse contra ela de forma tão furiosa. Ao longo da fase de desvalorização, o sociopata deixa bem claro que tudo foi culpa sua. TUDO. Ao final, a vítima está cansada, reprimida, deprimida e oprimida. A este ponto provavelmente já se tornou tão isolada que tem pouca ou nenhuma vida social. Enquanto ele a encantava com carinho e atenção ímpar, sorrateiramente exigia seu afastamento dos hobbies, amigos, familiares e colegas. Ora mantendo-a ocupada (e distraída) com atenção constante, ora castigando-a com mau humor e tratamento silencioso de modo que, aos poucos, você começa a evitar as condutas que desagradam o parceiro “tão apaixonado”. 

Em um piscar de olhos você está distante de tudo e de todos que possam ser para o sociopata uma ameaça. Qualquer coisa que receba seu carinho e atenção, não é bom para você e, logo, deve ser eliminado. Sua vida e interesses devem ser dedicados exclusivamente a ele. Ele nunca diz isso abertamente. Conduz sua vítima a isso, através de manipulações, vitimizações, acusações e mentiras. E assim foi sem você perceber. 

O sociopata consegue isolar e degradar a identidade e autoestima da vítima para igualar à sua. Esvaziada, de joelhos, completamente perdida e sem vida própria, a vítima já não tem para fornecer qualquer suprimento narcísico (adoração, atenção, sexo, presentes, etc.) e aí chega o momento em que ele vai descartá-la sem olhar para trás, como se nunca tivesse existido. Aquele amor eterno prometido, os planos grandiosos para o futuro, tudo se perde no nada. É como se nunca tivesse acontecido e a naturalidade com a qual ele faz isso vai deixá-la confusa, machucada, humilhada e sem vontade de acordar de manhã. Mas escreva minhas palavras: Ele nunca vai deixá-la a menos que já tenha garantido uma nova fonte de suprimento narcísico. Leia de novo: NUNCA. Pode não ser uma amante. Pode ser qualquer coisa (carro novo, consumismo, viagens, etc.), novos amigos, velhos amigos, ex, qualquer coisa que naquele momento o sociopata narcisista perceba ser uma maior ou melhor fonte de suprimento narcísico. 

Incapaz de viver luto por perdas e de passar períodos sozinho, ele está sempre à procura de uma melhor “alimentação”. Sempre. Ao afastar-se e observá-lo de longe, você se verá diante de alguém promíscuo, que troca de parceiro com a naturalidade de quem troca de roupas. Você testemunhará futilidades absurdas em seus costumes consumistas. Você ouvirá mentiras a seu respeito. Você se encontrará muitas vezes perguntando: “quem é essa pessoa?” “como pode ser a mesma que um dia me fez tão feliz?”. Não se torture mais. Você conheceu um ilusionista talentoso que não conhece escrúpulos nem limites para tirar de suas vítimas o que mais lhe convém, ainda que para isso tenha que lhe prometer, sem nenhum pudor, um mundo maravilhoso e cor de rosa que, de repente, se transforma num lugar frio, tenebroso e escuro, onde você não significada NADA. 

O sociopata narcisista é oportunista na essência. Quando o tempo com você não for mais conveniente ou não servir mais aos seus propósitos, ele dará seu golpe final e desaparecerá. Se seu contato era telefônico, não atenderá mais. Se você insistir de outro número em busca desesperada por uma razão de tudo aquilo, vai humilhá-la da pior forma possível ou simplesmente dizer que você ligou para o número errado! 

Se ele mora com você, vai arrumar as malas e sumir, quer dando-lhe o tratamento do silêncio, quer tendo um ataque de fúria (por culpa sua, é claro) ou com um “combo” de desvalorização mortal, no qual juntará todas as suas técnicas de descarte e soltará sobre sua cabeça como uma pedra gigantesca que vai te esmagar como a uma formiga. Seja como for, ele vai sair de sua vida, sem encerramento, sem explicação, sem nada, deixando para você apenas dúvidas, culpa e muita dor. 

E não se iluda, porque mesmo longe ele fará de tudo para sujar seu nome entre aqueles que conhecem o casal. As mentiras e histórias hollywoodianas protagonizadas pela vítima que era “louca” e que “não tinha vida própria” e que “o sufocava” serão contadas repetidas vezes e, não raro, conseguirão uma legião de simpatizantes que se compadecerão de seu “sofrimento”. 

Apesar de ser revoltante o sentimento de injustiça, o segredo é não reagir e aguardar. Como não conseguem manter máscaras por muito tempo, rapidamente suas ações passam a depor contra suas palavras e as pessoas, por si só, compreendem quem era a vítima e quem era o vilão. Reagir só vai fazer com que pareça que ele tem razão ao chamá-la de louca. Nesta fase é preciso focar em si e evitar contato com informações sobre essa pessoa que não tinha e jamais terá algo valioso para lhe oferecer. Seu encontro com ele foi uma fatalidade. Aprenda o que puder desta experiência e siga com dignidade. Não insista atrás de explicação e siga em frente, pois se você insistir pode piorar e muito. A explicação é simples: você se envolveu com um transtornado mental. Ponto final. 

Após o DESCARTE, se ele voltar (E ELE VAI VOLTAR) e você aceitá-lo de volta, passada a lua de mel, você estará diante do ciclo LAVA, ENXÁGUA, USA, JOGA FORA E REPETE. Até quando ELE não quiser mais. Sim. Eles sempre voltam e o fazem por diversos motivos. Voltam essencialmente para ter certeza que ainda tem controle sobre suas vítimas. Voltam para machucar a vítima atual. Voltam porque têm certeza que você ainda os espera. Voltam porque são obcecados e veem suas vítimas como posse. Voltam porque perceberam que sua vida foi adiante sem eles e isso é inadmissível. Voltam porque ao vê-la melhor, percebem-na como fonte nova de suprimento e querem novamente sugá-la. 

Se tiver sido você a deixá-lo, fará stalking, a perseguirá prometendo amor eterno, dizendo tudo aquilo que sabe que você deseja ouvir, falará de casamento, filhos e se apresentará em sua melhor versão. Será tudo o que você um dia sonhou. Ele voltará “mudado”. Graças a você ele “entendeu muitas coisas”. Mas se você me perguntar se neste momento ele merece uma segunda chance, lhe digo sem medo de errar: Aceitá-lo de volta é voltar à primeira fase sim, aquela maravilhosa da IDEALIZAÇÃO, mas sem esquecer que logo em seguida você deverá enfrentar a DESVALORIZAÇÃO e o DESCARTE, reinserindo-se num ciclo vicioso, mortal e sem fim do qual SOMENTE VOCÊ sairá prejudicada. 

Por: LUCY ROCHA - Advogada e personal coach. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Divã na Psicoterapia Psicanalítica


O Divã



O divã se tornou o símbolo icônico da psicanálise em desenhos animados, televisão e filmes. No entanto, nem todos os terapeutas, ou mesmo todos os psicanalistas, usam o divã. Quando você consulta um terapeuta pela primeira vez, é improvável que ele sugira o divã imediatamente. É uma abordagem apropriada para alguns pacientes e, geralmente, algo em que se evolui. Enquanto algumas salas de consulta de profissionais de saúde mental incluem um divã, os psicanalistas são extensivamente treinados para usá-lo como um acompanhamento para a terapia psicanalítica.


Por que usar o divã? 

Mais de um século após o seu uso ter sido introduzido por Sigmund Freud, o divã ainda provoca tanto curiosidade quanto ridicularização. Sua capacidade de continuar sendo evocativa é um testemunho da imaginação que estimula.

Freud começou a utilizar o divã no início dos anos 1900 como uma evolução do método hipnótico autorizado para o método mútuo de associação livre. Freud aprendeu, como muitos praticantes subsequentes, que os encontros entre o paciente e o analista são aprofundados quando ambos estão livres das restrições de se olharem. Ambos têm a oportunidade de deixar suas mentes correrem livres umas em relação às outras. A comunicação inconsciente que pode resultar promove uma intimidade mais profunda e uma autodescoberta mais profunda.

Quando os pacientes usam o divã, eles frequentemente comentam: "É tão liberador ser capaz de falar minha mente sem ter que me preocupar com suas reações." No divã, os pacientes são liberados dos pontos subliminares com os quais geralmente confiamos para guiar nossos pensamentos no rosto. Costumamos nos orientar para as respostas que provocamos nos outros, por isso o divã em sua essência é um veículo para a liberdade pessoal - a liberdade das habituais restrições sociais que inibem nossa consciência de nós mesmos; consciência que nos afasta de nossa imaginação e liberdade da superficialidade social que pode inibir uma honestidade mais profunda.


Sim, mas funciona?

Uma paciente iniciou a psicoterapia porque percebeu que recentemente se tornou autocrítica e depreciativa em relação ao marido, a quem ela ama profundamente. Ela procurou tratamento para descobrir o porquê. Após várias sessões, ela descobriu que sua atitude crítica em relação ao marido é a mesma que ela tem em relação a si mesma. Ela comentou: "Tudo o que faço critico a mim mesmo por ser inadequado". Ela chegou a reconhecer que esse senso crônico de autoavaliação crítica estava relacionado à sua educação. Em sua imaginação, sua mãe era constantemente crítica dela. Mais tarde, ela reconheceu que, embora sua mãe fosse áspera às vezes, sua imagem interna de sua mãe era mais escura do que realmente era. Ela viu que a mãe em sua imaginação, que ela sempre temia, era diferente de sua mãe real.

Ela foi imediatamente à psicoterapia e começou a sentir-se mais livre e menos autocrítica. Ela se relacionou calorosamente e sentiu-se agradecida por minhas percepções. Depois de um tempo, porém, ela ficou desconfortável e ficou cada vez mais silenciosa. Um dia, ela olhou para o divã e comentou: "As pessoas realmente não mentem mais nisso, não é?"

Eu notei sua recente falta de jeito e me perguntei junto com ela sobre sua curiosidade sobre o divã. Ela havia lido sobre isso, mas estava envergonhada de admitir seu interesse em tentar. Mas ela estava curiosa sobre como isso funcionava e como isso poderia ser diferente do tratamento face a face. Perguntei-lhe se ela estava ciente de qualquer pensamento que pudesse ser mais fácil de falar se ela não estivesse olhando para mim.

No tratamento face a face, essa paciente sentia-se desconfortável com seus pensamentos. Mesmo que ela tenha apreciado minha postura sem julgamento, ela tinha vergonha de falar diretamente sobre sentimentos mais pessoais. Ela sentiu que eu iria julgá-la, como ela julga o marido e ela mesma. Como se viu, havia áreas de sua vida que ela mantinha em segredo, e essas eram as coisas sobre as quais ela se sentia mais perturbada e profundamente envergonhada. O divã a ajudou a se sentir mais livre para que ela pudesse descobrir as fontes de sua vergonha.

"Eu posso dizer todos os tipos de coisas agora que eu não me sentiria confortável dizendo na sua cara", disse ela, acrescentando: "Por um tempo agora eu queria te dizer que eu não gosto de seus laços, mas eu nunca ouso dizer isso na sua cara".


Curioso sobre o divã?

Aqui estão algumas considerações:
  • O divã é usado quando o paciente se sente pronto para isso; não há pressão. 
  • Não há uma maneira "certa" de usar o divã. É uma experiência diferente para cada paciente. 
  • O divã pode permitir níveis de honestidade que podem refrescar sua vida. 
  • O divã pode facilitar a autoaceitação e reduzir as inibições. 
  • O divã pode ser um lugar de liberdade para descobrir aspectos mais profundos de suas dores e paixões. 

Se você se encontrar retendo pensamentos honestos do seu terapeuta, se você se sentir preso, ou se você está tentando desvendar motivações inconscientes, talvez deitar no divã seja exatamente o que você precisa.

Na Clínica de Psicanálise de Paranavaí, o divã é um dos modelos terapêuticos  utilizado no tratamento dos transtornos mentais.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ANSIEDADE E DESEMPENHO SEXUAL


A ansiedade interfere no desempenho sexual?

Osésa R. Oliveira
Psicanalista
A resposta é: SIM - A satisfação sexual pode ser comprometida pela disfunção que ocorre em qualquer fase do ciclo de resposta sexual: excitação (desejo e excitação), platô, orgasmo e resolução. Tais problemas ocorrem em 43% das mulheres e 31% dos homens. A disfunção mais comum para as mulheres é a desordem da excitação sexual (10% a 20%), e para os homens é a ejaculação precoce (cerca de 30 %).

A disfunção sexual pode ser causada por uma variedade de fatores físicos e psicológicos. A chave entre os fatores psicológicos é a ansiedade. 


Como a ansiedade interfere no funcionamento sexual

O que há na ansiedade que interfere no funcionamento sexual? Pesquisas recentes identificaram que o medo sobre o desempenho sexual ou desajuste são uma área importante de preocupação para casais que sofrem de disfunção sexual. Nesse caso, a ansiedade antecipa ou inibe a resposta do sistema nervoso autônomo, impedindo a excitação fisiológica.

A ansiedade afeta a excitação sexual de diferentes maneiras para pessoas diferentes. Pesquisadores encontraram resultados muito diferentes entre pessoas com história de disfunção sexual e pessoas sem história de disfunção sexual. Para aqueles sem histórico de disfunção, a ansiedade às vezes aumenta a excitação. 
Experiências prévias de disfunção sexual aumentam sua probabilidade em resposta à ansiedade. Além disso, o processo de pensamento de uma pessoa pode ter um grande impacto na probabilidade de experimentar disfunção sexual.
Quando as pessoas esperam alcançar uma resposta sexual positiva, elas são mais propensas a fazê-lo do que quando esperam uma disfunção sexual. Certas pessoas são mais propensas a esperar disfunções sexuais, ou pelo menos têm preocupações sobre seu funcionamento sexual, do que outras. Duas grandes fontes psicológicas influenciam o quanto as pessoas antecipam a disfunção sexual: ansiedade e depressão.

Efeitos da Ansiedade na Disfunção Sexual

Muitas pessoas com transtornos de ansiedade ou humor experimentam disfunção sexual, mas o grau varia muito. Algumas pessoas podem experimentar disfunções apenas algumas vezes, enquanto outras experimentam em todas as tentativas sexuais.
Ter um transtorno de ansiedade pode levar as pessoas a desenvolver disfunção sexual. O inverso também é verdade que pessoas com transtornos sexuais tornam-se mais ansiosas. Homens que experimentam ejaculação precoce ou inibem o prazer sexual têm até 2,5 vezes mais chances de ter um transtorno de ansiedade do que aqueles que não têm esses problemas. Mulheres com ansiedade têm uma probabilidade aumentada de excitação ou disfunção no orgasmo até 3,5 vezes mais do que mulheres não ansiosas. Olhando para homens e mulheres, a ansiedade está ligada a um risco 2,6 vezes maior de disfunção no orgasmo, um risco 2,1 vezes maior de excitação sexual inibida e um risco 3,3 vezes maior de diminuição do desejo sexual.

A disfunção sexual está relacionada a uma variedade de transtornos ansiosos: transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). 
A ansiedade está associada a déficits em todas as fases do ciclo de resposta sexual. Além disso, a depressão influencia diretamente o funcionamento sexual e a libido, agravando os efeitos no funcionamento sexual.

Como quebra o Ciclo de Disfunção Sexual – Ansiedade - Depressão?

Experiências de disfunção sexual podem, muitas vezes, ser provocadoras de ansiedade. Independentemente do que causa a primeira ocorrência (por exemplo, interferência cognitiva, anormalidade fisiológica) ou o subtipo específico (por exemplo, disfunção erétil, dificuldade orgástica), ansiedade e depressão podem ajudar a perpetuá-la.
A disfunção sexual é frequentemente melhor vista como um sintoma ou consequência da ansiedade ou depressão de uma pessoa. Quebrar este ciclo depende, em grande parte, de quão bem os transtornos são gerenciados. O fio comum que os atravessa é um padrão distorcido de pensar sobre o eu. Experiências sexuais negativas podem condicionar uma resposta de ansiedade em futuros encontros sexuais.

Evitar é uma das formas mais comuns de lidar com a ansiedade. Esta é uma resposta natural que foi moldada ao longo de milhares de anos de evolução humana. Quando sentimos uma ameaça, nossa resposta natural é nos distanciar dela, o que proporciona um benefício imediato. Você pode imaginar há milhares de anos que esse era um traço de autopreservação muito útil.

Tal resposta ao estresse e ansiedade hoje produz benefícios a curto prazo, mas problemas a longo prazo. Ao sair imediatamente ou evitar completamente uma situação estressante, a ansiedade diminuirá temporariamente. Mas se permanece não resolvido, retornará toda vez que você estiver exposto ao mesmo estímulo indutor de estresse. Portanto, evitar não é uma estratégia eficaz para superar a ansiedade.

5 estratégias eficazes para superar a disfunção sexual

Quer saber quais são? Me pergunte 044-997601317 (whatsapp)

terça-feira, 3 de julho de 2018

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL - O QUE É E COMO VENCER



"Não seja escravo do seu passado emocional, mas viva o presente com emoção".

A mídia nacional e internacional noticiou hoje que o filho do ator Casper Van Dien, está entre a vida e a morte após tentar suicídio por enforcamento. Casper Van Dien foi uma das estrelas da série ‘Barrados no Baile’ e protagonista do clássico cult de ficção científica ‘Tropas Estelares’ (1998).
A tentativa de suicídio ocorreu no hospital onde o jovem de 23 anos passava por tratamento de depressão, após o fim de um relacionamento. Em sua conta no Facebook, a atriz Carrie Mitchum, mãe do jovem, comentou o ocorrido: “O meu filho se enforcou. Ele não está respondendo e não consegue respirar direito. Não sabemos se ele irá sobreviver”. Esse é um caso típico de dependência emocional.

O que é dependência emocional? 

A dependência emocional acontece quando uma pessoa depende de outra para se sentir bem, para ser feliz, para se sentir amada e até mesmo para tomar as próprias decisões. Pode ser uma ansiedade leve e quase imperceptível ou até um transtorno mental que exige tratamento. 

É possível vencer a dependência emocional, porém, para que isso aconteça é necessário que a pessoa decida mudar, para conquistar uma melhor qualidade de vida. Quem sofre de dependência emocional, não aproveita plenamente a relação e perde sua individualidade por causa do apego excessivo. 

Existem homens que sofrem desse mal se apegando demais, e que têm vergonha de assumir e de procurar ajuda terapêutica. Acreditam que sua masculinidade pode ser questionada. Já as mulheres são maioria das pessoas que sofrem da dependência emocional, que tem a baixa autoestima como principal causa. 
A dependência emocional pode existir, também, entre pais e filhos ou entre amigos. 

Características da uma pessoa com Dependência Emocional: 


  • Dependência de outro para ser feliz – se não tiver a atenção de quem ama ou goste, não consegue fazer mais nada; 
  • Dependência da maneira que é tratada pela pessoa que se apega, para ter alegria; 
  • Dependência do que a pessoa pensa – caso a opinião seja ruim, desencadeia um processo de infelicidade; 
  • Dependência de aceitação - precisa se sentir aceito para estar tudo bem. Caso se sinta mal, cai em uma infelicidade imensa; 
  • Dependência do outro para se sentir bem ou mal; 
  • Devido o temor de incomodar ou de ser repreendido, omite opinião contrária a do outro para evitar confusões; 
  • Coloca o desejo do outro à frente do seu próprio desejo; 
  • Sente-se incapaz de tomar decisões - sua vida é conduzida pelo outro; 
  • Precisa se sentir querido para estar bem consigo mesmo - caso a pessoa a quem se apega não a quer, sente-se vazia e sem amor próprio; 
  • Não consegue ficar sozinha longe do outro – não consegue aproveitar a vida, fica deprimida e sua autoestima diminui. 
  • Sentimento de culpa constante – sente-se responsável pela felicidade do outro; 
  • Medo de perder o outro a quem ama – trata-se de um medo constante que interfere nas relações pessoais e interpessoais; 
  • Cede com facilidade a chantagens emocionais – por não suportar a culpa da dor do outro; 
  • Anula-se e sacrifica-se a si mesmo para dar felicidade ao outro. 
  • Escolhe sofrer do que sair dessa relação – a presença do outro é necessária para que a vida faça sentido; 
  • Não tem forças para cortar o contato com o outro; 
  • Não se sente capaz de seguir um caminho diferente do outro a quem ama; 
  • É controlador - quer controlar a vida do outro, para sentir segurança de que não será abandonado. 
  • Quer ouvir as conversas do outro para saber o que e com quem está falando; 
  • Obsessão - deixa de viver a própria vida para viver a vida do outro. Quer assegurar-se de que o outro não perderá o interesse pela relação. Se sentir que será abandono, pode deixar de ser quem realmente é para fazer coisas que não gosta, a fim de agradar o outro. 
  • Tendência ao isolamento social - só se sente bem se estiver com a pessoa e, quanto mais tempo passar com ela, melhor. 
  • Não consegue imaginar a vida sem o outro – é uma relação cheia de ansiedade, nunca está satisfeita porque quer, cada vez mais, a presença do outro. 


Como vencer a dependência emocional 

Se você conseguiu ler até aqui e se identificou com algumas ou todas as características de uma pessoa dependente emocionalmente de outra pessoa, você já sabe o que tem que mudar, colocando fim a dependência emocional. 

Você está envolvido numa relação tóxica e destrutiva, que não poderá manter, porque a outra pessoa irá se cansar de você. Além do que, esta relação está te fazendo mais mal do que bem. 

Se você é uma pessoa que prefere agradar o outro para não perdê-lo, em detrimento do seu próprio bem estar, e quer sair dessa dependência emocional, a primeira coisa a ser feita é redescobrir o amor próprio e pensar mais em si mesmo. 

Você não poderá preservar uma relação saudável se não reaprender a amar a si mesmo. Somente quando amar a si mesmo e não precisar de mais ninguém, é que estará preparado para amar o outro com intensidade. 

Até mesmo a bíblia, nos mandamentos, ensina que o amor que se deve dedicar à outra pessoa, tem como referencial o amor a si mesmo. 

Outro ponto importante é trabalhar sua autoestima. Como já me referi, a baixa autoestima é o principal fator causador da dependência emocional. Tanto o resgate do amor próprio como da autoestima podem ser trabalhados com a leitura de material motivacional referente o assunto, no entanto, o tratamento psicoterapêutico tem se mostrado mais rápido e eficiente. 

O terapeuta não é um conselheiro emocional que só é consultado nas crises de relacionamento, como os dependentes emocionais costumam fazer. A psicoterapia é um processo a ser seguido conforme a orientação do profissional. 

Além da psicoterapia, há exercícios que você pode fazer. Dedique tempo ao happy hour com os amigos, aos hobbies, viagens, olhe ao seu redor e aproveite as pequenas coisas, desenvolva suas habilidades, cultive seu futuro, faça amizades. E acima de tudo, cuide bem de si mesmo e guarde bem a tua alma. Dt.4.9. 

Se desejar saber mais, estou à disposição. 

Osésa Rodrigues de Oliveira 
Psicanalista Clínico 
44-997601317 WhatsApp.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

AUTOSSABOTAGEM



Repetição de comportamentos prejudiciais podem ter origem na baixa autoestima e na insegurança.

Por mais absurdo que possa parecer você pode ter atitudes prejudicais a si mesmo. Esse comportamento é conhecido com autossabotagem.
No artigo “Os que Fracassam ao Triunfar” Sigmund Freud(1916), o pai da psicanálise, diz que, por certas razões, alguns indivíduos têm problemas em usufruir da satisfação de um desejo. Conseguir alcançá-lo traz angústia porque a sua realização vai contra crenças primordiais, entre elas, a de que não merece ser feliz. Exemplos: Um novo relacionamento, uma promoção no trabalho ou a conquista de um bem desejado. Em geral, quando você se boicota, não consegue perceber que está repetindo os mesmos erros. Seja em maior ou menor grau, você está sempre se autossabotando. Um exemplo claro de autossabotagem é você fazer regime de fome a semana toda e comer até no fim de semana. Ser traído pelo desejo de vez em quando é normal, mas quando esse comportamento se torna repetitivo, é sinal de que você não quer emagrecer de verdade, embora viva dizendo que precisa perder peso.
O autossabotador é uma pessoa com baixa autoestima, inseguro e tem dificuldade de se lançar em novos desafios. Esse desacerto, em geral, está relacionado à educação dada pelos pais, que não valorizam as potencialidades dos filhos e fazem crescer na criança, o medo e a insegurança.
No livro “O Ciclo da Autossabotagem”, Stanley Rosner afirma que o ser humano passa a metade de vida tentando confirmar as crenças adquiridas na infância, principalmente no relacionamento com os pais. – “Há pessoas que cozinham da mesma maneira que sua mãe cozinhava, frequentam o mesmo templo, adotam as mesmas diversões e, às vezes, até moram na mesma casa. Para elas, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço para a mudança, a inovação. Não há espaço sequer para a imaginação” – afirma Rosner.
Para romper esse ciclo, é necessário e imprescindível desenvolver o autoconhecimento. Para isso, o melhor caminho é a terapia.
A psicanálise defende o resgate de memórias da infância como ponto de partida para superar a repetição de comportamentos familiares. Isso acontece porque, as pessoas desenvolvem, desde pequenas, a percepção que a única forma de serem amadas e aceitas é serem iguais a seus pais. Daí porque valorizam tanto as crenças deles – precisam sentir-se consideradas e acolhidas. Ou seja, elas serão aceitas pelo que seus pais querem que sejam e não pelo que realmente são . 
Essa repetição de comportamentos dos pais para ter seu amor, é o que a psicanalise define como “identificação arcaica”. É um comportamento ruim na infância e se torna pior ainda, quando na fase adulta procura cumprir o que era pedido pelos pais, sem escutar suas próprias preferências, atender suas reais potencialidades ou sequer olhar para o ambiente atual e constatar que essas exigências são descabidas

Como saber se estou me autossabotando?

O autoconhecimento é o primeiro passo para romper o ciclo de autossabotagem.
Se você repete os mesmos erros sempre e culpa mundo pelos seus problemas, vive se fazendo de vítima, muda de emprego constantemente e a culpa é dos chefes. Se sempre se envolve num relacionamento tóxico, mesmo que a pessoa anterior te tenha feito sofrer;
Se a possibilidade de as coisas darem certo te faz sofre, ou seja: você subestima o próprio talento e não se considera capaz de assumir determinadas tarefas; Não se acha merecedor de suas próprias conquistas;
Se você não consegue ser feliz e desfrutar dos resultados positivos. Pensa: “Emagreci, agora vou engordar”, “fui contratado(a), mas posso ser demitido(a) a qualquer momento”, etc.
Pensa sempre que algo de ruim está para acontecer e que a felicidade plena é impossível; Se compra um carro novo, pensa que vai ser roubado ou bater antes de fazer o seguro, procure, urgentemente ajuda profissional. Você está se autossabotando o tempo todo.

Osésa R.Oliveira
Psicanalista Clínico
Contato: 044-997601317.

terça-feira, 26 de junho de 2018

HOMENS NO ALTAR TRATANDO VIDAS QUANDO NUNCA FORAM TRATADOS









Disse-lhes Jesus: Sem dúvida citar-me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; Lc.4.23.




“MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO”



"Procura dentro de ti a origem de teus males, e lá encontrarás também a cura".

Anos atrás precisei fazer uma cirurgia. Chegando ao hospital, enquanto me preparava para a cirurgia, o cirurgião percebeu que eu estava tranquilo e perguntou porque eu estava tão calmo. Respondi com as palavras de Paulo: viver é Cristo, morrer é lucro (Fl.1.21). Então me disse: você é muito corajoso! Tenho que fazer a mesma cirurgia há anos, mas ainda não tive coragem.
Ele sabia que precisava se tratar; estava cuidando de outras pessoas, tratando as feridas de outros, enquanto sofria do mesmo mal que tratava em seus pacientes, mas tinha medo de ser tratado. 
Perguntei porque não se submetia logo àquele procedimento cirúrgico. Ele respondeu: Não confio em outro profissional. Eu sei que sou bom naquilo que faço, mas será que o cirurgião que irá me operar não cometerá algum erro?
Esse médico, ao me atender, disse que eu necessitava operar urgente. No dia seguinte eu já estava entrando no hospital para a cirurgia. Ele sofria o mesmo mal há anos e não confiava em outro profissional.

"A prevenção e a cura acontece quando localizamos o erro dentro de nós mesmos".


A exemplo desse médico, vejo muitos pastores morrendo, enfermos da alma, tentando salvar outros. Falam da urgência dos cristãos em cuidar da alma enquanto a sua está sucumbindo em chagas.
Do mesmo modo, sentem se capazes de sarar pessoas, mas não permitem serem tratados  por achar que ninguém é tão bom quanto eles.
Eu sei o que estou falando. Sempre fui reservado em abrir minha vida como pastor a outros pastores, fossem do mesmo ministério ou de outro. Vi minha alma gritar desesperada até que decidi buscar ajuda antes que fosse tarde.
A questão é que, a maioria dos pastores nunca foram tratados na alma. Em geral, são pessoas que se destacam em suas igrejas, são bons oradores, sentem-se chamados por Deus e formam-se em teologia. SÃO TEÓLOGOS, não pastores. É preciso fazer essa diferença. Outros, totalmente leigos, são ungidos ao pastorado por sua dinâmica, desenvoltura e oratória. 
Em ambos os casos, são atirados ao ministério, mas nunca tiveram um tratamento psicoemocional de seus traumas, de seus históricos familiares, da identificação arcaica, dos relacionamentos frustrados e etc. Estão sendo bem orientados espiritualmente, mas não tratados no caráter – na personalidade forjada em uma família desestruturada.  Sem referenciais familiares. Não estou generalizando, mas apontando o que acontece com a maioria.
Então temos os deprimidos, inseguros, dominadores, os que sofrem da síndrome do imperador, dos megalomaníacos, dos narcisistas e psicopatas que já sucumbiram numa vida de pecados ocultos e estão na fase da negação.
O Senhor Jesus ensinou que a essência da vida é cuidar daqueles que estão doentes. Não somente do ponto de vista físico e espiritual, mas também os doentes emocionais.
Somos todos “doentes” de uma certa forma, e precisamos de cura. A cura deve alcançar a totalidade do ser humano: cura física, mental, psíquica e emocional.
É fundamental entender que as doenças surgem do desequilíbrio no corpo, na mente e no espírito humano. 
Estudos científicos comprovam que 80% das doenças são psicossomáticas – Expressão do latim: Psico vem de mente e soma vem de corpo.
Outra definição é a chamada doença pneuma-psicossomática, acrescentando pneuma, palavra grega que quer dizer “alma”, “espírito vital”. 
Assim, as doenças não são únicas e exclusivamente corporal, mas muitas são “doenças da alma” - doenças psíquicas. 
Á partir dessa compreensão, o que estamos presenciando, seja pela onda de pastores que estão abandonando o ministério, adultérios, divórcios, suicídios e desviando do evangelho, são as consequências de se ordenar ao ministério, homens que nunca foram tratados em seus traumas, caráter e vivências familiares.
Então, a parábola citada por Jesus fica mais clara: Médico, cura-te a ti mesmo. Se você não consegue curar a si mesmo, busque ajuda antes que seja tarde demais.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa
044-997601317.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EXPLICANDO O DÉJÀ VU NA TEORIA FREUDIANA





VOCÊ JÁ TEVE A SENSAÇÃO QUE JÁ ESTEVE NUM LUGAR, SEM JAMAIS TER IDO ALI, OU QUE CONHECE ALGUÉM, MAS QUE NUNCA A VIU ANTES? 



Esse fenômeno é denominado DÉJÀ VU: um termo da língua francesa, que significa “já visto”. Forma de ilusão da memória que leva o indivíduo a crer já ter visto alguma coisa ou situação de fato desconhecida ou nova para si. 

É uma sensação que surge ocasionalmente, ocorre quando fazemos, dissemos ou vemos algo que dá a sensação de já ter feito ou visto antes, porém isso nunca ocorre. O déjà vu aparece como um “replay” de alguma cena, onde a pessoa tem certeza que já passou por aquele momento, mas realmente isso nunca ocorreu. 

A teoria freudiana explicar o déjà vu como um fenômeno que tem a ver com fantasias do passado ou desejos inconscientes: “Dito em termos sucintos, a sensação do “déjà vu” corresponde à recordação de uma fantasia inconsciente” (FREUD, p. 267). 

O Déjà vu como um sonho anterior 

A segunda explicação consiste em que o Déjà vu é, na verdade, o já sonhado, ou seja, diferentemente da explicação anterior, em que o Déjà vu é uma fantasia diurna. Entretanto, a origem – de dia ou de noite – não implica em uma diferença significativa, pois o conteúdo é inconsciente em ambos os casos. 

O Dr. Ferenczi é citado por Freud: “Num de meus pacientes aconteceu algo aparentemente diferente, mas, na realidade, inteiramente análogo. Esse sentimento retornava nele com muita frequência, mas mostrava regularmente ter-se originado de um fragmento esquecido (recalcado) de um sonho da noite anterior. Portanto, parece que o déjà vu não só pode derivar-se dos sonhos diurnos, como também dos sonhos noturnos.” (FREUD, p. 269). 

Conclusão 

A explicação da psicanálise sobre o Déjà Vu é de que o conteúdo que é sentido pela consciência é um conteúdo inconsciente que, em outro momento, passou pela consciência em um sonho ou em uma fantasia diurna. Devido ao recalcamento, o conteúdo não está mais disponível à consciência, exceto quando acontece.