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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Adultério, um gatilho de autodestruição.

Quando o relacionamento se torna uma dependência e obsessão


Todo indivíduo, seja homem ou mulher, que se envolve numa relação extraconjugal, ativou um gatilho de autodestruição que inicia uma contagem regressiva ao caos.
Um dos grandes problemas levados ao consultório está relacionado a questões conjugais, principalmente o adultério.
Quando um dos cônjuges se envolve numa relação extraconjugal, está buscando suprir alguma carência afetiva não preenchida pelo parceiro. Algum vazio emocional que desencadeia uma série de atitudes destrutivas e inconsequentes, totalmente imperceptível, tamanha a necessidade de resposta à carência.
Essa nova relação nasce entre pessoas próximas, de convivência familiar, na escola ou no trabalho. Tem início pela oportunidade de desabafar – onde ambos expõem problemas e carências. Nessas conversas há uma identificação dos problemas, ambos encontram alguém que ouve, o que, em geral, não acontece na vida conjugal e está pronto o cenário para o envolvimento extraconjugal.
Num segundo momento, esse relacionamento se torna uma dependência e obsessão - Isto porque o indivíduo obcecado não consegue avaliar os seus comportamentos e a própria realidade. A necessidade de ver, falar e estar junto coloca em risco toda uma vida familiar e conquistas que levaram anos de construção. Uma pessoa envolvida nesse tipo de relacionamento não tem percepção do quanto está se autossabotando, vivendo por um fio, um deslize para que tudo desabe.   
Quando atendo esses casos, em geral o cônjuge que está envolvido numa relação extraconjugal, apesar de estar se sentido “bem” nessa relação, em seu interior há um conflito sobre a necessidade de sair da situação, mas não consegue se desprender da outra pessoa.
A psicanálise tem a atenção voltada para as razões inconscientes que levaram a essa situação e, via de regra, há um histórico passado que está se repetido. No entanto, encontramos na bíblia uma resposta que pode ser agregada ao tratamento, conhecida como Ligação de Alma - Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. O que a bíblia está propondo é que, no ato da conjunção carnal, há uma ligação de alma “se faz um com ela”. Essa Ligação de Alma é uma prisão onde a alma estabelece uma aliança com outra pessoa. É uma relação que, na maioria das vezes, ocorre fora dos princípios bíblicos. Um laço constituído na vida de uma pessoa através de relações sexuais ilícitas - incesto, fornicação, pedofilia, adultério, prostituição, lascívia, sensualismo, abuso e molestação sexual, etc.
Paulo propõe que qualquer relação sexual entre pessoas, criam uma ligação semelhante a do casamento - “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.” Gn 2:24. O Casamento é uma ligação de alma entre duas pessoas, que transpõe a dimensão física - sexo, entrando no campo espiritual e na alma - "se tornarão um só espírito e uma só alma". Esse fenômeno acontece no ato sexual, na união entre dois corpos, estabelecendo a aliança do casamento e gerando implicações no reino espiritual. O ato sexual no casamento é um ato abençoado, mas se é uma relação pré-conjugal ou extraconjugal, formou-se uma aliança entre as almas. Quanto mais parceiros sexuais, mais ligações de almas.
Na Ligação de Almas, a pessoa não se liga apenas com o seu parceiro atual, mas com antigos parceiros sexuais - não se trata de “fusão de almas”, mas sim de ligações, de amarras que mantêm pessoas presas umas nas outras. Quando ocorre um ato sexual fora do casamento, a pessoa está ligando a sua alma com alguém que não foi estabelecida nos padrões bíblicos. Tudo isto num contexto espiritual, e não místico. Daí porque a pessoa não esquece a outra. Sempre que se encontram, há um desequilíbrio emocional momentâneo.
Mesmo nos casos de incesto, abuso e moléstia sexual, o trauma fica obscurecido na memória e a qualquer momento se manifestará. Uma pessoa que vivenciou essa experiência, virá a sofrer sério distúrbio emocional e psicológico quando tiver que se relacionar sexualmente, mesmo no casamento. Nesse caso é uma ligação traumática.

Faxina emocional

Um fator importante é o que chamo terapeuticamente de Faxina Emocional – Trata se de objetos que podem servir de ponto de contato para constituição de ligação da alma: Presentes de ou dos ex, presentes do(a) amante e tudo que te faz lembrar e desejar estar com essa pessoa, significa que ainda há ligação de alma.  Então é hora da faxina emocional, de se livrar e evitar tudo que mantem ligação de alma com essa pessoa.

Apesar de ouvir cristãos evangélicos dizerem ter passado por um processo espiritual de desligamento de alma, se é que passaram, a terapia tem a finalidade de tratar os resquícios emocionais que estão no inconsciente, que, a qualquer momento a pessoa se verá repetindo aquilo que já vivenciou antes. Nesse caso, não está tratando o espiritual, mas o emocional, aquilo que está no registro do histórico de vida, camuflado no inconsciente.
Sei que não é uma posição muito aceitável para o meio evangélico, mas depois de 35 anos de pastorado e hoje atuando na área psicoterapêutica, tenho pacientes que, apesar de terem as mais profundas experiências com Deus, estão destruídas emocionalmente com históricos passados e repetindo situações vivenciadas antes de conhecer a Cristo Jesus. Deus perdoa o pecado, mas as consequências são inevitáveis e deixam marcas psicológicas e emocionais que, reprimidas no inconsciente, mais cedo ou mais tarde vão se manifestar. É tudo uma questão de tempo e situação oportuna. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, CUIDE para que não caia”. I Co.10.12.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico

Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Repórter gay busca psicólogo para virar hétero "de novo"

Disposto a me submeter à reorientação sexual, marquei uma consulta com o psicólogo.

Busquei o caminho do autoconhecimento. Na época, meus pais me encaminharam a um psicanalista, que eu frequentei durante cinco anos, quatro vezes por semana.... Fonte: Blog do Paulo Sampaio.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Cristão e a Depressão

Você sabia que no Brasil estima-se que cerca de 10% da população sofre de depressão? Ou seja: uma a cada 10 pessoas - e que somente 4% dessas pessoas tem o diagnóstico e procuram tratamento?

Segundo a Organização mundial de Saúde – OMS, a depressão será a patologia que mais incapacitará indivíduos em todo o mundo até 2020.



A depressão é uma realidade na vida de muitos homens e mulheres de Deus. Apesar de não acreditarem que isso é possível, todos estamos sujeitos.


Não são poucos os personagens bíblicos que sofreram dessa patologia. A questão é que muitos desconhecem os sintomas, e não procuram o tratamento adequado; Quando procuram, a situação está agravada demais, necessitando de intervenção psiquiátrica a base de medicação.

Meu propósito em escrever este artigo, é alertar para uma doença que está sorrateiramente destruindo muitos ministérios de homens e mulheres chamados por Deus, e que têm negligenciado sua saúde emocional.



Sintomas mais comuns da depressão




A depressão, também chamada de “o mal do século” tem sido muito falada, ao ponto algumas pessoas confundirem tristeza com depressão, e são coisas diferentes. Tristeza é um sentimento momentâneo - uma reação a alguma situação desagradável que aconteceu. É normal você ficar triste quando acontece alguma coisa que não foi planejada, quando você perde o emprego, a separação de um casal ou quando acontece alguma coisa que você não desejou - depois da perda de um ente querido: uma reação que nós chamamos de luto ou de estresse. Pode ocorrer um sentimento de tristeza por até 6 meses Isso é perfeitamente normal.

Depressão é diferente. Depressão é uma doença que causa transtorno para vida da pessoa acometida. Você deve suspeitar de depressão quando essa tristeza se torna presente a maior parte do tempo e é desproporcional aos fatos ocorridos. Além disso, a depressão não é só tristeza, ela vem acompanhada de um conjunto de outros sintomas. 

Perda do ânimo - Também chamado de anedonia - é a perda da capacidade de sentir prazer, próprio dos estados gravemente depressivos. Esse sintoma, o indivíduo perde a vontade e o interesse de fazer as coisas que mais gostava. 

Alteração de peso – A depressão provoca uma grande alteração de peso, seja ganhando ou perdendo, sem ter se esforçado pra isso. A alteração de apetite tanto para mais ou para menos também é um sintoma é importante da depressão, fator provocador desse desajuste no peso. 

Distúrbio do sono – Consiste nas dificuldades relacionadas ao sono: muito sono ou insônia - que é a dificuldade de iniciar o sono, acordar várias vezes durante a noite ou acordar mais cedo que o normal.

Esquecimento e dificuldade na concentração – A depressão faz com que o pensamento fique mais lentificado. Nesse quadro, o indivíduo pode queixar-se de dificuldade de memória e de compreender coisas que antes tinha uma grande facilidade ou mesmo a dificuldade de executar tarefas simples. 

Cansaço constante – O Indivíduo se sente cansado o tempo todo, sem energia para fazer as suas atividades.

Perda da libido - também pode ocorrer uma diminuição da libido - o desejo sexual  fica diminuído.

Sentimento de culpa – O depressivo desenvolve elevado sentimento de culpa. Se sente culpado por tudo e as pessoas falam que está sempre olhando o lado negativo das coisas. Na depressão, sentimentos de culpa e pessimismo intenso são muito frequentes, como se o indivíduo enxergasse o mundo de uma forma distorcida, de uma forma negativa.

A depressão e o Suicídio


Pensamentos e desejos suicida - A depressão é uma das principais causas de suicídio. Sobre esse ponto, quero chamar atenção para dois aspectos muito importantes.

Primeiro – O uso de álcool e drogas é muito comum. O indivíduo deprimido busca drogas lícitas ou ilícitas para aliviar a sua angústia, mas, ao invés de aliviar, isso agrava o quadro e piora muito o risco de suicídio,

O segundo aspecto é um sinal de gravidade que chamamos de "sinal de alerta". Trata-se de pensamentos recorrentes em morte. É importante observar se a pessoa tem pensamentos de morrer o tempo todo, pensamento em exterminar a própria vida, em suicido como se essa fosse a única solução para seus problemas. Caso isso esteja ocorrendo, a pessoa deve procurar ajuda, para que tenha uma avaliação quanto à gravidade do quadro, e seja tomado uma atitude o mais rápido possível para esse problema.

Não subestime esse problema - No Brasil são 10 mil mortes por suicídio por ano e no mundo uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos. 

A depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida - na infância, na adolescência na maturidade ou na velhice, e muitas vezes ela acontece em decorrência a outra patologia, como por exemplo: infarto agudo do miocárdio, um acidente vascular cerebral, diabetes, etc. Quando diagnosticado e tratado logo no início, melhora muito a qualidade de vida da pessoa.

A Depressão é uma doença como qualquer outra, não é sinal de loucura, de fraqueza e nem irresponsabilidade. Se você percebeu algum desses sintomas apresentados aqui, procure um especialista na área de saúde mental. O diagnóstico precoce é o melhor caminho para colocar a vida nos eixos. 

Biblicamente encontramos esse quadro em um personagem acima de qualquer possibilidade, ao olhar espiritual, de sofrer de depressão: O profeta Elias. Um homem que superou os mais diversos confrontos e desafios, repentinamente foge de uma situação insignificante ante as diversas batalhas que outrora vencera com segurança e fé. O que vemos a seguir é um homem profundamente depressivo.


ELIAS, UM PROFETA DEPRESSIVO

Sintomas da depressão na vida de um dos maiores profetas da bíblia - o grande profeta Elias. 1Rs.19.
v.4 - E ele se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu em seu ânimo a morte e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.

  • Pulsão para a morte: "pediu para si a morte" v4; Pensamentos suicida.
  • Esgotamento emocional: "já basta" v4; - Perda do ânimo.

v.5 - E deitou-se e dormiu debaixo de um zimbro; e eis que, então, um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.
v.6 - E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se.

  • Esgotamento físico associado à fuga: "deitou e dormiu" v5,6; Perda do ânimo.
v.9 - E ali entrou numa caverna e passou ali a noite; e eis que a palavra do SENHOR veio a ele e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?
  • Fuga - "entrou na caverna" - v9;
v.10 - E ele disse: Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e buscam a minha vida para ma tirarem.
  • Autojustificativa - Tenho sido muito zeloso pelo Senhor; v.10
  • Projeção - Elias projeta nos filhos de Israel o que estava vivenciando:
1.    “deixaram a tua aliança”;
2.    “derrubaram teu altares”;
3.    “mataram teus profetas” V10;
Esses são sintomas emocionais detectados em Elias. A depressão tem outros sintomas que podem ser percebidos na vida de muitos personagens bíblicos.
Ainda sobre a pulsão para a morte, analisemos um dos homens escolhidos por Jesus para o apostolado – Judas Iscariotes, que chegou ao limite: o Suicídio.

Judas – Depressivo suicida


Criado em meio aos conflitos existenciais, na infância já presenciava os piores índices de violência tanto religiosa quanto socialmente. Possivelmente seus pais teriam sido membros da seita dos Zelotes, viveu sob a ira de um povo revoltado com os judeus. Judas cresceu só, sem amigos e sem um bom relacionamento social. 



Era culto, bom administrador e eloquente em palavras - usava destes dons para se autopromover visando somente seus interesses pessoais, não se importando com quem se relacionava. Para ele a frase: Eu te amo, não tinha importância. Uma pessoa com tal perfil, jamais se veria como um sacerdote. 


Ao ser chamado por Jesus para o apostolado, passa a ser visto com outros olhos por todos que o conheciam. 


Jesus mudou a convivência de Judas. Deu-lhe um voto de confiança e novos relacionamentos, além de dar-lhe demonstração de amor, carinho, atenção e respeito. 


Judas tinha tudo para viver uma nova vida, no entanto suas deficiências emocionais e de caráter não haviam sido tratadas. Judas jamais permitiu a exposição de seus traumas.


Apesar de estar convivendo com o mestre Jesus, constantemente suas deficiências emocionais são reveladas na bíblia.


Judas o Psicopata - O Psicopata é dotado de pouca ou nenhuma empatia. Alguns cientistas acham que o psicopata é totalmente indiferente e insensível aos sentimentos ou necessidades alheias. A falta de empatia do psicopata pode não ser facilmente percebida, visto que ele consegue facilmente enganar as pessoas. - João 12:6 – revelar a psicopatia de Judas: Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.


O comportamento de Judas define sua psicopatia; Uma pessoa sem empatia com os menos favorecidos: “ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres”. 



Também não sente medo, é uma pessoa que não tem receio das punições que suas ações possam acarretar. E é nesta parte que entra a manipulação, pois o psicopata é capaz de armar grandes espetáculos para mostrar como está “arrependido” de seus erros, chegando até mesmo a comover algumas pessoas desavisadas.



A psicopatia não é loucura, mas sim um grave transtorno de personalidade difícil de ser tratado.


Uma das improbabilidades para a psicanálise é um psicopata cometer suicídio - Dificilmente um psicopata se deixa levar pela comoção, arrependimento ou desespero. Ele procura outra forma para burlar esses sentimentos, mas não cometendo suicídio.
As confusões mentais de Judas vão aos extremos da psicopatia, ao ponto de cometer o suicídio.

O suicido de Judas e a Psicanálise - Para compreender as motivações que levaram Judas ao suicídio, é necessária uma leitura do quadro geral sob o ponto de vista psicanalítico, que o levou a dar cabo da própria vida.
A psicanálise compreende que não há uma causa única que leva ao suicídio, mas é um processo sintomático desenvolvido ao longo da vida do indivíduo. Uma série de fatores que vão se acumulando, tais como: fatores familiares, emocionais, sociais, biológicos, psicológicos, dentre outros, que acaba culminando na consumação do ato.

Para o suicida, viver é mais sacrificante do que o morrer. Seu estado emocional está carregado de sentimentos negativos como culpa, vergonha, angústia, solidão, etc. O acumulo desses sentimentos desenvolve a ideais de morte, não com a intenção de morrer, mas como a única forma de dar fim a essas emoções insuportáveis.

A vida torna se tão insuportável que o indivíduo busca a morte como uma opção à vida, não apenas pelo desejo de morrer. A morte não é o que o ele quer, porque não tem noção do que é a morte, na verdade o que deseja é fugir do sofrimento.

Nesse estágio, o indivíduo se depara com o conflito descrito por Freud na Segunda Tópica - entre o ego e o superego.
¹“As observações de Freud a respeito de seus pacientes revelaram uma série interminável de conflitos e acordos psíquicos. A um instinto opunha-se outro; proibições sociais bloqueavam pulsões biológicas e os modos de enfrentar situações que, frequentemente, chocavam-se uns com os outros. Ele tentou ordenar este caos, aparentemente, propondo três componentes básicos estruturais da psique: o id, o ego e o superego”. (FADIMAN e FRAGNER, 1986, p. 10)

Outra forma de compreender o suicídio sob a ótica da psicanálise é a segunda teoria de Freud (1920) sobre as Pulsões - pulsão de vida e pulsão de morte. Nesse caso, o suicídio é visto em parte, como um evento onde a pulsão de morte se sobrepõe em relação à pulsão de vida. Nesse conflito constante entre a vida e a morte, a última acaba prevalecendo.

No texto Luto e Melancolia, Freud (1915) descreve o suicídio como a volta da destrutividade contra si próprio, onde há um anseio de matar outro, e como autopunição, essa agressividade volta contra o próprio indivíduo. Para Freud, nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em pensamentos assassinos contra outros, o qual volta contra si.

Em tese, o suicida reprime o desejo de matar outra pessoa, ou seja: uma agressão voltada para o íntimo, contra um objeto de amor.

A falta de maiores informações no relato bíblico dificulta a conclusão de um diagnóstico sobre a verdadeira motivação que levou Judas ao suicídio, no entanto, sob a ótica da psicanálise é possível à aplicação de uma das duas teorias referidas.

Ante o exposto, a vida espiritual, por mais intimidade com Deus que o indivíduo possa ter, não impossibilita de sofrer uma depressão profunda.

Por que não me matou na madre? Assim minha mãe teria sido a minha sepultura, e teria ficado grávida perpetuamente! Jr.20:17.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa
044-997601317 (whatsapp)


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Depressão entre jovens cristãos



A depressão é um estado emocional a qual todas as pessoas estão sujeitas, incluindo jovens e adolescentes.
Dados de uma pesquisa nacional recente nos Estados Unidos, apontam que entre 2005 a 2014, o número de jovens depressivos subiu de 8,7% para 13,3% na faixa etária entre 12 a 17 anos.
No Brasil faltam estudos sobre o assunto, mas, segundo médicos e pesquisadores, o crescimento é uma realidade, não sendo identificado nem tratado. Irritação, agressividade, mudanças bruscas de humor, desânimo e isolamento, são visto como natural para quem convive com adolescentes, já que para eles, não se sentir bem é normal.
Apesar da dificuldade de identificar a diferença entre o comportamento natural do adolescente e os sintomas da depressão, uma vez que esses sintomas se manifestam de forma diferente entre os adolescentes.  Enquanto uns se isolam, outros tornam-se agressivos. Os sinais mais comuns de depressão observados entre adolescentes são: Repetição de sentimentos, atitudes negativas, insônia, perda de interesse em atividades e irritabilidade constante.
É importante que os pais prestem atenção no comportamento de seus filhos e, identificado esses sintomas, o diálogo é fundamental - principalmente ouvir, já que esta é uma das principais reclamações dos jovens e adolescentes – que o pais não têm tempo para ouvi-los.
Não obstante a cobrança constante dos pais pelo bom rendimento escolar, o descontentamento com a imagem corporal, as desilusões amorosas e o medo do futuro, são causadores de estresse. Somados às mudanças naturais que o adolescente sofre, um quadro depressivo pode estar instaurado, sem que seja perceptivo.
Há quem diga que a depressão não pode atingir o jovem cristão, no entanto, esses estão mais propensos à quadros depressivos, visto que os jovens seculares descarregam suas pressões emocionais e adrenalina em festas, baladas e outras atividades.
Devido ao conceito de santidade ensinado em muitas igrejas evangélicas, a juventude cristã tem uma vida sedentária e reservada – o que tendo maior propensão à depressão.
Quando se trata dos filhos dos pastores, além das condições impostas no geral, eles são cobrados pela posição de “filhos do pastor” como modelo. Sobre eles é maior a cobrança. Daí a razão porque muitos se afastam do evangelho.
De acordo com o Instituto Schaeffer, 80% dos pastores pesquisados acreditam que o ministério pastoral afetou negativamente suas famílias, principalmente os filhos.
Pois que o meu espírito se angustia em mim; e o meu coração em mim está desolado”. Sl.143:4.

Osésa Rodrigues de Oliveira

Psicanalista Clínico

sábado, 21 de outubro de 2017

Pais evangélicos - Filho homossexual



A decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, que concedeu uma liminar tornando legalmente possível a psicólogos oferecer terapias de reversão sexual, causou muita polêmica que, a meu ver, foi mal interpretada.
Somente profissionais da área psicanalítica sabem o que ouvem no consultório, sendo, muitas vezes, prejulgados e taxados pelo movimento LGBT, da prática da chamada “cura gay”.

Ao mesmo tempo em que pessoas procuram o terapeuta para lidar com o conflito de assumir a homossexualidade, outros enfrentam conflito inverso: Não querem assumir essa condição, principalmente quando se trata de pessoas criadas na igreja - de formação cristã.

Não se pode negar que entre jovens cristãos, a tendência homossexual é uma realidade. Porém, existem muitos comportamentos que são mecanismos de fuga, autoengano e, principalmente conflitos na área da sexualidade, já que é um assunto pouco tratado, porém muito reprimido nas igrejas, e que acabam por definir, para muitos adolescentes e jovens, uma preferência gay como simbolização de outros conflitos interiores.

A repressão imposta pelos pais, pela moral e pela doutrina da igreja, é exterior, no entanto, para os adolescentes e jovens cristãos, existe, mais intensamente, a repressão interior – sentimento de pecado e de culpa. Essa repressão tende a potencializar os desejos reprimidos, ou seja: tudo aquilo que tentamos reprimir em nós, torna-se mais forte.

De todas as temáticas expositivas apresentadas na igreja, a sexualidade é a menos tratada, deixando que esse seja um assunto para as rodas de amigos e da escola.

A ausência e omissão dos pais é outro fator predominante no conflito da sexualidade dos filhos. Muitos, apesar de perceber comportamentos homossexuais em seus filhos, preferem a negação como mecanismo de defesa, tentando esconder a realidade, negando que ela pudesse acontecer.

A negação é um mecanismo de defesa inconsciente e natural, necessário para sobrevivermos à dor que dilacera a alma, é ao mesmo tempo um dos fatores envolvidos na gênese de tragédia que tememos.

Determinados comportamentos homossexuais dos filhos têm o objetivos de chamar a atenção dos pais. A negação impede que esses comportamentos sejam observados. Mais tarde, o que era apenas uma forma de chamar a atenção, torna-se uma realidade.

No consultório vivenciamos a experiência de ouvir muitos filhos de pastores e de membros de igrejas evangélicas clamarem desesperadamente: “Eu não sou e nem quero ser gay!”, enquanto, dentro de si os conflitos os consomem.

Nos dias atuais, a procura de terapeuta para tratar o conflito da sexualidade dos filhos, deve ser vista com cuidado, haja vista que pode ser mal interpretada como a decisão do juiz – Cura Gay.

Outro cuidado é a escolha do profissional. Dentre muitos casos que acompanhamos, um se destaca pela falta de profissionalismo do terapeuta. Ao atender um paciente com tendências homossexuais - filho de um pastor, mesmo buscando um tratamento para vencer essas pulsões, foi levado a assumir a homossexualidade e encaminhado a outro especialista na área de saúde, para prescrição de hormônio feminino, sem consultar os pais, já que o paciente é menor (adolescente). Um psicoterapeuta equilibrado terá outra abordagem, resguardando o desejo do paciente na escolha do tratamento.

Diferente do psicólogo que estuda o comportamento, o psicanalista trilha o caminho que levou o indivíduo a homoafetividade: “Não compete à psicanálise solucionar o problema do homossexualismo. Ela deve contentar-se com revelar os mecanismos psíquicos que culminaram na determinação da escolha de objeto, e remontar os caminhos que levam deles até as disposições pulsionais” (Freud 1920, p. 211).

Para a Psicanálise, o homossexualismo não é uma doença ou um caso de justiça, mas uma variação das funções sexuais - a homossexualidade não é algo a ser tratado nos tribunais. (…) Eu tenho a firme convicção que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois uma tal orientação não é uma doença. Isto nos obrigaria a qualificar como doentes um grande números de pensadores que admiramos justamente em razão de sua saúde mental (…). Os homossexuais não são pessoas doentes (1903 apud Menahen, 2003, p. 14). “A homossexualidade não é, certamente, nenhuma vantagem, (...) nós a consideramos como uma variação da função sexual”(Jones, 1979, p. 739).

O que fazer quando descobre que tem um filho(a) gay?


Pessoalmente recomendo que, antes de lidar com a situação, os pais busquem ajuda profissional para equilibrar as emoções, Já que para qualquer família evangélica, é uma situação contrária a todos os seus princípios.

Devem-se levar em conta que o filho já vive seus conflitos desde que percebe os desejos homoafetivo, já os pais vão começar as crises emocionais e psicológicas, a partir da descoberta. O equilíbrio emocional será determinante no trato da situação.

Outra atitude que ira determinar o futuro do filho é o amor demonstrado pelos pais. Nenhum pai deve aceitar o comportamento do filho, mas deve amá-lo, deixando bem clara a diferença entre aprovação e amor, pois é assim que Deus nos trata – Ele não aprova nossas atitudes, mas nos ama incondicionalmente. Independente de qualquer coisa, ele continuará sendo seu filho - ame-o com a mesma intensidade.

Não seja o primeiro a recriminar o próprio (a) filho(a). - Não o censure mais do que ele mesmo e os outros já o fazem. A descoberta da homossexualidade afeta o estilo de vida, o autocontrole e possui efeitos emocionais conflitantes. Culpa, desânimo e fuga podem trazer consequências catastróficas sobre o indivíduo.

Não perca o convívio e o diálogo – a homoafetividade, em sua maioria, está relacionada ao fracasso inicial no relacionamento com os pais, de tal forma que o filho não se sentiu integralmente amado, e passou a considerar-se mau e inferior. Muitos pais se distanciam mais do que antes, consumidos pelos sentimentos de culpa, desgosto, dor e repudio. Na maioria dos casos, o isolamento leva o filho à promiscuidade e prostituição.

Outra consequência é o suicídio por verem o sofrimento dos pais. Nesse caso, o filho internaliza o sentimento de que seus pais prefeririam a dor da condenação do suicida à vergonha provocada pela existência de um filho gay. Se os pais forem pastores, a cobrança é ainda maior. Por isso a incidência de suicídios entre gays cristãos é tão alta.

Muitos pastores e membros das igrejas evangélicas têm buscado ajuda na oração, porém, a ajuda psicanalítica profissional e é aconselhada, porque podem ocorrer certos níveis de tensão tão fortes que um leigo não saberia como lidar com eles, e muitos podem confundir com manifestação espiritual, quando pode estar ocorrendo um surto psicótico emocional.


Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico – Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Psicanalista ou Psicólogo?


Tenho recebido mensagens de pessoas questionando sobre a atuação do Psicanalista. Este breve artigo tem a finalidade de responder, de forma sucinta, a esse questionamento. 

O Psicanalista se ocupa na cura para as enfermidades mentais e físicas   exclusivamente por meio de diálogos: Cura pela fala – onde o paciente apresenta seus sintomas e revela informações que serão utilizadas na cura das psicopatologias e distúrbios emocionais.
As psicopatologias não estão sob o controle do paciente, porque são manifestações do inconsciente - bloqueios, traumas, recalques, repressões e medos. O inconsciente é a parte da mente que contém as ideias e desejos responsáveis pelos transtornos mentais e comportamentais, causadores da depressão, estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenias e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e drogas.
Muitos confundem o tratamento do Psicanalista com o Psicólogo, mas o campo de atuação é diferente. O Psicólogo atua na compreensão do comportamento humano, utilizando um conjunto de técnicas e meios para analisar e intervir nos problemas emocionais e/ou transtornos mentais. Já o Psicanalista se ocupa na compreensão do Inconsciente - no porquê do comportamento. O tratamento psicanalítico nunca se dá sobre aquilo que o paciente já sabe, mas sim sobre uma face inconsciente que se esconde na impossibilidade de resolver seus problemas emocionais e comportamentais.

Osésa Rodrigues de Oliveira - Psicanalista Clínico, Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa.