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sábado, 21 de outubro de 2017

Pais evangélicos - Filho homossexual



A decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, que concedeu uma liminar tornando legalmente possível a psicólogos oferecer terapias de reversão sexual, causou muita polêmica que, a meu ver, foi mal interpretada.
Somente profissionais da área psicanalítica sabem o que ouvem no consultório, sendo, muitas vezes, prejulgados e taxados pelo movimento LGBT, da prática da chamada “cura gay”.

Ao mesmo tempo em que pessoas procuram o terapeuta para lidar com o conflito de assumir a homossexualidade, outros enfrentam conflito inverso: Não querem assumir essa condição, principalmente quando se trata de pessoas criadas na igreja - de formação cristã.

Não se pode negar que entre jovens cristãos, a tendência homossexual é uma realidade. Porém, existem muitos comportamentos que são mecanismos de fuga, autoengano e, principalmente conflitos na área da sexualidade, já que é um assunto pouco tratado, porém muito reprimido nas igrejas, e que acabam por definir, para muitos adolescentes e jovens, uma preferência gay como simbolização de outros conflitos interiores.

A repressão imposta pelos pais, pela moral e pela doutrina da igreja, é exterior, no entanto, para os adolescentes e jovens cristãos, existe, mais intensamente, a repressão interior – sentimento de pecado e de culpa. Essa repressão tende a potencializar os desejos reprimidos, ou seja: tudo aquilo que tentamos reprimir em nós, torna-se mais forte.

De todas as temáticas expositivas apresentadas na igreja, a sexualidade é a menos tratada, deixando que esse seja um assunto para as rodas de amigos e da escola.

A ausência e omissão dos pais é outro fator predominante no conflito da sexualidade dos filhos. Muitos, apesar de perceber comportamentos homossexuais em seus filhos, preferem a negação como mecanismo de defesa, tentando esconder a realidade, negando que ela pudesse acontecer.

A negação é um mecanismo de defesa inconsciente e natural, necessário para sobrevivermos à dor que dilacera a alma, é ao mesmo tempo um dos fatores envolvidos na gênese de tragédia que tememos.

Determinados comportamentos homossexuais dos filhos têm o objetivos de chamar a atenção dos pais. A negação impede que esses comportamentos sejam observados. Mais tarde, o que era apenas uma forma de chamar a atenção, torna-se uma realidade.

No consultório vivenciamos a experiência de ouvir muitos filhos de pastores e de membros de igrejas evangélicas clamarem desesperadamente: “Eu não sou e nem quero ser gay!”, enquanto, dentro de si os conflitos os consomem.

Nos dias atuais, a procura de terapeuta para tratar o conflito da sexualidade dos filhos, deve ser vista com cuidado, haja vista que pode ser mal interpretada como a decisão do juiz – Cura Gay.

Outro cuidado é a escolha do profissional. Dentre muitos casos que acompanhamos, um se destaca pela falta de profissionalismo do terapeuta. Ao atender um paciente com tendências homossexuais - filho de um pastor, mesmo buscando um tratamento para vencer essas pulsões, foi levado a assumir a homossexualidade e encaminhado a outro especialista na área de saúde, para prescrição de hormônio feminino, sem consultar os pais, já que o paciente é menor (adolescente). Um psicoterapeuta equilibrado terá outra abordagem, resguardando o desejo do paciente na escolha do tratamento.

Diferente do psicólogo que estuda o comportamento, o psicanalista trilha o caminho que levou o indivíduo a homoafetividade: “Não compete à psicanálise solucionar o problema do homossexualismo. Ela deve contentar-se com revelar os mecanismos psíquicos que culminaram na determinação da escolha de objeto, e remontar os caminhos que levam deles até as disposições pulsionais” (Freud 1920, p. 211).

Para a Psicanálise, o homossexualismo não é uma doença ou um caso de justiça, mas uma variação das funções sexuais - a homossexualidade não é algo a ser tratado nos tribunais. (…) Eu tenho a firme convicção que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois uma tal orientação não é uma doença. Isto nos obrigaria a qualificar como doentes um grande números de pensadores que admiramos justamente em razão de sua saúde mental (…). Os homossexuais não são pessoas doentes (1903 apud Menahen, 2003, p. 14). “A homossexualidade não é, certamente, nenhuma vantagem, (...) nós a consideramos como uma variação da função sexual”(Jones, 1979, p. 739).

O que fazer quando descobre que tem um filho(a) gay?


Pessoalmente recomendo que, antes de lidar com a situação, os pais busquem ajuda profissional para equilibrar as emoções, Já que para qualquer família evangélica, é uma situação contrária a todos os seus princípios.

Devem-se levar em conta que o filho já vive seus conflitos desde que percebe os desejos homoafetivo, já os pais vão começar as crises emocionais e psicológicas, a partir da descoberta. O equilíbrio emocional será determinante no trato da situação.

Outra atitude que ira determinar o futuro do filho é o amor demonstrado pelos pais. Nenhum pai deve aceitar o comportamento do filho, mas deve amá-lo, deixando bem clara a diferença entre aprovação e amor, pois é assim que Deus nos trata – Ele não aprova nossas atitudes, mas nos ama incondicionalmente. Independente de qualquer coisa, ele continuará sendo seu filho - ame-o com a mesma intensidade.

Não seja o primeiro a recriminar o próprio (a) filho(a). - Não o censure mais do que ele mesmo e os outros já o fazem. A descoberta da homossexualidade afeta o estilo de vida, o autocontrole e possui efeitos emocionais conflitantes. Culpa, desânimo e fuga podem trazer consequências catastróficas sobre o indivíduo.

Não perca o convívio e o diálogo – a homoafetividade, em sua maioria, está relacionada ao fracasso inicial no relacionamento com os pais, de tal forma que o filho não se sentiu integralmente amado, e passou a considerar-se mau e inferior. Muitos pais se distanciam mais do que antes, consumidos pelos sentimentos de culpa, desgosto, dor e repudio. Na maioria dos casos, o isolamento leva o filho à promiscuidade e prostituição.

Outra consequência é o suicídio por verem o sofrimento dos pais. Nesse caso, o filho internaliza o sentimento de que seus pais prefeririam a dor da condenação do suicida à vergonha provocada pela existência de um filho gay. Se os pais forem pastores, a cobrança é ainda maior. Por isso a incidência de suicídios entre gays cristãos é tão alta.

Muitos pastores e membros das igrejas evangélicas têm buscado ajuda na oração, porém, a ajuda psicanalítica profissional e é aconselhada, porque podem ocorrer certos níveis de tensão tão fortes que um leigo não saberia como lidar com eles, e muitos podem confundir com manifestação espiritual, quando pode estar ocorrendo um surto psicótico emocional.


Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico – Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Psicanalista ou Psicólogo?


Tenho recebido mensagens de pessoas questionando sobre a atuação do Psicanalista. Este breve artigo tem a finalidade de responder, de forma sucinta, a esse questionamento. 

O Psicanalista se ocupa na cura para as enfermidades mentais e físicas   exclusivamente por meio de diálogos: Cura pela fala – onde o paciente apresenta seus sintomas e revela informações que serão utilizadas na cura das psicopatologias e distúrbios emocionais.
As psicopatologias não estão sob o controle do paciente, porque são manifestações do inconsciente - bloqueios, traumas, recalques, repressões e medos. O inconsciente é a parte da mente que contém as ideias e desejos responsáveis pelos transtornos mentais e comportamentais, causadores da depressão, estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenias e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e drogas.
Muitos confundem o tratamento do Psicanalista com o Psicólogo, mas o campo de atuação é diferente. O Psicólogo atua na compreensão do comportamento humano, utilizando um conjunto de técnicas e meios para analisar e intervir nos problemas emocionais e/ou transtornos mentais. Já o Psicanalista se ocupa na compreensão do Inconsciente - no porquê do comportamento. O tratamento psicanalítico nunca se dá sobre aquilo que o paciente já sabe, mas sim sobre uma face inconsciente que se esconde na impossibilidade de resolver seus problemas emocionais e comportamentais.

Osésa Rodrigues de Oliveira - Psicanalista Clínico, Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Síndrome de Estresse do Divórcio

Desabafo ou surto?



Recentemente assisti um vídeo onde a esposa de um pastor, sob o pretexto de desabafo ou de denúncia, não percebe o que está acontecendo, mas na verdade, o que o vídeo apresenta é uma pessoa com um surto psicológico, por não saber lidar com a perda. A psicanalise define o comportamento apresentado por ela, de Síndrome de Estresse do Divórcio.
Desequilíbrio emocional é comum em qualquer separação, mas para as pessoas que se apegam possessivamente a outra, independentemente de haver amor, a convivência com alguém por um período de tempo, pode gerar uma identificação profunda, mesmo que seja um relacionamento destrutivo.
Para essas pessoas, o divórcio pode ser uma experiência extremamente estressante tendo como sequela a depressão, ansiedade, síndrome do pânico, hostilidade, medo, raiva, abuso de medicamentos, etc.
A perda é uma experiência universal do ser humano, no entanto, algumas pessoas não estão preparadas para a perda da pessoa amada, e, em muitos casos, a perda do status.
Não obstante o sofrimento causado pela perda da pessoa amada, a separação também envolve a perda de poder financeiro, bens materiais, posição social, etc., uma somatória perigosa, que pode desencadear surtos emocionais imprevisíveis. Quando há filhos, o grau de dificuldade aumenta ainda mais, haja vista que o relacionamento não se rompe definitivamente.
A terapeuta de família Charlotte Friedman afirma: "O divórcio pode nos afetar emocionalmente, mentalmente e fisicamente, além de minar as nossas expectativas. É como lamentar a morte de um ente querido, assim que se depara com a tristeza da separação. Reconhecer esses sentimentos e aceitar que é preciso passar por um processo de cura e transição é um bom começo. Uma vez que você os entendeu, está no caminho para superá-los”.

Outro quadro apresentado no vídeo é de surto psicótico. O Surto Psicótico é um episódio de dissociação da estrutura psíquica do indivíduo, fazendo com que este, mostre comportamentos socialmente estranhos e diferentes, devido à momentânea incapacidade de pensar racionalmente.
Os motivos que levam a um surto psicótico são diversos e podem variar de pessoa para pessoa. O que é comum entre os surtos, é o fato de serem “a gota d'água”, de acordo com o psicólogo Eduardo Xavier do Hospital Psiquiátrico São Pedro. A crise se origina em pessoas que já possuem uma certa fragilidade psicológica, ou seja, é algo que vai crescendo. Muitas vezes começa de forma incipiente e vai se intensificando até que finalmente leva a pessoa a surtar.
“O surto psicótico ocorre, basicamente, quando uma psique já fragilizada entra em colapso, ou seja, em completo desequilíbrio”, explica o psicólogo Edílson Pastore da Clínica Pinel. Porém, existem circunstâncias pontuais que desencadeiam a crise em pessoas as quais aparentemente não seriam um alvo óbvio.
Pessoas com Transtorno Bipolar, são propensas a surtos psicóticos - Transtorno do Humor Bipolar (THB) é uma doença mental caracterizada por oscilações ou mudanças intensas de humor e comportamento, ou seja, a tônica dessa patologia está na alternância de estados depressivos com maníacos. As oscilações de humor vão desde as mudanças normais, como nos estados de alegria ou tristeza, até mudanças acentuadas e distintas do humor.
O transtorno bipolar é comum, também, em pessoas que sofrem de Transtorno Dismórfico Corporal - Citada pela primeira vez nos anais médicos em 1886, a dismorfofobia foi descrita como “uma insatisfação aguda do paciente com seu corpo - é um transtorno psicológico onde a pessoa acredita ter defeitos físicos que não possui ou então, possui em um nível mínimo, mas acredita ser acentuado.
A pessoa que sofre de Dismorfia Corporal, também conhecida como Síndrome da Distorção da Imagem, vive realizando diversos tratamentos estéticos, incluindo cirurgias plásticas, mais nunca se sentem satisfeitas.
A soma desses transtornos “justifica” a pré-disposição a uma atitude como a apresentada no vídeo, de uma pessoa momentaneamente incapacitada de pensar racionalmente nas consequências para outrem e para si própria.
O que me surpreende é o fato de pessoas racionais, se assim podemos definir, se prestarem ao serviço de visualizar, compartilhar e tomar partido na situação, como se conhecessem ou ouvissem o outro lado da história.
Nenhuma separação acontece sem que haja erros de ambas as partes, e o divórcio é, principalmente envolvendo um casal de pastores, a última alternativa.
Como se trata de uma situação envolvendo evangélicos, a condenação do pecador é sumaria, a espiritualização da situação é imediata, sem uma avaliação mais aprofundada da situação.
Não estou aqui fazendo uma defesa de A ou B, mas apresentando um parecer clínico psicanalítico do conteúdo, da fala e das expressões da personagem no vídeo.
É normal que as pessoas se coloquem do lado da “vítima” sem analisar o quadro geral dos fatos, quando, na verdade, deveriam pensar e agir como cristãos verdadeiros e não partidários.
Teologicamente falando, o único conhecedor da verdade é Deus, que há de fazer justiça, mas principalmente exercer misericórdia sobre ambos, e cada um que fez juízo e participou da divulgação desse vídeo, que a misericórdia do senhor seja sobre a tua vida.
Apenas pense: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” Mt.18.7. Quem pratica o ato de escândalo, quem acusa o ato do escândalo, e quem divulga o escândalo, está debaixo do mesmo juízo.
É surpreendente que o número dos que propagam uma mensagem de edificação e salvação nas redes sociais, é infinitamente inferior ao número dos que compartilham e destroem a imagem de ministros do evangelho. “Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará...”. Pv. 24:16.
Consideremos o fato de o referido vídeo ter ultrapassado a casa de meio milhão de acessos: se a autora gravasse outro vídeo se retratando, teria a mesma proporção de divulgação e visualização?

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Doenças emocionais causam grandes prejuízos.


Em 2016, 75 mil profissionais foram afastadas do trabalho por doenças emocionais.





Não obstante a crise econômica que atingiu o país nesses últimos anos causando grandes prejuízos aos empreendimentos, às empresas, desde sempre sofrem com doenças emocionais. Você pode questionar: Como uma empresa sofre com doenças emocionais? Simples: Desde a presidência à mão de obra, há pessoas atuando para o desempenho da empresa. Uma vez que pessoas sofrem com doenças diversas, a empresa sente a deficiência desse componente de sua equipe.

Não estou me referindo às doenças patológicas, pois estas, as empresas têm se precavido, mas sim, às psicopatológicas e distúrbios emocionais que estão presentes no indivíduo vinte e quatro horas por dia, independente da pessoa e de suas condições intelectuais. Essa condição emocional vai interferir, impedindo que ela chegue ao nível de satisfação consigo mesma, com seus colegas e superiores e no seu rendimento profissional, sendo a responsável pela retirada do mercado de trabalho de milhares de profissionais todos os anos. A principal delas é a depressão - tachada de mal do século.

É praxe das empresas advertirem seus funcionários que “os problemas pessoais fiquem da porta para fora”, no entanto, na prática isso não é possível. Seria o mesmo que pedir a uma mulher que deixe as tensões pré-menstruais da porta para fora da empresa. Os problemas psicopatológicos não estão sob o controle do indivíduo, porque são manifestações do inconsciente - bloqueios, traumas e medos que impedem a livre expressão de suas potencialidades. No ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão desses problemas, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes.

O conceito de “inconsciente” é um pilar da teoria psicanalítica, formulada por Sigmund Freud no início do século XX, referindo-se à parte da mente que contém ideias e desejos inconscientes - responsáveis pelos transtornos mentais e comportamentais, causadores, não só da depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenias e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e drogas, que causam grandes prejuízos, representando 37,8% de todas as licenças em 2016 e mais de 199 mil profissionais foram afastados do trabalho, recebendo benefícios relacionados a estas enfermidades. Em 2015, o total registrado de afastamento foi de 170,8 mil. De todo o pessoal afastado no ano passado por transtornos de comportamento, em geral tiveram o ambiente profissional como um dos agentes desencadeadores da doença.

Nesse caso, a pessoa do psicanalista é essencial na saúde emocional da empresa, tratando individualmente os casos psicopatológicos através da escuta psicanalítica (anamnese) e vivências práticas (psicodrama) - ou coletivamente mediante processo de coaching, por meio de dinâmicas de grupo e no desenvolvimento de equipes gerenciais nas empresas.
Tratados os traumas, medos, problemas emocionais e depressão, o funcionário será mais saudável, com mais vontade de viver e de se relacionar, refletindo em sua produtividade, trabalhará de forma inteligente utilizando todo o seu potencial, antes recalcado no inconsciente.


Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico pelo Instituto Sigmund Freud
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa – FTP.

Clínica de Psicotheoterapia - Paranavaí (44) 3045-3070

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Santidade, Repressão ou Recalque?

Apesar de santidade, repressão ou recalque serem temas que nada têm a ver no sentido literal da palavra, no resultado, muitos cristãos podem estar reprimindo ou recalcando sentimentos e desejos sob o pretexto da santidade.
Como aprendemos, santidade é a mudança de conceitos sobre o pecado, que nos leva a uma vida separada para Deus por convicção do certo e do errado e que o cristão se abstém do pecado por amor ao Senhor e sua palavra –
Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; 1Pd.1.15. Essa santidade é fruto de um relacionamento íntimo com Deus e de conhecimento de sua palavra, que faz o homem ser livre do domínio do pecado, sem ter que estar lutando contra o pecado. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;” Rm.6:12.
Somente luta contra o pecado quem não mudou seus conceitos sobre o pecado. Um exemplo são as pessoas que servem a Deus por medo de ir para o inferno. A motivação está errada - quem tem medo de ir para o inferno, irá para o inferno, porque no céu só entra quem ama a Deus e reconhece o sacrifício de Jesus.
O medo é o maior gatilho dos mecanismos de defesa que ativa a repressão ou o recalque. Existem pessoas que reprimem os desejos e não são santos, são reprimidos ou recalcados. Na verdade a paixão pelo pecado está presente, mas reprimida. Não há santidade pelo princípio correto, mas pelo medo.
Esse comportamento de reprimir o pecado, ocorre na vida de muitos cristãos devido à falta de ensinamento correto. Via de regra, quase sempre as pessoas na igreja, evitam o pecado por causa da censura. Condena-se o pecador sem tratar o pecado. Quando acuado pela censura, a mente ativa os mecanismos de defesa. Nesse caso, a mente procura ocultar no inconsciente os sentimentos e desejos pecaminosos. Esse mecanismo de defesa só permite que sejam expressos indiretamente em algum tipo de forma disfarçada, reduzindo, assim, o sentimento de culpa.
Os mecanismos de defesa podem se manifestar de diversas formas diferentes, incluindo a repressão. Outros mecanismos de defesa - negação, projeção, compensação, sublimação, formação de reação, racionalização, e alucinação, também são usados pela mente com referência ao pecado, dependendo da situação.
No que se refere ao pecado, a repressão atua como um mecanismo de defesa que coloca os pensamentos pecaminosos em áreas relativamente inacessíveis da mente, ou seja – no 
inconsciente. Assim, quando somos incapazes de lidar com o pecado no momento da tentação, afastamo-nos daquela situação, para planejar como lidar com ela em outro momento ou esperar que desapareça sozinha  Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por esse iludido e arrastado. Em seguida, esse desejo, tendo concebido, faz nascer o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte.” Tg.1.14,15.
Desejos reprimidos não desaparecem. Muito pelo contrário, eles vão se acumulando e reaparecem como ansiedade atribuível a diversas razões, nunca ao desequilíbrio emocional provocado pela repressão do pecado. Por não saber lidar com a situação, muitos cristãos canalizam suas pressões emocionais para a vida espiritual e sua relação com Deus, gerando um esfriamento e bloqueios na fé.
Muitas vezes, por não ter controle emocional e não saber lidar com a situação, mudar de denominação é um dispositivo de defesa. Por um pouco de tempo a pessoa respira novos ares, novos relacionamentos, tudo parece novo, mas como não foi tratado no emocional, logo virão à tona os mesmos sentimentos reprimidos.
Nesse caso, é possível detectar o desequilíbrio emocional, bastando apenas observar o mais comum mecanismo de defesa usado nessa situação: A Projeção – Trata-se de um mecanismo de defesa onde um indivíduo, quando confrontado com suas emoções, sentimentos, comportamentos e atitudes, percebe que está errado e procura o mesmo erro nos outros para acusa-los, tirando o foco de seus próprios erros. Então, a igreja não serve mais, o pastor está errado, os irmãos perderam o amor, enfim, tudo está errado – menos ele.
Se o indivíduo não for tratado no emocional, principalmente na repressão do pecado, logo mudará de igreja novamente, com as mesmas justificativas (projeções), até que decida “servir a Deus em casa”.
No caso daqueles que se desviam do evangelho, tudo que está reprimido vem à tona, daí porque, pessoas desviadas tornam-se desfreadas no pecado – houve um rompimento na barreira da repressão. Isso acontece até mesmo com um cristão que está na igreja reprimindo pecado, se cair uma vez, rompe a barreira da repressão. Na santidade, não existe essa barreira – há uma convicção produzida pela transformação da mente por meio da palavra de Deus – mudança de conceitos.
O pecado é um caso de desequilíbrio emocional. Outros problemas podem originar ansiedades e depressões. A soma de um elevado nível de repressão pode provocar um elevado grau de ansiedade ou disfunção, embora esta também, pode ser causada pela repressão de um incidente particularmente traumáticos, tais como: Abuso sexual na infância, estupro, violência doméstica, fobias, morte na família, divórcio e outros traumas.
Nesses casos, o tratamento por um profissional da área é fundamental. O objetivo do tratamento, ou seja, da psicanálise, é trazer memórias reprimidas, medos e pensamentos de volta para o nível consciente.
Muitos fogem do tratamento no gabinete pastoral por medo da censura, o que não acontece no consultório psicanalítico. O olhar do psicanalista é a pessoa humana, o olhar da igreja é o pecador – consequentemente virá a censura e a repressão, não o tratamento. Se é um psicanalista cristão, haverá uma dupla identificação e a aplicação correta do tratamento Psico –Theo -Terapêutico.
Fomos chamados por Deus à seguir o exemplo de Jesus – Curar Almas e não condenar pecadores, dos quais fazemos parte 
- E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais”. Jo.8:10,11.

Outra temática importante sobre o comportamento ou atitudes é o Recalque – Trata-se do recalcamento - ato ou efeito de recalcar, de dominar, de concentrar, de reprimir aspirações, desejos e instintos.
Na psicanálise - consiste em um mecanismo que remete para o inconsciente emoções, pulsões e afetos que são considerados repugnantes para um determinado indivíduo e é um mecanismo classificado em duas categorias: recalcamento primário - inscrição de experiências no inconsciente, e recalcamento secundário - a rejeição de experiências inscritas no inconsciente.
A repressão desses sentimentos para o inconsciente não os elimina do quadro psíquico, e podem causar distúrbios no indivíduo.

domingo, 15 de outubro de 2017

O Curador Ferido



Você sabia que ao mesmo tempo em que ministramos a cura que vêm de Deus para as aflições e sofrimentos da alma humana, também precisamos de alguém que faça o mesmo por nós.

Abrão teve Eliézer por perto , Moisés ouvia os concelhos de Jetro, Josué e Calebe eram confidentes, David teve Jônatas, Elias à Elizeu, Paulo durante 14 anos foi mentoreado por Barnabé e o próprio Mestre Jesus teve o peito amoroso do amigo João. E você, recorre a quem quando está confuso, triste, cansado, não sabe o que fazer ou até mesmo quando precisa desabafar, sofre alguma injustiça ou tentação, problema familiar ou conflitos existenciais?

Podemos nos ajudar mutuamente, porque o que falta no meu ministério, você pode completar. Somos um corpo lembra? O seu entendimento bíblico e a sua visão do mundo, da vida e das pessoas, pode destravar o ministério do outro e dar fôlego para juntos andarmos a próxima milha.

A preocupação verdadeira com o companheiro de ministério pode contribuir muito com o Reino e aliviar o fardo do amigo. No entanto não podemos esquecer, aceitamos o que o jovem rico rejeitou e nos tornamos Curadores Feriados, pela decisão que tomamos ao renunciar a nós mesmos e seguir Jesus, mas podemos e devemos contar uns com os outros. 

O vídeo abaixo descreve a realidade dos terapeutas da psicanálise, mas reflete a verdade vivida por muitos sacerdotes. Cuidam dos outros, mas não cuidam de si. Dai a importância da psicotheoterapia para líderes.

Não tenha vergonha de dizer: EU PRECISO DE AJUDA. - Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Ec.7:17.



PORQUE MUITOS CRISTÃOS COMETEM OS MESMOS PECADOS REPETIDAMENTE

O domínio do pecado



"...fazendo a vontade da carne e dos pensamentos..." Ef.2.3.

                                                                  
Quando lemos o texto de Romanos 7.15-23, parece uma conversa de maluco. Quem sabe o que deve fazer e não faz, e o que não deve fazer isso faz, aparenta uma pessoa em pleno conflito. 

É sabido que quem controla nossas ações é o cérebro. Quando nossas ações estão descontroladas, significa que algo está errado na nossa mente.

O Apostolo São Paulo, numa tentativa de explicar o domínio do pecado sobre o ser humano, apresenta uma “LEI” que exerce um controle sobre as ações com tendência ao erro. v.23 – “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros”. “Uma lei que batalha contra a lei do meu entendimento”. A expressão “entendimento” no texto está relacionada à ação racional e consciente. Somos seres dotados de consciência e razão que devem permear nossas atitudes e nossos comportamentos. 

Quando alguém age fora da razão, essa é uma ação inconsciente, ou seja, fora do controle do consciente. - Rm.7.17 – “De maneira que agora já não sou eu que faço isto...” Essa afirmação dá uma conotação de que o pecado tem forte controle e o indivíduo não consegue se conter.

A melhor forma de compreender esse comportamento é saber que a psique do ser humano é formada pelo Id, o Ego e o Superego. Elementos que definem a personalidade do indivíduo. 

O Id é o componente nato dos indivíduos, ou seja, as pessoas nascem com ele. Consistem nos desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos pelo prazer. v.15 – “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço”. A partir do Id se desenvolvem as outras partes que compõem a personalidade humana: Ego e Superego. 

O Ego surge a partir da interação do ser humano com a sua realidade, adequando os seus instintos primitivos (o Id) com o ambiente em que vive. O Ego é o mecanismo responsável pelo equilíbrio da psique, procurando regular os impulsos do Id, ao mesmo tempo em que tenta satisfazê-los de modo menos imediatista e mais realista. Graças ao Ego a pessoa consegue manter a sanidade da sua personalidade. v.21 – “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem...” O Ego começa a se desenvolver já nos primeiros anos de vida do indivíduo. 

O Superego se desenvolve a partir do Ego e consiste na representação dos ideais e valores morais, familiares, religiosos e culturais do indivíduo. O Superego age como um “conselheiro” para o Ego, alertando-o sobre o que é ou não moralmente aceito, de acordo com os princípios que foram absorvidos pela pessoa ao longo de sua vida. v.22 – “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. 

Num segundo momento, necessitamos compreender a importância do Consciente e do inconsciente. v.19 – “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”. Consciente: “Porque não faço o bem que eu quero”; Inconsciente: “o mal que não quero esse faço”. Isso significa dizer que nada acontece por acaso, ou seja: não há descontinuidade na vida mental e, consequentemente no comportamento - cada evento mental tem explicação consciente ou inconsciente.

No inconsciente estão as pulsões, que são duas forças complementares: Pulsão de Vida e de Morte. As pulsões são forças que estimulam o corpo a liberar energia mental. 

Pulsão de Vida: São os instintos de vida que se referem à autopreservação, esta forma de energia manifesta é chamada de libido; - “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação,”. 2Co.7:10. A luta contra o pecado é ferrenha, na busca da preservação da vida espiritual. Nesse caso, o indivíduo se vê num conflito desesperador repetindo o mesmo pecado sempre e lutando contra ele, por suas próprias forças - “Ora, na guerra contra o pecado ainda não tendes resistido até o extremo de derramar o próprio sangue”. Hb.12.4. 

Pulsão de Morte: instinto de morte que é uma força destrutiva, e pode ser dirigida para dentro. “...da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte”. 2Co.7:10. A pulsão para a morte tende levar o indivíduo a repetir o mesmo erro. A melhor forma de compreender essa pulsão de morte encontra-se no v.15 - “Pois não compreendo meu próprio modo de agir; porquanto o que quero, isso não pratico; entretanto, o que detesto, isso me entrego a fazer”. A repetição do pecado indica que algo está errado. Nesse caso, esse comportamento é gerado por sintomas de algo mais sério.

A sequência do texto deixa clara que a repetição na pulsão para morte, é uma ação inconsciente - Rm.7.17 – “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim". v.18 - Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. v.20 - "Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim”. 

O consciente é a parte da mente que estamos cientes, porém o inconsciente, é uma área menos explorada e exposta. O nível consciente refere-se às experiências que a pessoa percebe, incluindo lembranças e ações intencionais. A consciência funciona de modo realista, de acordo com as regras do tempo e do espaço. “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” Hb.10:26. Assim, temos uma percepção da consciência como nossa e identificamo-nos com ela.

Parte do conteúdo que não está consciente, num determinado momento pode ser facilmente trazida para a consciência; esse material é chamado pré-consciente: v.18 – “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”. 

No inconsciente estão subsídios instintivos não acessíveis à consciência. Além disso, há também conteúdos que foram “excluídos” da consciência, censurados e reprimidos. Este conteúdo não está esquecido muito menos perdido, mas não pode ser lembrado. Estas memórias afetam a consciência indiretamente.

O inconsciente, não é indiferente nem inerte, havendo uma intensidade e imediatismo em seu conteúdo. Lembranças extremamente antigas quando trazidas à consciência, podem revelar que não perderam em nada de sua força emocional.
Em alguns cristãos, a repetição (pecado) é plenamente irracional e inconsciente. Esse comportamento repetitivo é destrutivo para a vida espiritual. Por mais que a pessoa confesse o pecado, se vê caindo nele novamente – “porquanto o que quero, isso não pratico; entretanto, o que detesto, isso me entrego a fazer...”.


Essas repetições inconscientes podem refletir comportamentos paternos vivenciados na infância – fatos reprimidos que se manifestam repetindo atitudes dos pais. “Tende consciência de que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais...”(1Pe.1:18)