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quinta-feira, 28 de junho de 2018

AUTOSSABOTAGEM



Repetição de comportamentos prejudiciais podem ter origem na baixa autoestima e na insegurança.

Por mais absurdo que possa parecer você pode ter atitudes prejudicais a si mesmo. Esse comportamento é conhecido com autossabotagem.
No artigo “Os que Fracassam ao Triunfar” Sigmund Freud(1916), o pai da psicanálise, diz que, por certas razões, alguns indivíduos têm problemas em usufruir da satisfação de um desejo. Conseguir alcançá-lo traz angústia porque a sua realização vai contra crenças primordiais, entre elas, a de que não merece ser feliz. Exemplos: Um novo relacionamento, uma promoção no trabalho ou a conquista de um bem desejado. Em geral, quando você se boicota, não consegue perceber que está repetindo os mesmos erros. Seja em maior ou menor grau, você está sempre se autossabotando. Um exemplo claro de autossabotagem é você fazer regime de fome a semana toda e comer até no fim de semana. Ser traído pelo desejo de vez em quando é normal, mas quando esse comportamento se torna repetitivo, é sinal de que você não quer emagrecer de verdade, embora viva dizendo que precisa perder peso.
O autossabotador é uma pessoa com baixa autoestima, inseguro e tem dificuldade de se lançar em novos desafios. Esse desacerto, em geral, está relacionado à educação dada pelos pais, que não valorizam as potencialidades dos filhos e fazem crescer na criança, o medo e a insegurança.
No livro “O Ciclo da Autossabotagem”, Stanley Rosner afirma que o ser humano passa a metade de vida tentando confirmar as crenças adquiridas na infância, principalmente no relacionamento com os pais. – “Há pessoas que cozinham da mesma maneira que sua mãe cozinhava, frequentam o mesmo templo, adotam as mesmas diversões e, às vezes, até moram na mesma casa. Para elas, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço para a mudança, a inovação. Não há espaço sequer para a imaginação” – afirma Rosner.
Para romper esse ciclo, é necessário e imprescindível desenvolver o autoconhecimento. Para isso, o melhor caminho é a terapia.
A psicanálise defende o resgate de memórias da infância como ponto de partida para superar a repetição de comportamentos familiares. Isso acontece porque, as pessoas desenvolvem, desde pequenas, a percepção que a única forma de serem amadas e aceitas é serem iguais a seus pais. Daí porque valorizam tanto as crenças deles – precisam sentir-se consideradas e acolhidas. Ou seja, elas serão aceitas pelo que seus pais querem que sejam e não pelo que realmente são . 
Essa repetição de comportamentos dos pais para ter seu amor, é o que a psicanalise define como “identificação arcaica”. É um comportamento ruim na infância e se torna pior ainda, quando na fase adulta procura cumprir o que era pedido pelos pais, sem escutar suas próprias preferências, atender suas reais potencialidades ou sequer olhar para o ambiente atual e constatar que essas exigências são descabidas

Como saber se estou me autossabotando?

O autoconhecimento é o primeiro passo para romper o ciclo de autossabotagem.
Se você repete os mesmos erros sempre e culpa mundo pelos seus problemas, vive se fazendo de vítima, muda de emprego constantemente e a culpa é dos chefes. Se sempre se envolve num relacionamento tóxico, mesmo que a pessoa anterior te tenha feito sofrer;
Se a possibilidade de as coisas darem certo te faz sofre, ou seja: você subestima o próprio talento e não se considera capaz de assumir determinadas tarefas; Não se acha merecedor de suas próprias conquistas;
Se você não consegue ser feliz e desfrutar dos resultados positivos. Pensa: “Emagreci, agora vou engordar”, “fui contratado(a), mas posso ser demitido(a) a qualquer momento”, etc.
Pensa sempre que algo de ruim está para acontecer e que a felicidade plena é impossível; Se compra um carro novo, pensa que vai ser roubado ou bater antes de fazer o seguro, procure, urgentemente ajuda profissional. Você está se autossabotando o tempo todo.

Osésa R.Oliveira
Psicanalista Clínico
Contato: 044-997601317.

terça-feira, 26 de junho de 2018

HOMENS NO ALTAR TRATANDO VIDAS QUANDO NUNCA FORAM TRATADOS









Disse-lhes Jesus: Sem dúvida citar-me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; Lc.4.23.




“MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO”



"Procura dentro de ti a origem de teus males, e lá encontrarás também a cura".

Anos atrás precisei fazer uma cirurgia. Chegando ao hospital, enquanto me preparava para a cirurgia, o cirurgião percebeu que eu estava tranquilo e perguntou porque eu estava tão calmo. Respondi com as palavras de Paulo: viver é Cristo, morrer é lucro (Fl.1.21). Então me disse: você é muito corajoso! Tenho que fazer a mesma cirurgia há anos, mas ainda não tive coragem.
Ele sabia que precisava se tratar; estava cuidando de outras pessoas, tratando as feridas de outros, enquanto sofria do mesmo mal que tratava em seus pacientes, mas tinha medo de ser tratado. 
Perguntei porque não se submetia logo àquele procedimento cirúrgico. Ele respondeu: Não confio em outro profissional. Eu sei que sou bom naquilo que faço, mas será que o cirurgião que irá me operar não cometerá algum erro?
Esse médico, ao me atender, disse que eu necessitava operar urgente. No dia seguinte eu já estava entrando no hospital para a cirurgia. Ele sofria o mesmo mal há anos e não confiava em outro profissional.

"A prevenção e a cura acontece quando localizamos o erro dentro de nós mesmos".


A exemplo desse médico, vejo muitos pastores morrendo, enfermos da alma, tentando salvar outros. Falam da urgência dos cristãos em cuidar da alma enquanto a sua está sucumbindo em chagas.
Do mesmo modo, sentem se capazes de sarar pessoas, mas não permitem serem tratados  por achar que ninguém é tão bom quanto eles.
Eu sei o que estou falando. Sempre fui reservado em abrir minha vida como pastor a outros pastores, fossem do mesmo ministério ou de outro. Vi minha alma gritar desesperada até que decidi buscar ajuda antes que fosse tarde.
A questão é que, a maioria dos pastores nunca foram tratados na alma. Em geral, são pessoas que se destacam em suas igrejas, são bons oradores, sentem-se chamados por Deus e formam-se em teologia. SÃO TEÓLOGOS, não pastores. É preciso fazer essa diferença. Outros, totalmente leigos, são ungidos ao pastorado por sua dinâmica, desenvoltura e oratória. 
Em ambos os casos, são atirados ao ministério, mas nunca tiveram um tratamento psicoemocional de seus traumas, de seus históricos familiares, da identificação arcaica, dos relacionamentos frustrados e etc. Estão sendo bem orientados espiritualmente, mas não tratados no caráter – na personalidade forjada em uma família desestruturada.  Sem referenciais familiares. Não estou generalizando, mas apontando o que acontece com a maioria.
Então temos os deprimidos, inseguros, dominadores, os que sofrem da síndrome do imperador, dos megalomaníacos, dos narcisistas e psicopatas que já sucumbiram numa vida de pecados ocultos e estão na fase da negação.
O Senhor Jesus ensinou que a essência da vida é cuidar daqueles que estão doentes. Não somente do ponto de vista físico e espiritual, mas também os doentes emocionais.
Somos todos “doentes” de uma certa forma, e precisamos de cura. A cura deve alcançar a totalidade do ser humano: cura física, mental, psíquica e emocional.
É fundamental entender que as doenças surgem do desequilíbrio no corpo, na mente e no espírito humano. 
Estudos científicos comprovam que 80% das doenças são psicossomáticas – Expressão do latim: Psico vem de mente e soma vem de corpo.
Outra definição é a chamada doença pneuma-psicossomática, acrescentando pneuma, palavra grega que quer dizer “alma”, “espírito vital”. 
Assim, as doenças não são únicas e exclusivamente corporal, mas muitas são “doenças da alma” - doenças psíquicas. 
Á partir dessa compreensão, o que estamos presenciando, seja pela onda de pastores que estão abandonando o ministério, adultérios, divórcios, suicídios e desviando do evangelho, são as consequências de se ordenar ao ministério, homens que nunca foram tratados em seus traumas, caráter e vivências familiares.
Então, a parábola citada por Jesus fica mais clara: Médico, cura-te a ti mesmo. Se você não consegue curar a si mesmo, busque ajuda antes que seja tarde demais.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa
044-997601317.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EXPLICANDO O DÉJÀ VU NA TEORIA FREUDIANA





VOCÊ JÁ TEVE A SENSAÇÃO QUE JÁ ESTEVE NUM LUGAR, SEM JAMAIS TER IDO ALI, OU QUE CONHECE ALGUÉM, MAS QUE NUNCA A VIU ANTES? 



Esse fenômeno é denominado DÉJÀ VU: um termo da língua francesa, que significa “já visto”. Forma de ilusão da memória que leva o indivíduo a crer já ter visto alguma coisa ou situação de fato desconhecida ou nova para si. 

É uma sensação que surge ocasionalmente, ocorre quando fazemos, dissemos ou vemos algo que dá a sensação de já ter feito ou visto antes, porém isso nunca ocorre. O déjà vu aparece como um “replay” de alguma cena, onde a pessoa tem certeza que já passou por aquele momento, mas realmente isso nunca ocorreu. 

A teoria freudiana explicar o déjà vu como um fenômeno que tem a ver com fantasias do passado ou desejos inconscientes: “Dito em termos sucintos, a sensação do “déjà vu” corresponde à recordação de uma fantasia inconsciente” (FREUD, p. 267). 

O Déjà vu como um sonho anterior 

A segunda explicação consiste em que o Déjà vu é, na verdade, o já sonhado, ou seja, diferentemente da explicação anterior, em que o Déjà vu é uma fantasia diurna. Entretanto, a origem – de dia ou de noite – não implica em uma diferença significativa, pois o conteúdo é inconsciente em ambos os casos. 

O Dr. Ferenczi é citado por Freud: “Num de meus pacientes aconteceu algo aparentemente diferente, mas, na realidade, inteiramente análogo. Esse sentimento retornava nele com muita frequência, mas mostrava regularmente ter-se originado de um fragmento esquecido (recalcado) de um sonho da noite anterior. Portanto, parece que o déjà vu não só pode derivar-se dos sonhos diurnos, como também dos sonhos noturnos.” (FREUD, p. 269). 

Conclusão 

A explicação da psicanálise sobre o Déjà Vu é de que o conteúdo que é sentido pela consciência é um conteúdo inconsciente que, em outro momento, passou pela consciência em um sonho ou em uma fantasia diurna. Devido ao recalcamento, o conteúdo não está mais disponível à consciência, exceto quando acontece.

domingo, 27 de maio de 2018

DESISTÊNCIA DA PSICOTERAPIA




"E, por fim, de que nos adianta uma vida longa se ela é penosa, pobre em alegrias e tão cheia de sofrimento que só podemos dar as boas-vindas à morte, saudando-a como libertadora?"
Sigmund Freud



Recentemente participei de um encontro com Psicanalistas de diversas cidades do Brasil e dedicamos tempo em analisar a razão de grande parte dos pacientes abandonaram a terapia sem concluir um programa predefinido. Alguns fatores ficaram claros na discussão e quero apontar alguns deles.

Primeiro - é considerado abandono quando o paciente, por decisão pessoal, sem o conhecimento do terapeuta, tendo comparecido a pelo menos uma sessão, interrompe o tratamento, independente do motivo. Abandono significa o encerramento prematuro do tratamento, no qual o terapeuta tem um programa terapêutico com um número predefinido de sessões e é surpreendido pela deserção do paciente.

Segundo - o abandono em psicoterapia refere-se àquelas situações de interrupção do tratamento sem que haja indicação do terapeuta para tal. Isso significa que não cumprir um número determinado de sessões, classifica o paciente como “abandonante”, interrupção que pode ocorrer, inclusive, "pela própria percepção de melhora por parte do paciente".
Nesse caso, o paciente não tem a percepção que o abandono ou interrupção do processo terapêutico, é uma situação que acarretará implicações sérias nas trajetórias de sua saúde mental.

Terceiro - foi detectado que o abandono precoce do tratamento, dificultou o desenvolvimento da relação paciente/terapeuta.

Quarto - Muitos pacientes que não retornaram para o atendimento em saúde mental ou abandonaram prematuramente a psicoterapia, acabaram solicitando retorno de atendimento, necessitando reiniciar o processo diagnóstico. No geral, o processo de retorno resulta no agravamento dos casos, na insatisfação profissional e em maior gasto econômico.

Quinto – identificou-se que na maioria dos casos, o nível socioeconômico foi fator frequente de abandono psicoterápico.

Sexto – outro fator apontado foi o nível educacional. Pacientes com baixo nível de formação educacional, não conseguiram se aprofundar nos procedimentos terapêuticos ou deram pouca importância ao tratamento.

Sétimo – foi perceptível que algumas características de personalidade tais como: baixa motivação, agressividade, isolamento social e traços psicopáticos, foram associadas como maiores fatores do abandono terapêutico

Oitavo - Detectou-se também que os transtornos de personalidade borderline aparecem como um dos fatores que contribuíram com maior frequência para a interrupção do tratamento psicoterapêutico, em função das características transferenciais de hostilidade e dificuldade de vinculação.

Nono – considerou-se também que, nos casos de depressão, os abandonos terapêuticos são mais frequentes e os fatores associados ainda são pouco explorados em relação a estas interrupções precoces.

Décimo – Outro fator apontado foi o índice elevado de pacientes que referiram a dificuldade financeira como responsável pelo abandono do procedimento psicoterapêutico.

Décimo primeiro – a necessidade de resultados imediato foi ponderando como fator agravante. Muitos pacientes, apesar de serem alertados que a medicação ataca os sintomas sem tratar a causa, optam por tratamento medicamentoso por deduzirem que o alívio é mais rápido. Ignoram o custo mais elevado e demorado no caso de medicação. Muitos usam medicamentos por anos, sendo substituídos ou aumentada a dosagem. A maioria tornam-se dependentes da medicação ao invés de tratados por ela.

No procedimento psicoterapêutico, existem três categorias de pacientes:


1 - Os que fazem tratamento à base de medicação;

2 – Os que são tratados apenas com procedimento psicoterapêutico;

3 – Os que fazem associação medicamentosa e psicoterapêutica;

Foi unânime a percepção que, os pacientes que apresentavam quadros depressivos, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e transtornos bipolar apresentaram maior permanência no procedimento terapêutico - os que fazem associação medicamentosa com a psicoterápica. Também foram os que apresentaram maior resultado de cura no tratamento dos quadros depressivos orgânicos e psicoemocionais.
Os pacientes que desistiram do tratamento psicoterápico, apresentaram longos anos de uso de medicamentos sem diminuição dos quadros depressivos por transtornos de ansiedade.

No caso dos pacientes que foram questionados pelos psicanalistas sobre o abandono do tratamento, "alegaram um sentimento de melhora", julgando não achar mais necessário continuar a psicoterapia e, em sua maioria, não expressaram desejo de retornar ao tratamento.

Conclusão:

Os psicanalistas participantes do debate, perceberam que a decisão de interromper o tratamento tem motivação diversificada e complexa. No caso dos pacientes que abandonaram a terapia, por considerarem-se melhores em seus quadros, não tiveram a aprovação de seus terapeutas.

Psicanalistas que atenderam pacientes que decidiram retornar à terapia, relataram que esses pacientes apresentavam quadros agudos. Os sintomas reclamados anteriormente, haviam potencializado e somatizado.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa.

terça-feira, 17 de abril de 2018

FILHOS DE PASTORES, Os canários da mina de carvão




Contudo, se alguém não cuida dos seus, especialmente dos de sua própria família, este tem negado a fé e se tornou pior que um descrente. 1Tm.5.8.




Esta semana recebi a ligação do filho de um pastor, em aflição na alma. Uma frase dita por ele, jamais esquecerei: “nunca mais porei os pés numa igreja”. Parece absurdo, mas essa é a realidade de uma grande maioria de filhos pastores.
Algumas igrejas sobrecarregam seus pastores, levando-os para longe de suas famílias, criando raiva e ressentimento nos filhos em relação à igreja.


OS FILHOS DE PASTORES QUE SE AFASTAM DA FÉ NÃO PODEM SER JULGADOS E CONDENADOS. MUITAS VEZES OS QUE JULGAM SÃO OS RESPONSÁVEIS PELO AFASTAMENTO.

Os filhos dos pastores estão numa posição privilegiada para ver a realidade por trás da fachada brilhante, e a proximidade com o próprio pastor lhes dá um lugar na primeira fila tanto para conflitos quanto para hipocrisia. Pior de tudo, os filhos dos pastores geralmente veem seus pais sendo feridos e frustrados pelos membros da igreja, pela liderança local e pelos líderes da estrutura denominacional. Tudo isso contribui para gerar frustração e decepção sobre igreja e Deus na formação do caráter dessas crianças, fazendo com que eles se afastem, muitas vezes com raiva, de uma fé que oferece graça e perdão.
Não se pode generalizar, nem todas as igrejas são abusivas. No entanto, todas lidam com esse tipo de conflito. Mesmo as igrejas que procuram tratar essa questão da maneira mais bíblica possível, ainda assim muitos filhos de pastores tendem a deixar a fé.
Não é sensato que tentemos julgar o estado eterno de uma pessoa com base em comportamento temporário. Quando uma pessoa deixa a fé, pode ser simplesmente uma fase, ou uma parte necessária de sua jornada em direção a Deus.  Até que uma pessoa morra rejeitando a Cristo, podemos sempre esperar que ela retorne a Ele (1 Coríntios 13: 7). No entanto, isso não explica a alta porcentagem de filhos de pastores que optam por se afastarem da fé.

OS FILHOS DOS PASTORES NÃO DEVEM VIVER OS PROBLEMAS DA IGREJA

Apesar desses conflitos, o pastor deve ter equilíbrio para preservar o psicoemocional dos filhos em relação a igreja e a Deus. Muitos homens na bíblia, colocaram o ministério como mais importante que a família. O que dizer de Samuel? onde ele estava quando seus filhos perderam o rumo? Entretanto, os filhos de Samuel não seguiram o seu exemplo. Ao contrário, deixaram-se seduzir e orientar-se pela ganância, aceitaram suborno e perverteram a lei e o direito. (ISm.8.3).
Este é o mesmo Samuel que a bíblia afirma: “...e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra.” 1 Sm.3:19. A dedicação ao chamado de Deus não significa descuido dos filhos e nem que Deus vai impedir que eles se frustrem ou caiam.
O pastor deve resguardar que seus filhos sejam literalmente criados NA e PELA igreja. A realidade é que eles estão imersos na atmosfera da igreja de uma forma que outras crianças cristãs não estão. Eles vivenciam de perto e pessoalmente todos os problemas da igreja: as partes que funcionam e as partes que não funcionam.

O FILHOS DE PASTORES NÃO SÃO MODELOS PARA IGREJA

Outra pressão que os filhos de pastores vivem e que as crianças cristãs "comuns e normais" não experimentam é conhecer e entender a Deus e a igreja. Os filhos dos membros da igreja não precisam se identificar com Deus e com a igreja. Eles podem se dar ao luxo de ter uma postura mais distanciada em relação a isso. Não é assim com os filhos do pastor. Eles precisam conhecê-lo intimamente. É possível que, quando confrontados com um sistema inerentemente defeituoso ou contraditório, os filhos dos pregadores, em seu sincero e profundo desejo de compreender, tenham uma resposta natural de frustração e dúvida. Isso, por sua vez, talvez seja recebido com medo pelos pais, que entendem mal a frustração e a dúvida do filho como uma rejeição a Deus e a si mesmos, resultando em um ciclo vicioso que termina quando o(s) filho(s) finalmente rejeita a fé.
Numa manhã de domingo, eu assistia a aula da escola dominical dos adolescentes quando o professor fez uma pergunta. Não havendo quem respondesse, alguns alunos pressionaram meus filhos alegando que, por serem filhos do pastor, tinham a obrigação de saber. Levantei-me e rebati aquele pensamento entre os adolescentes da igreja, não permitindo que meus filhos fossem tratados como obrigados a serem melhores que os demais. Meu pensamento foi proteger meus filhos dessa ideia que deveriam ser melhores, mais conhecedores e mais santos, sendo padrão para os demais.
Os filhos de pastores devem ser criados como qualquer outro ser humano, para que, seja em seus acertos ou erros, venham conhecer a Deus por suas próprias experiências, não por imposição, repressão e, principalmente, por censura.

OS FILHOS DOS PASTORES NÃO SÃO O REFERENCIAL DA REPUTAÇÃO E SUCESSO DO PAI.

O legalismo também desempenha um papel importante para os filhos dos pastores se afastarem da fé. Muitos filhos de pastores sentem grande pressão para serem bons cristãos, como forma de proteger a reputação de seu pai e como forma de agradá-lo. Esta é uma receita para o desastre, se os filhos não forem capazes de entender a verdade do evangelho - que nenhum de nós pode ser perfeito. Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. (Rm.3:10) e que todos são salvos não por suas boas ações, mas pelas de Cristo: Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm.8: 1-4). 
Infelizmente, muitas igrejas evangélicas hoje são caracterizadas por esse dilema: as pessoas têm uma compreensão muito boa do que é exigido espiritual e socialmente, mas uma má compreensão do evangelho. Este é o resultado natural de um sistema que coloca muita ênfase no desempenho, serviço, moralidade, doações, missões e responsabilidade social, e não ênfase suficiente na dependência, incapacidade, humildade e submissão ao Espírito. 
É muito possível que os filhos dos pastores sejam os proverbiais "canários da mina de carvão" nos dizendo que é hora de reexaminarmos o modo como fazemos a igreja, as mensagens que as congregações estão recebendo da liderança e a forma como apresentamos o evangelho.
Canários da mina de Carvão - a expressão deriva da prática antiga e comum de levar canários para minas de carvão, caso estivesse presente um gás venenoso, como metano ou monóxido de carbono em excesso, o canário morreria antes de este afetar os mineiros, servindo assim como um aviso avançado da presença de um perigo iminente.
Enquanto o canário em uma mina de carvão continuar cantando, os mineiros estarão seguros. Um canário morto em uma mina de carvão sinaliza uma evacuação imediata.

ALERTA:

Querido colega de ministério, não deixe que seus filhos sejam os canários das minas de carvão, sendo o sinal de alerta das toxinas espirituais, para a igreja. Não jogue seus filhos a morte para salvar seu ministério e muito menos outras pessoas. Esse sacrifício Jesus já fez.
Como psicoterapeuta, tenho acompanhado filhos de pastores, feridos, envolvidos em homossexualismo, relações promíscuas, drogas e todos os tipos de desvios de conduta moral e espiritual, sem mesmo que seus pais saibam. E não sabem porque não querem saber, estão ocupados demais com a igreja para perceber o desespero da alma de seus filhos.
Não despreze os sinais que eles estão dando de que necessitam de sua atenção. Quando os canários das minas param de cantar, é porque já morreram.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Pastor e Psicanalista Clínico
044-997601317.


terça-feira, 20 de março de 2018

A DEPRESSÃO, O SUICÍDIO E O TRATAMENTO PREVENTIVO


A Depressão e o Suicídio

É notório em todos os estados do Brasil que os dados sobre suicídio em 2018, já extrapolaram todas as pesquisas de anos anteriores.
Sem uma explicação clara para esse fenômeno, os órgãos governamentais tateiam às cegas com diversas suposições, mas sem uma resposta concreta sobre a verdadeira causa do aumenta acentuado dos casos de suicídio. Também não sabem o que fazer para conter essa onda descontrolada de pessoas que dão cabo à própria vida, como forma de aliviar o sofrimento de diversas situações que vão de patologias psicoemocionais a fatores que não estão diretamente à saúde mental.
Um dado é certo: A maior causa de suicídio está relacionada à Depressão. Por ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registradas cerca de um milhão de mortes por suicídio no mundo. No Brasil são cerca de doze mil casos.
Outro fator de risco são pessoas que já tentaram suicídio. Esses casos devem ser acompanhados com maior atenção e tratados por meio de terapia, para evitar reincidências.

A Depressão
Tristeza, angustia, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração do sono e apetite, persistência de pensamentos negativos são alguns dos sintomas de pessoas com depressão, devendo ser tratado da forma correta, a fim de evitar que atinja um quadro agudo, culminando no suicídio.
Em alguns casos, os sinais da depressão se apresentam na infância e vão evoluindo na adolescência e juventude, tornando-se mais intensos na faze adulta. Nesses casos, a atenção da família é fundamental, devendo buscar ajuda o mais cedo possível.

Os tratamentos: Medicação, Terapia e Espiritualidade.
Medicação – O acompanhamento psiquiátrico é o primeiro passo no tratamento da depressão, visando baixar os sintomas. É imprescindível evitar que o tratamento seja interrompido.
Apesar de ser a medicação o meio mais rápido de reduzir os sintomas, deve-se ter o cuidado de que o paciente não se torne dependente da medicação. 

Estudos recentes tem mostrado que medicamentos psiquiátricos, mais especificamente as benzodiazepinas, podem matar mais que cocaína, heroína e anfetaminas.
As benzodiazepinas são classificadas como tranquilizantes e são usadas no tratamento da ansiedade, dos distúrbios do sono, das convulsões e outras condições. Elas incluem drogas que são comumente prescritas como Valium, Xanax e Lorazepam.
Esse estudo foi realizado pela Universidade da Colúmbia Britânica de Vancouver, no Canadá e publicado em maio de 2017, no periódico American Journal of Public Health, mostrando que o consumo excessivo desses fármacos causa maior risco de mortalidade do que outras substâncias tradicionais usadas pela população.
A pesquisa foi realizada com 2.802 voluntários usuários de benzodiazepinas durante cinco anos e meio. No final do estudo, 18,8% dos participantes morreram.
A necessidade de reduzir os sintomas de forma rápida, tem levado pessoas com quadro depressivo tornarem-se dependente desses fármacos, sem avaliar o grau de males que podem causar, alerta o cientista Keith Ahamad, em entrevista ao jornal Vancouver Sun: “O interessante sobre isso é que é uma droga prescrita e as pessoas pensam que estão seguras. Mas, provavelmente, estamos prescrevendo essas drogas de uma maneira que está causando danos. Não há muita evidência científica para dizer que essas pessoas devem usar esses medicamentos de forma crônica”.

Terapia – A depressão não tem como causa apenas um desequilíbrio químico no cérebro, e não é curada com o simples uso de medicamentos, o processo terapêutico deve fazer parte do tratamento.
Como Psicanalista, vejo a importância da medicação, desde que associada a um processo terapêutico, haja vista que a terapia busca desvendar as causas da depressão, no que tange às patologias psicoemocionais. Nesses casos, apenas o uso da medicação, prolongará o tratamento, sem os resultados que poderiam ser alcançados em curto prazo e de forma mais eficiente, uma vez que a depressão não tem uma causa única, mas é resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
A melhor forma de tratar a depressão é identificar os fatores específicos, causadores da depressão.
Fator Genético – Está relacionado a um histórico familiar de depressão, podendo aumentar o risco. Nesse caso, a depressão é passada para a geração seguinte geneticamente, não sendo conhecida a forma como isto acontece.
Desequilíbrios químicos do cérebro - A depressão é causada por um desequilíbrio nos neurotransmissores que estão envolvidos na regulação do humor. Os neurotransmissores são substâncias químicas que ajudam as diferentes áreas do cérebro a comunicarem uns com os outros. Quando certos neurotransmissores são escassos, pode levar a sintomas que reconhecemos como depressão.
Dor e perda - Embora o luto seja uma resposta normal à morte e à perda, o stress extremo associado à tristeza pode desencadear um episódio de depressão.
Solidão - Sentir a falta ou o apoio da família e amigos pode aumentar o risco de depressão.
Personalidade - Você pode ser mais vulnerável à depressão se você tiver certos traços de personalidade, como baixa autoestima ou ser excessivamente autocrítico. Isto pode ser devido aos genes que você herdou de seus pais, ou por causa de sua personalidade ou experiências de vida.
Traumas ou abuso no passado - Abuso físico, ou emocional pode causar depressão na vida adulta.
Desemprego e Tensão financeira - Aqueles que estão involuntariamente desempregados e, consequentemente com problemas financeiros, têm mais probabilidade de ser deprimidos do que aqueles que estão empregados.
Doenças - O stress de ter uma doença de longa data ou com risco de vida pode causar depressão.
Problemas conjugais ou relacionamentos - O fim de uma relação como o namoro ou divorcio, pode ser uma causa de depressão.
Depressão pós-parto - Algumas mulheres são particularmente vulneráveis à depressão após a gravidez. As mudanças hormonais e físicas, bem como a responsabilidade adicional de uma nova vida, podem levar à depressão pós-parto.
Medicamentos - Alguns medicamentos podem ter como efeitos secundários causar ou potencializando a depressão.
Má alimentação - A falta de certas vitaminas e minerais pode causar sintomas de depressão. Dietas baixas em ômega-3 ou ômega-6 são associados com aumento das taxas de depressão. Alto teor de açúcar também tem sido associado à depressão.
Abuso de substâncias: Drogas e Álcool - Quase 30% das pessoas com problemas de abuso de substâncias também têm depressão.
Estações do ano - O inverno pode ser uma possível causa de depressão. À medida que as horas de luz do dia ficam mais curtas no inverno, muitas pessoas desenvolvem sentimentos de letargia, cansaço, e uma perda de interesse em tarefas diárias. Chamada de depressão sazonal, esta condição geralmente desaparece quando os dias ficam mais longos. O seu médico pode prescrever medicamentos e / ou uma caixa de luz para ajudar a tratar a depressão sazonal.

Espiritualidade – Apesar de determinados campos de psicoterapia terem abolido Deus e a religião do processo terapêutico, recentemente a Associação Mundial de Psiquiatria divulgou um documento em que afirma que religião e a espiritualidade têm impacto relevante no tratamento e na prevenção de doenças mentais.
Para chegar a esta conclusão, a Associação analisou mais de 3.000 estudos sobre a relação entre espiritualidade e saúde mental. Os resultados indicam que a qualidade de vida e a sociabilidade melhoram com a prática espiritual e religiosa, combatendo o estresse causado por perdas, a depressão e a tendência suicida, além de ajudar na recuperação de pessoas que tentaram o suicídio.
Há dois anos, a publicação de outra pesquisa ajudou a ciência a entender um pouco melhor a influência espiritual na espessura do córtex, que é a membrana que reveste o cérebro: quando o córtex é mais fino, maiores são chances de se desenvolver a depressão; e quanto mais se nutre a religiosidade e a espiritualidade, mais espesso tende a ser o córtex, diminuindo, por conseguinte, o risco de depressão. A pesquisa foi feita na Universidade Columbia, dos Estados Unidos, e publicada no periódico JAMA Psychiatry.

Estudos anteriores já tinham indicado que, nas pessoas com histórico familiar de depressão, a espiritualidade reduz em até 90% o risco de desenvolver o transtorno. Os autores da pesquisa publicada em 2013 focaram em estudar de que forma a religiosidade se relaciona com a redução da depressão.
Durante cinco anos, eles analisaram 103 pessoas de 18 a 54 anos, das quais uma parte tinha predisposição genética para a depressão. Foi avaliada, nos 103 voluntários, a importância da religião e a frequência a templos e igrejas, além de serem feitos exames de ressonância magnética para verificar a anatomia cerebral. Os pesquisadores observaram que os participantes que davam mais importância a questões espirituais possuíam um córtex mais espesso em algumas áreas do cérebro. A associação entre religiosidade e espessura do córtex foi confirmada em todos os participantes, mas foi mais forte entre aqueles que tinham histórico de depressão na família.
Está cloro que, dia a dia a ciência vem contribuindo para firmar as verdades bíblicas, mas também tem se rendido a elas, reconhecendo os benefícios que fé e a relação com Deus podem causar na saúde do ser humano. Isso ficou comprovado em pesquisas feitas com vários médicos nos principais hospitais e universidades em todo os EUA, mostraram conclusivamente que a crença em Deus é realmente boa para uma pessoa, fazendo-a mais saudável e feliz, e também contribui para uma vida mais longa.
O estudo concluiu ainda que, os benefícios da prática religiosa devota, particularmente o envolvimento em uma comunidade de fé e compromisso religioso, são de que as pessoas lidam melhor, em geral, com o estresse. Elas experimentam um bem-estar maior, porque têm mais esperança, e estão mais otimistas, experimentam menos depressão, menos ansiedade, e cometem menos suicídio.
Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico.
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Trazer a memória só o que trás esperança é um perigo emocional

Quero trazer a memória aquilo que me trás esperança. Lm.3.21.


Esse versículo bíblico tem sido usado por muitos como uma mensagem motivacional, no entanto, está mais para reprimir as memórias de dores do que motivar. Numa linguagem mais terapêutica, trata-se de repressão.

O que é repressão: você já ouviu a frase: “relembrar é sofrer duas vezes”.

A repressão é um mecanismo mental inconsciente (mecanismo de defesa), pelo qual as ideias ou impulsos indesejáveis e inaceitáveis para a consciência, são reprimidos por ela e impedidos de entrar no estado consciente. Este material indesejável não está, geralmente, sujeito a recordação voluntária consciente.

A ansiedade é a força que leva à repressão e é sentida se houver perigo de o material se tornar consciente. Exemplo: 
• Uma criança que é abusada por um dos pais e, mais tarde, não tem lembrança dos acontecimentos, mas tem problemas para formar relacionamentos.
• A mulher que teve parto particularmente doloroso continua a ter filhos (e cada vez o nível de dor é surpreendente).
• Um homem tem fobia de aranhas, mas não se lembra da primeira vez que ele teve medo delas.

Doenças psicossomáticas também podem estar relacionadas com a repressão:
• Dores na cabeça
• Asma
• Artrite
• Úlcera
• Cansaço excessivo
• Fobias 
• Impotência Sexual
• Frigidez etc.
Todos esses males podem derivar de sentimentos reprimidos. A repressão é o melhor mecanismo de defesa, especialmente contra as exigências dos impulsos sexuais.

Se notarmos os versículos anteriores, o autor faz uma relação de situações que deixam claro a pretensão de reprimir as memórias passadas:
• Aflição
• Andar em trevas.
• Envelhecer a minha carne e a minha pele.
• Despedaçou os meus ossos.
• Veneno e de dor.
• Habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.
• Prisões com grilhões de bronze.
• Clamo e grito, ele não ouve.
• Tortuosas as minhas veredas.
• Me fez em pedaços; deixou-me assolado.
• Fui feito objeto de escárnio.
• Fartou-me de amarguras.
• Afastou a paz de minha alma.
• Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no SENHOR.
• Lembra-te da minha aflição e do meu pranto.
• Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim.

A essência da repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo a distância no inconsciente. Entretanto, o material reprimido continua a fazer parte da psique, apesar de inconsciente, continua a causar problemas. A repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido.

 A repressão não é o único mecanismo de defesa que pode levar a pessoa a querer esquecer determinados acontecimentos passados. Outro mecanismo é a Negação - tira da percepção os aspectos perigosos que machucam, procura negar fatos que perturbam. Exemplo: a lembrança incorreta de um fato desagradável acontecido muito tempo atrás. Certas pessoas chegam a não lembrar nem mesmo de que houve o fato.

Racionalização - são as premissas lógicas que ajudam a afastar da nossa vivência afetiva, certos fatos que nos causam dor ou sofrimento. São os motivos lógicos e racionais que encontramos para afastar pensamentos e lembranças, disfarçando os verdadeiros motivos que nos incomodam.

Isolamento: isolamos desejos permanentes, pensamentos, atitudes, comportamentos, para não sofrer.

Então, quando quisermos trazer a memória apenas as coisas que nos dão esperança, tenhamos a certeza que a intenção por trás desse frase não seja uma forma de fugir daquilo que não queremos confrontar ou tratar.

Um dos grandes medos das pessoas que fogem de terapia é, exatamente, o confronto de memórias reprimidas.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa