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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Divã na Psicoterapia Psicanalítica


O Divã



O divã se tornou o símbolo icônico da psicanálise em desenhos animados, televisão e filmes. No entanto, nem todos os terapeutas, ou mesmo todos os psicanalistas, usam o divã. Quando você consulta um terapeuta pela primeira vez, é improvável que ele sugira o divã imediatamente. É uma abordagem apropriada para alguns pacientes e, geralmente, algo em que se evolui. Enquanto algumas salas de consulta de profissionais de saúde mental incluem um divã, os psicanalistas são extensivamente treinados para usá-lo como um acompanhamento para a terapia psicanalítica.


Por que usar o divã? 

Mais de um século após o seu uso ter sido introduzido por Sigmund Freud, o divã ainda provoca tanto curiosidade quanto ridicularização. Sua capacidade de continuar sendo evocativa é um testemunho da imaginação que estimula.

Freud começou a utilizar o divã no início dos anos 1900 como uma evolução do método hipnótico autorizado para o método mútuo de associação livre. Freud aprendeu, como muitos praticantes subsequentes, que os encontros entre o paciente e o analista são aprofundados quando ambos estão livres das restrições de se olharem. Ambos têm a oportunidade de deixar suas mentes correrem livres umas em relação às outras. A comunicação inconsciente que pode resultar promove uma intimidade mais profunda e uma autodescoberta mais profunda.

Quando os pacientes usam o divã, eles frequentemente comentam: "É tão liberador ser capaz de falar minha mente sem ter que me preocupar com suas reações." No divã, os pacientes são liberados dos pontos subliminares com os quais geralmente confiamos para guiar nossos pensamentos no rosto. Costumamos nos orientar para as respostas que provocamos nos outros, por isso o divã em sua essência é um veículo para a liberdade pessoal - a liberdade das habituais restrições sociais que inibem nossa consciência de nós mesmos; consciência que nos afasta de nossa imaginação e liberdade da superficialidade social que pode inibir uma honestidade mais profunda.


Sim, mas funciona?

Uma paciente iniciou a psicoterapia porque percebeu que recentemente se tornou autocrítica e depreciativa em relação ao marido, a quem ela ama profundamente. Ela procurou tratamento para descobrir o porquê. Após várias sessões, ela descobriu que sua atitude crítica em relação ao marido é a mesma que ela tem em relação a si mesma. Ela comentou: "Tudo o que faço critico a mim mesmo por ser inadequado". Ela chegou a reconhecer que esse senso crônico de autoavaliação crítica estava relacionado à sua educação. Em sua imaginação, sua mãe era constantemente crítica dela. Mais tarde, ela reconheceu que, embora sua mãe fosse áspera às vezes, sua imagem interna de sua mãe era mais escura do que realmente era. Ela viu que a mãe em sua imaginação, que ela sempre temia, era diferente de sua mãe real.

Ela foi imediatamente à psicoterapia e começou a sentir-se mais livre e menos autocrítica. Ela se relacionou calorosamente e sentiu-se agradecida por minhas percepções. Depois de um tempo, porém, ela ficou desconfortável e ficou cada vez mais silenciosa. Um dia, ela olhou para o divã e comentou: "As pessoas realmente não mentem mais nisso, não é?"

Eu notei sua recente falta de jeito e me perguntei junto com ela sobre sua curiosidade sobre o divã. Ela havia lido sobre isso, mas estava envergonhada de admitir seu interesse em tentar. Mas ela estava curiosa sobre como isso funcionava e como isso poderia ser diferente do tratamento face a face. Perguntei-lhe se ela estava ciente de qualquer pensamento que pudesse ser mais fácil de falar se ela não estivesse olhando para mim.

No tratamento face a face, essa paciente sentia-se desconfortável com seus pensamentos. Mesmo que ela tenha apreciado minha postura sem julgamento, ela tinha vergonha de falar diretamente sobre sentimentos mais pessoais. Ela sentiu que eu iria julgá-la, como ela julga o marido e ela mesma. Como se viu, havia áreas de sua vida que ela mantinha em segredo, e essas eram as coisas sobre as quais ela se sentia mais perturbada e profundamente envergonhada. O divã a ajudou a se sentir mais livre para que ela pudesse descobrir as fontes de sua vergonha.

"Eu posso dizer todos os tipos de coisas agora que eu não me sentiria confortável dizendo na sua cara", disse ela, acrescentando: "Por um tempo agora eu queria te dizer que eu não gosto de seus laços, mas eu nunca ouso dizer isso na sua cara".


Curioso sobre o divã?

Aqui estão algumas considerações:
  • O divã é usado quando o paciente se sente pronto para isso; não há pressão. 
  • Não há uma maneira "certa" de usar o divã. É uma experiência diferente para cada paciente. 
  • O divã pode permitir níveis de honestidade que podem refrescar sua vida. 
  • O divã pode facilitar a autoaceitação e reduzir as inibições. 
  • O divã pode ser um lugar de liberdade para descobrir aspectos mais profundos de suas dores e paixões. 

Se você se encontrar retendo pensamentos honestos do seu terapeuta, se você se sentir preso, ou se você está tentando desvendar motivações inconscientes, talvez deitar no divã seja exatamente o que você precisa.

Na Clínica de Psicanálise de Paranavaí, o divã é um dos modelos terapêuticos  utilizado no tratamento dos transtornos mentais.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ANSIEDADE E DESEMPENHO SEXUAL


A ansiedade interfere no desempenho sexual?

Osésa R. Oliveira
Psicanalista
A resposta é: SIM - A satisfação sexual pode ser comprometida pela disfunção que ocorre em qualquer fase do ciclo de resposta sexual: excitação (desejo e excitação), platô, orgasmo e resolução. Tais problemas ocorrem em 43% das mulheres e 31% dos homens. A disfunção mais comum para as mulheres é a desordem da excitação sexual (10% a 20%), e para os homens é a ejaculação precoce (cerca de 30 %).

A disfunção sexual pode ser causada por uma variedade de fatores físicos e psicológicos. A chave entre os fatores psicológicos é a ansiedade. 


Como a ansiedade interfere no funcionamento sexual

O que há na ansiedade que interfere no funcionamento sexual? Pesquisas recentes identificaram que o medo sobre o desempenho sexual ou desajuste são uma área importante de preocupação para casais que sofrem de disfunção sexual. Nesse caso, a ansiedade antecipa ou inibe a resposta do sistema nervoso autônomo, impedindo a excitação fisiológica.

A ansiedade afeta a excitação sexual de diferentes maneiras para pessoas diferentes. Pesquisadores encontraram resultados muito diferentes entre pessoas com história de disfunção sexual e pessoas sem história de disfunção sexual. Para aqueles sem histórico de disfunção, a ansiedade às vezes aumenta a excitação. 
Experiências prévias de disfunção sexual aumentam sua probabilidade em resposta à ansiedade. Além disso, o processo de pensamento de uma pessoa pode ter um grande impacto na probabilidade de experimentar disfunção sexual.
Quando as pessoas esperam alcançar uma resposta sexual positiva, elas são mais propensas a fazê-lo do que quando esperam uma disfunção sexual. Certas pessoas são mais propensas a esperar disfunções sexuais, ou pelo menos têm preocupações sobre seu funcionamento sexual, do que outras. Duas grandes fontes psicológicas influenciam o quanto as pessoas antecipam a disfunção sexual: ansiedade e depressão.

Efeitos da Ansiedade na Disfunção Sexual

Muitas pessoas com transtornos de ansiedade ou humor experimentam disfunção sexual, mas o grau varia muito. Algumas pessoas podem experimentar disfunções apenas algumas vezes, enquanto outras experimentam em todas as tentativas sexuais.
Ter um transtorno de ansiedade pode levar as pessoas a desenvolver disfunção sexual. O inverso também é verdade que pessoas com transtornos sexuais tornam-se mais ansiosas. Homens que experimentam ejaculação precoce ou inibem o prazer sexual têm até 2,5 vezes mais chances de ter um transtorno de ansiedade do que aqueles que não têm esses problemas. Mulheres com ansiedade têm uma probabilidade aumentada de excitação ou disfunção no orgasmo até 3,5 vezes mais do que mulheres não ansiosas. Olhando para homens e mulheres, a ansiedade está ligada a um risco 2,6 vezes maior de disfunção no orgasmo, um risco 2,1 vezes maior de excitação sexual inibida e um risco 3,3 vezes maior de diminuição do desejo sexual.

A disfunção sexual está relacionada a uma variedade de transtornos ansiosos: transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). 
A ansiedade está associada a déficits em todas as fases do ciclo de resposta sexual. Além disso, a depressão influencia diretamente o funcionamento sexual e a libido, agravando os efeitos no funcionamento sexual.

Como quebra o Ciclo de Disfunção Sexual – Ansiedade - Depressão?

Experiências de disfunção sexual podem, muitas vezes, ser provocadoras de ansiedade. Independentemente do que causa a primeira ocorrência (por exemplo, interferência cognitiva, anormalidade fisiológica) ou o subtipo específico (por exemplo, disfunção erétil, dificuldade orgástica), ansiedade e depressão podem ajudar a perpetuá-la.
A disfunção sexual é frequentemente melhor vista como um sintoma ou consequência da ansiedade ou depressão de uma pessoa. Quebrar este ciclo depende, em grande parte, de quão bem os transtornos são gerenciados. O fio comum que os atravessa é um padrão distorcido de pensar sobre o eu. Experiências sexuais negativas podem condicionar uma resposta de ansiedade em futuros encontros sexuais.

Evitar é uma das formas mais comuns de lidar com a ansiedade. Esta é uma resposta natural que foi moldada ao longo de milhares de anos de evolução humana. Quando sentimos uma ameaça, nossa resposta natural é nos distanciar dela, o que proporciona um benefício imediato. Você pode imaginar há milhares de anos que esse era um traço de autopreservação muito útil.

Tal resposta ao estresse e ansiedade hoje produz benefícios a curto prazo, mas problemas a longo prazo. Ao sair imediatamente ou evitar completamente uma situação estressante, a ansiedade diminuirá temporariamente. Mas se permanece não resolvido, retornará toda vez que você estiver exposto ao mesmo estímulo indutor de estresse. Portanto, evitar não é uma estratégia eficaz para superar a ansiedade.

5 estratégias eficazes para superar a disfunção sexual

Quer saber quais são? Me pergunte 044-997601317 (whatsapp)

terça-feira, 3 de julho de 2018

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL - O QUE É E COMO VENCER



"Não seja escravo do seu passado emocional, mas viva o presente com emoção".

A mídia nacional e internacional noticiou hoje que o filho do ator Casper Van Dien, está entre a vida e a morte após tentar suicídio por enforcamento. Casper Van Dien foi uma das estrelas da série ‘Barrados no Baile’ e protagonista do clássico cult de ficção científica ‘Tropas Estelares’ (1998).
A tentativa de suicídio ocorreu no hospital onde o jovem de 23 anos passava por tratamento de depressão, após o fim de um relacionamento. Em sua conta no Facebook, a atriz Carrie Mitchum, mãe do jovem, comentou o ocorrido: “O meu filho se enforcou. Ele não está respondendo e não consegue respirar direito. Não sabemos se ele irá sobreviver”. Esse é um caso típico de dependência emocional.

O que é dependência emocional? 

A dependência emocional acontece quando uma pessoa depende de outra para se sentir bem, para ser feliz, para se sentir amada e até mesmo para tomar as próprias decisões. Pode ser uma ansiedade leve e quase imperceptível ou até um transtorno mental que exige tratamento. 

É possível vencer a dependência emocional, porém, para que isso aconteça é necessário que a pessoa decida mudar, para conquistar uma melhor qualidade de vida. Quem sofre de dependência emocional, não aproveita plenamente a relação e perde sua individualidade por causa do apego excessivo. 

Existem homens que sofrem desse mal se apegando demais, e que têm vergonha de assumir e de procurar ajuda terapêutica. Acreditam que sua masculinidade pode ser questionada. Já as mulheres são maioria das pessoas que sofrem da dependência emocional, que tem a baixa autoestima como principal causa. 
A dependência emocional pode existir, também, entre pais e filhos ou entre amigos. 

Características da uma pessoa com Dependência Emocional: 


  • Dependência de outro para ser feliz – se não tiver a atenção de quem ama ou goste, não consegue fazer mais nada; 
  • Dependência da maneira que é tratada pela pessoa que se apega, para ter alegria; 
  • Dependência do que a pessoa pensa – caso a opinião seja ruim, desencadeia um processo de infelicidade; 
  • Dependência de aceitação - precisa se sentir aceito para estar tudo bem. Caso se sinta mal, cai em uma infelicidade imensa; 
  • Dependência do outro para se sentir bem ou mal; 
  • Devido o temor de incomodar ou de ser repreendido, omite opinião contrária a do outro para evitar confusões; 
  • Coloca o desejo do outro à frente do seu próprio desejo; 
  • Sente-se incapaz de tomar decisões - sua vida é conduzida pelo outro; 
  • Precisa se sentir querido para estar bem consigo mesmo - caso a pessoa a quem se apega não a quer, sente-se vazia e sem amor próprio; 
  • Não consegue ficar sozinha longe do outro – não consegue aproveitar a vida, fica deprimida e sua autoestima diminui. 
  • Sentimento de culpa constante – sente-se responsável pela felicidade do outro; 
  • Medo de perder o outro a quem ama – trata-se de um medo constante que interfere nas relações pessoais e interpessoais; 
  • Cede com facilidade a chantagens emocionais – por não suportar a culpa da dor do outro; 
  • Anula-se e sacrifica-se a si mesmo para dar felicidade ao outro. 
  • Escolhe sofrer do que sair dessa relação – a presença do outro é necessária para que a vida faça sentido; 
  • Não tem forças para cortar o contato com o outro; 
  • Não se sente capaz de seguir um caminho diferente do outro a quem ama; 
  • É controlador - quer controlar a vida do outro, para sentir segurança de que não será abandonado. 
  • Quer ouvir as conversas do outro para saber o que e com quem está falando; 
  • Obsessão - deixa de viver a própria vida para viver a vida do outro. Quer assegurar-se de que o outro não perderá o interesse pela relação. Se sentir que será abandono, pode deixar de ser quem realmente é para fazer coisas que não gosta, a fim de agradar o outro. 
  • Tendência ao isolamento social - só se sente bem se estiver com a pessoa e, quanto mais tempo passar com ela, melhor. 
  • Não consegue imaginar a vida sem o outro – é uma relação cheia de ansiedade, nunca está satisfeita porque quer, cada vez mais, a presença do outro. 


Como vencer a dependência emocional 

Se você conseguiu ler até aqui e se identificou com algumas ou todas as características de uma pessoa dependente emocionalmente de outra pessoa, você já sabe o que tem que mudar, colocando fim a dependência emocional. 

Você está envolvido numa relação tóxica e destrutiva, que não poderá manter, porque a outra pessoa irá se cansar de você. Além do que, esta relação está te fazendo mais mal do que bem. 

Se você é uma pessoa que prefere agradar o outro para não perdê-lo, em detrimento do seu próprio bem estar, e quer sair dessa dependência emocional, a primeira coisa a ser feita é redescobrir o amor próprio e pensar mais em si mesmo. 

Você não poderá preservar uma relação saudável se não reaprender a amar a si mesmo. Somente quando amar a si mesmo e não precisar de mais ninguém, é que estará preparado para amar o outro com intensidade. 

Até mesmo a bíblia, nos mandamentos, ensina que o amor que se deve dedicar à outra pessoa, tem como referencial o amor a si mesmo. 

Outro ponto importante é trabalhar sua autoestima. Como já me referi, a baixa autoestima é o principal fator causador da dependência emocional. Tanto o resgate do amor próprio como da autoestima podem ser trabalhados com a leitura de material motivacional referente o assunto, no entanto, o tratamento psicoterapêutico tem se mostrado mais rápido e eficiente. 

O terapeuta não é um conselheiro emocional que só é consultado nas crises de relacionamento, como os dependentes emocionais costumam fazer. A psicoterapia é um processo a ser seguido conforme a orientação do profissional. 

Além da psicoterapia, há exercícios que você pode fazer. Dedique tempo ao happy hour com os amigos, aos hobbies, viagens, olhe ao seu redor e aproveite as pequenas coisas, desenvolva suas habilidades, cultive seu futuro, faça amizades. E acima de tudo, cuide bem de si mesmo e guarde bem a tua alma. Dt.4.9. 

Se desejar saber mais, estou à disposição. 

Osésa Rodrigues de Oliveira 
Psicanalista Clínico 
44-997601317 WhatsApp.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

AUTOSSABOTAGEM



Repetição de comportamentos prejudiciais podem ter origem na baixa autoestima e na insegurança.

Por mais absurdo que possa parecer você pode ter atitudes prejudicais a si mesmo. Esse comportamento é conhecido com autossabotagem.
No artigo “Os que Fracassam ao Triunfar” Sigmund Freud(1916), o pai da psicanálise, diz que, por certas razões, alguns indivíduos têm problemas em usufruir da satisfação de um desejo. Conseguir alcançá-lo traz angústia porque a sua realização vai contra crenças primordiais, entre elas, a de que não merece ser feliz. Exemplos: Um novo relacionamento, uma promoção no trabalho ou a conquista de um bem desejado. Em geral, quando você se boicota, não consegue perceber que está repetindo os mesmos erros. Seja em maior ou menor grau, você está sempre se autossabotando. Um exemplo claro de autossabotagem é você fazer regime de fome a semana toda e comer até no fim de semana. Ser traído pelo desejo de vez em quando é normal, mas quando esse comportamento se torna repetitivo, é sinal de que você não quer emagrecer de verdade, embora viva dizendo que precisa perder peso.
O autossabotador é uma pessoa com baixa autoestima, inseguro e tem dificuldade de se lançar em novos desafios. Esse desacerto, em geral, está relacionado à educação dada pelos pais, que não valorizam as potencialidades dos filhos e fazem crescer na criança, o medo e a insegurança.
No livro “O Ciclo da Autossabotagem”, Stanley Rosner afirma que o ser humano passa a metade de vida tentando confirmar as crenças adquiridas na infância, principalmente no relacionamento com os pais. – “Há pessoas que cozinham da mesma maneira que sua mãe cozinhava, frequentam o mesmo templo, adotam as mesmas diversões e, às vezes, até moram na mesma casa. Para elas, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço para a mudança, a inovação. Não há espaço sequer para a imaginação” – afirma Rosner.
Para romper esse ciclo, é necessário e imprescindível desenvolver o autoconhecimento. Para isso, o melhor caminho é a terapia.
A psicanálise defende o resgate de memórias da infância como ponto de partida para superar a repetição de comportamentos familiares. Isso acontece porque, as pessoas desenvolvem, desde pequenas, a percepção que a única forma de serem amadas e aceitas é serem iguais a seus pais. Daí porque valorizam tanto as crenças deles – precisam sentir-se consideradas e acolhidas. Ou seja, elas serão aceitas pelo que seus pais querem que sejam e não pelo que realmente são . 
Essa repetição de comportamentos dos pais para ter seu amor, é o que a psicanalise define como “identificação arcaica”. É um comportamento ruim na infância e se torna pior ainda, quando na fase adulta procura cumprir o que era pedido pelos pais, sem escutar suas próprias preferências, atender suas reais potencialidades ou sequer olhar para o ambiente atual e constatar que essas exigências são descabidas

Como saber se estou me autossabotando?

O autoconhecimento é o primeiro passo para romper o ciclo de autossabotagem.
Se você repete os mesmos erros sempre e culpa mundo pelos seus problemas, vive se fazendo de vítima, muda de emprego constantemente e a culpa é dos chefes. Se sempre se envolve num relacionamento tóxico, mesmo que a pessoa anterior te tenha feito sofrer;
Se a possibilidade de as coisas darem certo te faz sofre, ou seja: você subestima o próprio talento e não se considera capaz de assumir determinadas tarefas; Não se acha merecedor de suas próprias conquistas;
Se você não consegue ser feliz e desfrutar dos resultados positivos. Pensa: “Emagreci, agora vou engordar”, “fui contratado(a), mas posso ser demitido(a) a qualquer momento”, etc.
Pensa sempre que algo de ruim está para acontecer e que a felicidade plena é impossível; Se compra um carro novo, pensa que vai ser roubado ou bater antes de fazer o seguro, procure, urgentemente ajuda profissional. Você está se autossabotando o tempo todo.

Osésa R.Oliveira
Psicanalista Clínico
Contato: 044-997601317.

terça-feira, 26 de junho de 2018

HOMENS NO ALTAR TRATANDO VIDAS QUANDO NUNCA FORAM TRATADOS









Disse-lhes Jesus: Sem dúvida citar-me-eis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; Lc.4.23.




“MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO”



"Procura dentro de ti a origem de teus males, e lá encontrarás também a cura".

Anos atrás precisei fazer uma cirurgia. Chegando ao hospital, enquanto me preparava para a cirurgia, o cirurgião percebeu que eu estava tranquilo e perguntou porque eu estava tão calmo. Respondi com as palavras de Paulo: viver é Cristo, morrer é lucro (Fl.1.21). Então me disse: você é muito corajoso! Tenho que fazer a mesma cirurgia há anos, mas ainda não tive coragem.
Ele sabia que precisava se tratar; estava cuidando de outras pessoas, tratando as feridas de outros, enquanto sofria do mesmo mal que tratava em seus pacientes, mas tinha medo de ser tratado. 
Perguntei porque não se submetia logo àquele procedimento cirúrgico. Ele respondeu: Não confio em outro profissional. Eu sei que sou bom naquilo que faço, mas será que o cirurgião que irá me operar não cometerá algum erro?
Esse médico, ao me atender, disse que eu necessitava operar urgente. No dia seguinte eu já estava entrando no hospital para a cirurgia. Ele sofria o mesmo mal há anos e não confiava em outro profissional.

"A prevenção e a cura acontece quando localizamos o erro dentro de nós mesmos".


A exemplo desse médico, vejo muitos pastores morrendo, enfermos da alma, tentando salvar outros. Falam da urgência dos cristãos em cuidar da alma enquanto a sua está sucumbindo em chagas.
Do mesmo modo, sentem se capazes de sarar pessoas, mas não permitem serem tratados  por achar que ninguém é tão bom quanto eles.
Eu sei o que estou falando. Sempre fui reservado em abrir minha vida como pastor a outros pastores, fossem do mesmo ministério ou de outro. Vi minha alma gritar desesperada até que decidi buscar ajuda antes que fosse tarde.
A questão é que, a maioria dos pastores nunca foram tratados na alma. Em geral, são pessoas que se destacam em suas igrejas, são bons oradores, sentem-se chamados por Deus e formam-se em teologia. SÃO TEÓLOGOS, não pastores. É preciso fazer essa diferença. Outros, totalmente leigos, são ungidos ao pastorado por sua dinâmica, desenvoltura e oratória. 
Em ambos os casos, são atirados ao ministério, mas nunca tiveram um tratamento psicoemocional de seus traumas, de seus históricos familiares, da identificação arcaica, dos relacionamentos frustrados e etc. Estão sendo bem orientados espiritualmente, mas não tratados no caráter – na personalidade forjada em uma família desestruturada.  Sem referenciais familiares. Não estou generalizando, mas apontando o que acontece com a maioria.
Então temos os deprimidos, inseguros, dominadores, os que sofrem da síndrome do imperador, dos megalomaníacos, dos narcisistas e psicopatas que já sucumbiram numa vida de pecados ocultos e estão na fase da negação.
O Senhor Jesus ensinou que a essência da vida é cuidar daqueles que estão doentes. Não somente do ponto de vista físico e espiritual, mas também os doentes emocionais.
Somos todos “doentes” de uma certa forma, e precisamos de cura. A cura deve alcançar a totalidade do ser humano: cura física, mental, psíquica e emocional.
É fundamental entender que as doenças surgem do desequilíbrio no corpo, na mente e no espírito humano. 
Estudos científicos comprovam que 80% das doenças são psicossomáticas – Expressão do latim: Psico vem de mente e soma vem de corpo.
Outra definição é a chamada doença pneuma-psicossomática, acrescentando pneuma, palavra grega que quer dizer “alma”, “espírito vital”. 
Assim, as doenças não são únicas e exclusivamente corporal, mas muitas são “doenças da alma” - doenças psíquicas. 
Á partir dessa compreensão, o que estamos presenciando, seja pela onda de pastores que estão abandonando o ministério, adultérios, divórcios, suicídios e desviando do evangelho, são as consequências de se ordenar ao ministério, homens que nunca foram tratados em seus traumas, caráter e vivências familiares.
Então, a parábola citada por Jesus fica mais clara: Médico, cura-te a ti mesmo. Se você não consegue curar a si mesmo, busque ajuda antes que seja tarde demais.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa
044-997601317.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EXPLICANDO O DÉJÀ VU NA TEORIA FREUDIANA





VOCÊ JÁ TEVE A SENSAÇÃO QUE JÁ ESTEVE NUM LUGAR, SEM JAMAIS TER IDO ALI, OU QUE CONHECE ALGUÉM, MAS QUE NUNCA A VIU ANTES? 



Esse fenômeno é denominado DÉJÀ VU: um termo da língua francesa, que significa “já visto”. Forma de ilusão da memória que leva o indivíduo a crer já ter visto alguma coisa ou situação de fato desconhecida ou nova para si. 

É uma sensação que surge ocasionalmente, ocorre quando fazemos, dissemos ou vemos algo que dá a sensação de já ter feito ou visto antes, porém isso nunca ocorre. O déjà vu aparece como um “replay” de alguma cena, onde a pessoa tem certeza que já passou por aquele momento, mas realmente isso nunca ocorreu. 

A teoria freudiana explicar o déjà vu como um fenômeno que tem a ver com fantasias do passado ou desejos inconscientes: “Dito em termos sucintos, a sensação do “déjà vu” corresponde à recordação de uma fantasia inconsciente” (FREUD, p. 267). 

O Déjà vu como um sonho anterior 

A segunda explicação consiste em que o Déjà vu é, na verdade, o já sonhado, ou seja, diferentemente da explicação anterior, em que o Déjà vu é uma fantasia diurna. Entretanto, a origem – de dia ou de noite – não implica em uma diferença significativa, pois o conteúdo é inconsciente em ambos os casos. 

O Dr. Ferenczi é citado por Freud: “Num de meus pacientes aconteceu algo aparentemente diferente, mas, na realidade, inteiramente análogo. Esse sentimento retornava nele com muita frequência, mas mostrava regularmente ter-se originado de um fragmento esquecido (recalcado) de um sonho da noite anterior. Portanto, parece que o déjà vu não só pode derivar-se dos sonhos diurnos, como também dos sonhos noturnos.” (FREUD, p. 269). 

Conclusão 

A explicação da psicanálise sobre o Déjà Vu é de que o conteúdo que é sentido pela consciência é um conteúdo inconsciente que, em outro momento, passou pela consciência em um sonho ou em uma fantasia diurna. Devido ao recalcamento, o conteúdo não está mais disponível à consciência, exceto quando acontece.

domingo, 27 de maio de 2018

DESISTÊNCIA DA PSICOTERAPIA




"E, por fim, de que nos adianta uma vida longa se ela é penosa, pobre em alegrias e tão cheia de sofrimento que só podemos dar as boas-vindas à morte, saudando-a como libertadora?"
Sigmund Freud



Recentemente participei de um encontro com Psicanalistas de diversas cidades do Brasil e dedicamos tempo em analisar a razão de grande parte dos pacientes abandonaram a terapia sem concluir um programa predefinido. Alguns fatores ficaram claros na discussão e quero apontar alguns deles.

Primeiro - é considerado abandono quando o paciente, por decisão pessoal, sem o conhecimento do terapeuta, tendo comparecido a pelo menos uma sessão, interrompe o tratamento, independente do motivo. Abandono significa o encerramento prematuro do tratamento, no qual o terapeuta tem um programa terapêutico com um número predefinido de sessões e é surpreendido pela deserção do paciente.

Segundo - o abandono em psicoterapia refere-se àquelas situações de interrupção do tratamento sem que haja indicação do terapeuta para tal. Isso significa que não cumprir um número determinado de sessões, classifica o paciente como “abandonante”, interrupção que pode ocorrer, inclusive, "pela própria percepção de melhora por parte do paciente".
Nesse caso, o paciente não tem a percepção que o abandono ou interrupção do processo terapêutico, é uma situação que acarretará implicações sérias nas trajetórias de sua saúde mental.

Terceiro - foi detectado que o abandono precoce do tratamento, dificultou o desenvolvimento da relação paciente/terapeuta.

Quarto - Muitos pacientes que não retornaram para o atendimento em saúde mental ou abandonaram prematuramente a psicoterapia, acabaram solicitando retorno de atendimento, necessitando reiniciar o processo diagnóstico. No geral, o processo de retorno resulta no agravamento dos casos, na insatisfação profissional e em maior gasto econômico.

Quinto – identificou-se que na maioria dos casos, o nível socioeconômico foi fator frequente de abandono psicoterápico.

Sexto – outro fator apontado foi o nível educacional. Pacientes com baixo nível de formação educacional, não conseguiram se aprofundar nos procedimentos terapêuticos ou deram pouca importância ao tratamento.

Sétimo – foi perceptível que algumas características de personalidade tais como: baixa motivação, agressividade, isolamento social e traços psicopáticos, foram associadas como maiores fatores do abandono terapêutico

Oitavo - Detectou-se também que os transtornos de personalidade borderline aparecem como um dos fatores que contribuíram com maior frequência para a interrupção do tratamento psicoterapêutico, em função das características transferenciais de hostilidade e dificuldade de vinculação.

Nono – considerou-se também que, nos casos de depressão, os abandonos terapêuticos são mais frequentes e os fatores associados ainda são pouco explorados em relação a estas interrupções precoces.

Décimo – Outro fator apontado foi o índice elevado de pacientes que referiram a dificuldade financeira como responsável pelo abandono do procedimento psicoterapêutico.

Décimo primeiro – a necessidade de resultados imediato foi ponderando como fator agravante. Muitos pacientes, apesar de serem alertados que a medicação ataca os sintomas sem tratar a causa, optam por tratamento medicamentoso por deduzirem que o alívio é mais rápido. Ignoram o custo mais elevado e demorado no caso de medicação. Muitos usam medicamentos por anos, sendo substituídos ou aumentada a dosagem. A maioria tornam-se dependentes da medicação ao invés de tratados por ela.

No procedimento psicoterapêutico, existem três categorias de pacientes:


1 - Os que fazem tratamento à base de medicação;

2 – Os que são tratados apenas com procedimento psicoterapêutico;

3 – Os que fazem associação medicamentosa e psicoterapêutica;

Foi unânime a percepção que, os pacientes que apresentavam quadros depressivos, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e transtornos bipolar apresentaram maior permanência no procedimento terapêutico - os que fazem associação medicamentosa com a psicoterápica. Também foram os que apresentaram maior resultado de cura no tratamento dos quadros depressivos orgânicos e psicoemocionais.
Os pacientes que desistiram do tratamento psicoterápico, apresentaram longos anos de uso de medicamentos sem diminuição dos quadros depressivos por transtornos de ansiedade.

No caso dos pacientes que foram questionados pelos psicanalistas sobre o abandono do tratamento, "alegaram um sentimento de melhora", julgando não achar mais necessário continuar a psicoterapia e, em sua maioria, não expressaram desejo de retornar ao tratamento.

Conclusão:

Os psicanalistas participantes do debate, perceberam que a decisão de interromper o tratamento tem motivação diversificada e complexa. No caso dos pacientes que abandonaram a terapia, por considerarem-se melhores em seus quadros, não tiveram a aprovação de seus terapeutas.

Psicanalistas que atenderam pacientes que decidiram retornar à terapia, relataram que esses pacientes apresentavam quadros agudos. Os sintomas reclamados anteriormente, haviam potencializado e somatizado.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa.