Pesquisar este blog

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Trazer a memória só o que trás esperança é um perigo emocional

Quero trazer a memória aquilo que me trás esperança. Lm.3.21.


Esse versículo bíblico tem sido usado por muitos como uma mensagem motivacional, no entanto, está mais para reprimir as memórias de dores do que motivar. Numa linguagem mais terapêutica, trata-se de repressão.

O que é repressão: você já ouviu a frase: “relembrar é sofrer duas vezes”.

A repressão é um mecanismo mental inconsciente (mecanismo de defesa), pelo qual as ideias ou impulsos indesejáveis e inaceitáveis para a consciência, são reprimidos por ela e impedidos de entrar no estado consciente. Este material indesejável não está, geralmente, sujeito a recordação voluntária consciente.

A ansiedade é a força que leva à repressão e é sentida se houver perigo de o material se tornar consciente. Exemplo: 
• Uma criança que é abusada por um dos pais e, mais tarde, não tem lembrança dos acontecimentos, mas tem problemas para formar relacionamentos.
• A mulher que teve parto particularmente doloroso continua a ter filhos (e cada vez o nível de dor é surpreendente).
• Um homem tem fobia de aranhas, mas não se lembra da primeira vez que ele teve medo delas.

Doenças psicossomáticas também podem estar relacionadas com a repressão:
• Dores na cabeça
• Asma
• Artrite
• Úlcera
• Cansaço excessivo
• Fobias 
• Impotência Sexual
• Frigidez etc.
Todos esses males podem derivar de sentimentos reprimidos. A repressão é o melhor mecanismo de defesa, especialmente contra as exigências dos impulsos sexuais.

Se notarmos os versículos anteriores, o autor faz uma relação de situações que deixam claro a pretensão de reprimir as memórias passadas:
• Aflição
• Andar em trevas.
• Envelhecer a minha carne e a minha pele.
• Despedaçou os meus ossos.
• Veneno e de dor.
• Habitar em lugares tenebrosos, como os que estão mortos para sempre.
• Prisões com grilhões de bronze.
• Clamo e grito, ele não ouve.
• Tortuosas as minhas veredas.
• Me fez em pedaços; deixou-me assolado.
• Fui feito objeto de escárnio.
• Fartou-me de amarguras.
• Afastou a paz de minha alma.
• Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no SENHOR.
• Lembra-te da minha aflição e do meu pranto.
• Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim.

A essência da repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo a distância no inconsciente. Entretanto, o material reprimido continua a fazer parte da psique, apesar de inconsciente, continua a causar problemas. A repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido.

 A repressão não é o único mecanismo de defesa que pode levar a pessoa a querer esquecer determinados acontecimentos passados. Outro mecanismo é a Negação - tira da percepção os aspectos perigosos que machucam, procura negar fatos que perturbam. Exemplo: a lembrança incorreta de um fato desagradável acontecido muito tempo atrás. Certas pessoas chegam a não lembrar nem mesmo de que houve o fato.

Racionalização - são as premissas lógicas que ajudam a afastar da nossa vivência afetiva, certos fatos que nos causam dor ou sofrimento. São os motivos lógicos e racionais que encontramos para afastar pensamentos e lembranças, disfarçando os verdadeiros motivos que nos incomodam.

Isolamento: isolamos desejos permanentes, pensamentos, atitudes, comportamentos, para não sofrer.

Então, quando quisermos trazer a memória apenas as coisas que nos dão esperança, tenhamos a certeza que a intenção por trás desse frase não seja uma forma de fugir daquilo que não queremos confrontar ou tratar.

Um dos grandes medos das pessoas que fogem de terapia é, exatamente, o confronto de memórias reprimidas.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós Graduado em Psicanálise Aplicativa

sábado, 10 de fevereiro de 2018

AMOR OU PAIXÃO


Paixão só aprendeu a ficar por pouco tempo. O amor gosta mesmo é de permanecer a vida inteira.

Padre Fábio de Melo






Paixão e amor são dois sentimentos muito fortes que podem ser confundidos, e por mais que estejam relacionados, são totalmente distintos e difíceis de identificar.
Muitos estudiosos no campo da psicologia, da filosofia e até mesmo da neurologia têm se dedicado a estudar estes sentimentos para delimitar o que os diferem.
É fundamental saber a diferença entre ambos, antes de declarar a alguém seu sentimento de amor ou paixão.

A Paixão e a Atração

Para a psicanálise a paixão é uma manifestação da projeção - quando a pessoa projeta suas idealizações no outro, ou seja, quando alguém se apaixona, está atraída pela idealização que faz do outro, não pela pessoa em si. 
Essa atração provocada pela paixão, está relacionada às características que mais atrai a pessoa apaixonada, exemplo: o físico, os lábios, os olhos, a pele o sorriso e etc.

Sintomas

Os sintomas mais comuns em pessoas apaixonadas são: suores, olhares perdidos, suspiros, aumento da pressão arterial, da frequência respiratória e dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, tremores, falta de apetite, de concentração, de memória e do sono.
Esses sintomas são provocados por alterações em regiões específicas já identificadas pela ciência, e que são responsáveis pelas descargas de emoções para o coração e as artérias: a dopamina, um neurotransmissor da alegria e da felicidade.
Pesquisas recentes comprovam que as estruturas do cérebro chamadas núcleo caudado (área tegmentar ventral e córtex pré-frontal), se mostraram mais ativas em pessoas apaixonadas.
Referem-se a regiões ricas em dopamina e endorfina, neurotransmissores com efeito semelhante ao da morfina, e a somatória desses agentes, estimulam os circuitos de recompensa. Exemplo: Estar em contato com a pessoa, objeto da paixão, mesmo que por telefone ou redes sociais, aumentará a liberação de endorfina e dopamina, resultando em mais prazer e satisfação.
Outra molécula natural associada a essa avalanche de transformações é a feniletilamina - também conhecida como "hormônio da paixão", é um neurotransmissor cuja molécula se parece muito com a anfetamina, e cuja produção no cérebro suspeita-se possa ser desencadeada por eventos simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos, age, como a noradrenalina, ativador da memória para novos estímulos.
O aumento de hormônios como a oxitocina e vasopressina (responsáveis pela formação dos laços afetivos mais duradouros e intensos, como os afetos de ligação familiar: da mãe com o filho), também foram notados nas fases mais agudas da paixão.

Tempo de duração da paixão

A paixão é um sentimento devastador que costuma fazer muito estragos e deixar sequelas na área emocional, podendo durar semanas ou até anos – em média 2 a 3 anos e depois acaba, levando ao fim do relacionamento, isso porque, no caso da paixão, quando ela acaba, a primeira coisa que acontece é que, ambos começam a perceber as falhas e defeitos que antes não viam e vêm as cobranças. Assim, não é recomendável que nenhum casal de namorados se apresse em casar nos três primeiros anos de relacionamento.

O amor é cego

Com certeza você já ouviu dizer que o amor é cego. Isso não é verdade! A paixão cega. Freud disse: “Estar apaixonado é estar mais próximo da insanidade do que da razão”. Uma pessoa apaixonada não vê defeitos, vícios, falta de caráter, maldade, e nem dá atenção aos alertas de pessoas que tentam fazê-la enxergar.
Diferente da paixão, o amor verdadeiro enxerga muito mais que a aparência, o amor verdadeiro tem a percepção dos valores, da autenticidade e da personalidade, características que podem ser tão instigantes ou mais que um olhar ou um sorriso. Quem ama, tem plena consciência dos defeitos do outro, mas está disposto a superar e ajudar a pessoa amada.
As ilusões também desaparecem com o amor. A pessoa que ama, consegue ter a percepção das qualidades e dos defeitos da pessoa amada, não havendo ilusões – projeções.
Outro ponto que diferencia o amor da paixão é que o amor não acontece à "primeira vista", mas é um sentimento profundo e complexo, que leva um longo período de tempo para se desenvolver. 
E engana-se quem pensa que o amor é garantido para todo o sempre. Sim, os amores podem chegar ao fim! Mas, para que isso não aconteça, o casal nunca deve deixar de se empenhar em respeitar, cuidar e ser sinceros um com o outro.
Amar não implica na busca pessoal da felicidade, mas em fazer seu parceiro(a) feliz. Também é a prática de ações que externam esse amor mais que as palavras. Quem diz que ama, deve agir de forma a fazer as palavra serem verdadeiras.
Participar das atividades que o parceiro(a) gosta, é outra forma de demonstrar amor, mesmo que seja a coisa mais chata do mundo para você. Quando amamos de verdade, não estamos presentes apenas para os programas divertidos e românticos, mas também para aquilo que sabemos que é importante para o companheiro(a).
Amar é apoiar incondicionalmente o(a) outro(a), fazendo com que, mesmo os programas mais chatos, sejam ótimos, apenas por ver a satisfação e felicidade da pessoa que ama.
Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!” Sigmund Freud

Amor e Sexo

O sexo é um fator extremamente necessário na relação do casal, porém, no amor o sexo está longe de ser a coisa mais importante. Quando amamos queremos a garantia da felicidade da pessoa amada, e o desejo de cuidar e ajudar o parceiro(a) a conquistar os seus sonhos e objetivos mais audaciosos.
A coisa mais importante no amor é justamente isso: lutar e garantir a felicidade de quem você ama! Lembrando que este sentimento precisa ser mútuo para que a relação se mantenha, caso contrário, é provável que a pessoa que está contigo não seja a “destinada” a receber todo o amor que você tem a dar.

Enfrentando as crises

Administrar os conflitos na relação, talvez seja uma boa oportunidade para refletir sobre os seus verdadeiros sentimentos para com o seu parceiro(a).
Brigas e desentendimentos existem, mesmo entre as pessoas que se amam. O que difere os momentos de crises na paixão e no amor é o modo como lidamos com as situações.
Quando você não admite ceder para apaziguar uma situação de conflito, optando por fugir para evitar confusões, talvez esta pessoa não seja mesmo o amor da sua vida.
O amor é feito de trocas e consensos. Podemos até ficar irritados e querermos nos afastar, mas quando brigamos com quem amamos verdadeiramente, a vontade de pôr os pingos nos “is” e achar uma solução para a crise, fala sempre mais alto. Nestes momentos é importante que ambos estejam abertos a compreender não apenas quem são como indivíduos, mas também os sentimentos e pontos de vista do parceiro.
Diálogo e compreensão são dois ingredientes importantes num relacionamento amoroso de sucesso!
O amor pode ir muito além do que o tradicional "amor romântico". O amor tem muitas formas e manifestações, você só precisa encontrar a sua!
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.” Cl.3:14

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico
Pós graduado em Psicanálise Aplicativa
044-997601317

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Depressão e Suicídio


Conteúdo da entrevista à rádio Terra HD hoje

CAUSAS DA DEPRESSÃO

A depressão é causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Por outras palavras, as escolhas que você faz relativamente ao seu estilo de vida, relacionamentos e habilidades de lidar com as situações de vida, são muito significativos para o surgimento da depressão, mais do que o fator genético. No entanto, alguns fatores de risco podem torná-lo mais vulnerável à depressão.

A Depressão Profunda ou Depressão Clínica - Sintomas e Tratamento
A depressão será, na década de 2030, a doença com maior prevalência no mundo, segundo projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde). O transtorno já afeta cerca de 7% da população mundial, no final de 2014.
A alta incidência da doença no Brasil foi confirmada por levantamento mais recente, a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde (MS) em 2014. Segundo o estudo, cerca de 11 milhões de pessoas têm depressão no país.
·         A depressão profunda, também conhecida como depressão clínica,
·         Afecta a mente e o corpo, levando por vezes o paciente a perguntar-se se vale a pena viver.
·         É uma doença grave que geralmente requer uma combinação de medicação e de aconselhamento.

TRISTEZA, VAZIO E IRRITABILIDADE

Crianças, adolescentes e adultos que sofrem de depressão profunda têm:
    sentimentos de extrema tristeza,
    irritabilidade
    vazio.
Num minuto podem chorar e, no próximo podem gritar.
Algumas pessoas com este transtorno relatam não sentir nada, como se os seus corpos e mentes estivessem vazios.
Crianças que sofrem de depressão profunda permanecem isoladas e choram com angústia.

ISOLAMENTO
Quem sofre de depressão profunda, provavelmente, isola-se dos amigos e familiares. Deixam de atender telefonemas dos amigos, deixam de ir a encontros sociais e deixam de cumprir as suas obrigações familiares. Por

Exemplo: uma mãe que sofre de depressão profunda pode deixar de cuidar dos seus filhos, de fazer as refeições, de lavar as suas roupas e de os ajudar com os trabalhos de casa.

Alguns adultos deprimidos isolam-se no local de trabalho por longos períodos de tempo, para que não tenham que interagir com os seus familiares.

COMER E DORMIR
A maioria dos pacientes com depressão profunda passam por alterações nos seus padrões de alimentação e de sono.
Podem comer demais na maioria das refeições ou experimentar uma perda de apetite, resultando num ganho ou perda significativo de peso. (Nas crianças, a variação de peso é mais perceptível).

ESCOLA E ASSUNTOS DE TRABALHO
As primeiras áreas que são afetadas pela depressão profunda são o trabalho ou a escola, dependendo da faixa etária. As crianças e adolescentes têm, frequentemente, uma diminuição notável no desempenho escolar, faltam às aulas e entram em discussões com os colegas. Os adultos têm dificuldade em realizar projetos de trabalho dentro do prazo, têm dificuldade em frequentar o emprego numa base regular, em chegar ao trabalho a horas e em se concentrarem.

HIGIENE PESSOAL
A maioria das pessoas com depressão profunda deixa de cuidar de si próprio. Não têm a energia ou a motivação para tomar banho regularmente, lavar a sua roupa ou até mesmo mudar de roupa. Podem aparecer no trabalho com a mesma roupa durante vários dias seguidos.

DESESPERO
A maioria das pessoas que sofre de depressão profunda sentem-se inúteis. Não vêm como as suas vidas possam mudar, nem vêm qualquer esperança ou felicidade para o futuro. Os pacientes com depressão profunda podem dizer coisas como: “Ninguém me vai amar “, ou “eu estaria melhor morto”.

IDEIAS DE SUICÍDIO
A maioria dos pacientes com depressão profunda pensam em suicídio. Alguns escolhem um plano específico para obter os meios para acabar com as suas vidas. Estas pessoas precisam de ajuda imediata.
Mais de 90% das pessoas que cometem suicídio tem um transtorno mental diagnosticável, o principal é a depressão.
Sinais de pensamentos suicidas:
    Falar sobre a morte e o morrer,
    Agir de forma imprudente,
    Dizer adeus aos seus entes queridos,
    Dar bens pessoais importantes
     Uma mudança repentina de depressão profunda para um estado de calma e felicidade.
A depressão tem várias fases e pode ser muito profunda e grave podendo ameaçar a própria vida. O paciente sente-se marginalizado, mesmo que os outros não o vejam dessa forma. Às vezes, para superar os sintomas entram pelo caminho das drogas e outros medicamentos que a longo prazo prejudicam a saúde.

DIMINUIÇÃO DO INTERESSE OU PRAZER
Há uma espécie de diminuição de interesse em atividades diárias, e outro trabalho regular.

AGITAÇÃO OU RETARDO PSICOMOTOR
A pessoa permanece inquieta ou agitada, fisicamente abatida e lenta no seu trabalho rotineiro.

FADIGA
A fadiga também é um sintoma de depressão profunda.

SENTIMENTOS DE INUTILIDADE OU CULPA
Os pacientes com depressão profunda têm um constante sentimento de culpa e inutilidade, sentem que não têm controlo sobre as coisas.

TRATAMENTO
A medicação e a psicoterapia são algumas curas que a maioria das pessoas procura para combater a depressão profunda. Estes são, sem dúvida métodos eficazes para controlar a depressão.

Os sintomas depressivos podem variar muito de pessoa para pessoa. Enquanto uma pessoa deprimida pode experimentar sentimentos de tristeza, desesperança e desamparo, outra pode sentir raiva, irritação e desanimo. Os sintomas depressivos também podem parecer uma mudança de personalidade. Por exemplo, uma pessoa tipicamente paciente pode começar a perder a paciência com coisas que normalmente não seriam preocupantes. Os sintomas depressivos também podem alterar durante o curso da doença, alguém que é introvertido e triste pode tornar-se altamente frustrado e irritado como resultado da diminuição do sono e da incapacidade de realizar tarefas simples ou de tomar decisões.

COMO SUPERAR A DEPRESSÃO PROFUNDA
A depressão profunda não é apenas difícil, mas também é perigosa.
A depressão profunda interfere com os níveis de energia e, as pessoas que sofrem com esta doença, muitas vezes, sentem-se desconfortáveis com a perspectiva de procurar tratamento e combater a depressão. No entanto, é fundamental que o façam.
Superar uma depressão profunda é difícil, mas não impossível.

Passo 1
Obter tratamento. A depressão é muito difícil de superar sem ajuda externa. A consulta com um profissional de saúde é indispensável. Uma das terapias passa pela administração de medicamentos que podem estabilizar as substâncias químicas no cérebro e fazer com que o paciente se sinta melhor.
A terapia cognitiva ajuda o paciente a resolver os seus problemas atuais e, a aprender novas maneiras de lidar com a sua doença.

Passo 2
Estabeleça metas. Mesmo que a medicação e o aconselhamento sejam benéficos para pessoas com depressão profunda, só serão eficazes se o paciente estiver disposto a trabalhar para combater a depressão. Estabelecer pequenas metas, concretas, sobre o processo de recuperação pode ajudar na continuação da luta contra a doença, de uma forma produtiva. O cumprimento dessas metas, muitas vezes, dá ao paciente uma sensação de poder e controle sobre a sua depressão.

Passo 3
Permanecer saudável. Muitas pessoas subestimam a ligação entre a saúde física e a saúde mental. Abundância de exercício, alimentação saudável, dormir bem à noite, evitar drogas e álcool e reduzir o stress pode ajudar a manter os sintomas da depressão à distância. Também pode ser benéfico participar em actividades que antes gostava.

Passo 4
Procurar apoio. O processo de recuperação é muitas vezes difícil, mesmo com a medicação e aconselhamento adequada. Embora a ajuda profissional seja útil, as pessoas deprimidas que se ‘cercam’ de apoio e pessoas positivas podem ter um processo de recuperação mais fácil. Também é útil quando as pessoas deprimidas educam os seus parentes e amigos sobre a sua doença, isto permite-lhes prestar atenção aos sintomas de retorno, ajudar com metas tangíveis e fornecer feedback útil durante o processo de recuperação.
Passo 5

Ser paciente. Pode levar várias semanas antes que o resultado da medicação ou terapia seja notável. Os resultados do tratamento dependem muito do paciente, por isso poderá ter que tentar vários tratamentos antes de encontrar o melhor tratamento para a sua situação específica. As pessoas que sofrem de depressão profunda devem permanecer dedicadas aos seus objectivos e focadas na sua recuperação, mesmo que não experimentem melhoras tão rápido quanto esperavam.

DEPRESSÃO NÃO É FRESCURA

SUICÍDIO

1º Boletim sobre suicídio no Brasil divulgado ontem pelo Ministério da Saúde
    Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil.
    Entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país
    79% delas são homens
    21% são mulheres.
    A taxa de mortalidade por suicídio entre os homens foi quatro vezes maior que a das mulheres, entre 2011 e 2015.
    São 8,7 suicídios de homens e 2,4 de mulheres por 100 mil habitantes.

Em Paranavaí:
    Média de 1 suicídio a cada 19 dias - referência 2016/2017.
    Nos últimos 15 dias foram 4 suicídio e 2 tentativas. (2018).
Esse número é maior pois há uma perda de diagnóstico dos casos de suicídio. Isso porque nas classes sociais mais altas há um tabu sobre o tema, questões relacionadas a seguros de vida e diagnósticos feitos por médicos da família. “As pessoas mais pobres, em geral, são captadas a morte porque vão para o IML - Instituto Médico Legal.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O cristão e a prática do beijo na boca da criança?


Uma mãe, preocupada com o comportamento do pai ao beijar a boca do filho, um bebê de 3 anos, me enviou uma pergunta: O beijo na boca da criança passa uma mensagem?
 A preocupação da mãe faz sentido. Mesmo sendo um ato de carinho e inocente, a criança pode estar recebendo uma mensagem distorcida, já que não tem a mesma percepção do pai.

O questionamento é oportuno, visto a ampla repercussão do ocorrido no BBB, onde um pai beijou a filha no reality show, provocando repúdio na sociedade brasileira, embora, para aquela família “isso fosse natural”.
Então, vamos a resposta.
O período mais importante da formação da criança é a primeira infância, que vai desde o nascimento até aos seis anos de idade, quando as áreas fundamentais do cérebro são desenvolvidas: A área do caráter, da personalidade, das emoções, dos contatos interpessoais, da aprendizagem e etc.
É nesse período que a criança aprende a se relacionar e desenvolver importantes valores, principalmente em suas relações na família, na escola e na comunidade.
“Durante o primeiro ano de vida, o ser humano aprende 50% de tudo que virá a aprender na vida e, no segundo ano, aprende mais 25%. Ou seja, nos dois primeiros anos de vida, o ser humano aprende 75% de tudo que um dia virá a aprender. Obviamente, parte desse aprendizado envolve aspectos motores e físicos como sentar, andar, mastigar, falar, etc., mas também aspectos de ordem emocional, intelectual e espiritual. Assim, ao terceiro ano de vida, grande parte do caráter já está formado e aos sete anos está concluído”.
Dados publicados em: Rockey, Ron e Nancy, Chosen Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 2001) p. 117).
Pesquisas científicas realizadas nos últimos 100 anos, comprovam que a primeira infância é um período decisivo na formação da personalidade, do caráter e do modo de agir do adolescente e do adulto.
É, à partir das experiências vividas na infância, que o mapa da realidade é construído. Para isso, é preciso oferecer à criança ambiente familiar saudável e estável, bons modelos de identificação, atenção e estruturas sociais confiáveis, que estimulem seu desenvolvimento e o aprendizado de valores.
A formação da mente na Neurociência - a Neurociência oferece evidências de que acontecimentos precoces de natureza física, emocional, social e cultural permanecem inscritos nas pessoas por toda vida.
Até próximo aos três anos de vida, a criança se ocupa da concretude do mundo. O fazer e tocar são as formas com que seu vocabulário de símbolos se constrói. O passo seguinte, por volta dos quatro e cinco anos, é o da abstração do pensamento e internalização dos símbolos, em que a criança se ocupará do pensar e a linguagem interna construirá o elenco de símbolos e significados que farão parte do seu arcabouço do imaginário e fantasia.
A Psicanálise e a sexualidade infantil – Temos visto o quanto que a psicanálise tem como um de seus operadores centrais uma compreensão inovadora da sexualidade humana. Por meio dos conceitos, como zona erógena, pulsão e libido, a sexualidade representa-se como porta de entrada para o entendimento da vida psíquica. Com a ideia da pulsão sexual, que de forma diferente do instinto sexual, não se limita às atividades da sexualidade biológica, mas demarca o fator primordial que estimula toda a série de manifestações psíquicas, Freud autoriza uma inovadora e revolucionária compreensão da sexualidade humana. 
Lembremos que, ao se tratar da psicanálise, precisamos entender que Freud não via o sexual no mesmo sentido em que o senso comum da época. Ele propôs a desconstrução da ligação existente entre o sexual e o genital. Seu questionamento se baseava em como e o que constitui a sexualidade nos fenômenos humanos.  
Assim, é de suma importância que entendamos a diferença existente entre “sexo” e “sexualidade”. Cientistas sexuais, a partir da década de 70, convencionaram o termo sexo para se referir à divisão biológica entre macho e fêmea. Tal palavra também serve como referência aos órgãos sexuais, tanto masculino (pênis) quanto feminino (vagina). Enquanto isso, a sexualidade vai além das partes do corpo, organizando-se como um predicado presente não só na cultura como na história do homem. Contudo, a sexualidade envolve prazer, relações sociais, procriação e sublimação.  
“A sexualidade forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, na forma das pessoas tocarem e serem tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e tanto a saúde física como a mental. Se a saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada como um direito humano básico.” (OMS, 1975, apud EGYPTO, 2003, p. 15 e 16) 
Podemos, inclusive, ressaltar que para a psicanálise o objetivo sexual tido como normal é aquele onde ocorre o encontro dos órgãos genitais capaz de levar ao alívio de tensão sexual e, ao mesmo tempo, a uma extinção temporária do instinto (pulsão) sexual. 
Devemos deixar claro que os instintos humanos não predeterminam certa ação nem a forma como ela se tornará completa. Os instintos humanos têm a função de apenas iniciar a necessidade da ação. 
“Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão e um objeto. A fonte, quando emerge a necessidade, pode ser uma parte do corpo ou todo ele. A finalidade é reduzir a necessidade até que mais nenhuma ação seja necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele no momento deseja. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer ou gratificar o instinto; ela é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto é qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original.”  (FADIMAN e FRAGNER, 1986, p.8) 
Precisamos ainda esclarecer que Freud percebeu que no inconsciente existe um estímulo que nos diferencia dos animais. Este instinto foi denominado de pulsão sexual. Assim, enquanto os animais agem impulsionados sem terem outra opção a não ser o instinto – seja pelo instinto de sobrevivência ou de procriação –, o homem, por sua vez, se constitui de uma diversidade de prazeres. É a essa diversidade que Freud chamou de pulsão sexual.  
O psiquismo humano está banhado por essa pulsão e é nisso que para Freud se traduz a sexualidade: essa constante impulsão capaz de movimentar o nosso organismo em busca da satisfação. Não há só fome na boca, mas também libido.  Assim, se a pulsão é uma espécie de energia que leva o indivíduo à ação, aliviando da tensão resultante do acúmulo da energia pulsional, a genitalidade é o alvo da libido, isto é, a ação para a qual a pulsão direciona o indivíduo adulto.
Partindo desse pensamento, cito a psicóloga norte americana Charlotte Reznick - professora da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e autora do best-seller “O poder da imaginação dos seus filhos: como transformar estresse e ansiedade em alegria e sucesso”, que afirma: “beijar os filhos na boca é “muito sexual”. Seguindo a linha psicanalítica freudiana, a psicóloga destaca que “a boca é uma zona erógena que, ao ser estimulada, pode causar confusão nas crianças”. Afirma ainda: “Quando uma criança chega a 5 ou 6 anos, e começa a ter consciência sexual, o beijo nos lábios pode ser estimulante para ela”.  Esse pensamento vai de encontro com a teoria freudiana da “fase oral” que apresenta a boca como área erógena.
O tema é polêmico, e divergente entre profissionais da área terapêutica, mas, como psicanalista cristão, vejo com preocupação a prática, visto que, vivemos numa sociedade onde se tenta de todas as formas destruir o conceito de família, por meio de ampla divulgação da diversidade sexual e como a mídia mostra que o beijo na boca entre pessoas do mesmo sexo é natural.
Se a criança é formada numa família onde essa prática é comum, ao crescer, verá esse comportamento com naturalidade, deturpando os bons princípios e coadunando com uma prática biblicamente condenável.
Particularmente, vejo com muita cautela essa prática e não recomendável na família cristã evangélica, ainda que muitos achem que “não tem nada a ver”.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Na “teologia” do DEUS ou o DIABO, o ser humano não existe.

Mais um suicídio de Pastor, o 5° nos últimos 50 dias.

Hoje, 26/01, foi sepultada a Pra. Katiuscia Moreira - da Igreja Fonte das Águas  em Cuiabá. Nosso pesar por esse momento triste para a igreja no Brasil.
Que o Senhor console o Pastor Carlos Moreira e os filhos.



Recentemente recebi uma mensagem de uma pastora me questionando o porquê de eu enviar tantas mensagens abordando o tema SUICÍDIO DE PASTORES. Ela achou se tratar de um assunto inoportuno.

Perguntei a ela se, viajando por uma estrada e houvesse um abismo à frente, ela preferiria que a rodovia fosse sinalizada sobre a existência do abismo, ou que não tivesse nenhum alerta, e fosse surpreendida com sua viagem terminando no despenhadeiro? Ela, contundentemente respondeu que preferia os alertas.

Na prática, ela, como muitos pastores, estão ignorando os alertas que tornam cada dia mais evidente o agravamento do quadro estatístico sobre suicídio entre sacerdotes evangélicos (apesar de que muitos padres também estão na estatística de suicídios entre líderes religiosos).

Por alguma razão, além dos cinco suicídios de pastores em menos de 50 dias, ou seja: um a cada dez dias, tenho recebido informações de outros suicídios de pastores que não reportei, visto não ter confirmação que essas mortes tenham se dado por suicídio.

A principal pergunta que recebo por redes sociais é: Porque isso está acontecendo? A resposta é simples: PASTORES(as) SÃO SERES HUMANOS.


Na "teologia" do Deus ou o Diabo, o ser humano não existe. Ou é Deus  que quis ou o Diabo está matando pastores - o ser humano não tem nenhuma responsabilidade sobre situações trágicas.
Satanás não tem nenhum poder sobre a vida de homens e de mulheres de Deus, principalmente no exercício do ministério. Atente para o que Jesus disse a Pedro – O APÓSTOLO, que andava com Ele: “Simão, Simão, eis que Satanás já recebeu autorização para vos peneirar como trigo! Eu, entretanto, roguei por ti, para que a tua fé não se esgote; tu pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos!” Lc.22.31, 32.

Primeiro - Satanás não pode agir, principalmente sobre a vida de um líder, senão por autorização: “Satanás já recebeu autorização”. Comparemos com Jó 1:6: "E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles". Satanás recebe autorização: “Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face”. Jó 1:11. Isso se confirma em Jó 2.3 – “e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa”. No versículo 6, encontramos novamente a autorização sendo concedida: E disse o Senhor a Satanás: "Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida".


Segundo - no relato de Lucas 22.32, há uma interferência de Jesus, atuando como advogado nos termos de 1Jo.2.1 - "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo". Satanás requer autorização, mas o Senhor Jesus intervém como aquele que justifica os salvos e anula a autorização, firmando a doutrina que impede o acesso de Satanás ao céu, para acusar os salvos, como aconteceu em Jó capítulos 1 e 2 e também o relatado em Zacarias 3.1 - "E ele mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe o acusar".


Cabe observar que, o foco de Satanás são os homens de maior intimidade com Deus em condição sacerdotal – Jó e sua integridade de fé, sacerdote de sua família; Josué – O sacerdote de Israel; Pedro – O Apóstolo.


Terceiro - no exercício do sacerdócio, Deus não permitiu a ação de satanás sobre aqueles que foram imbuídos de liderar seu povo, seja na antiga aliança (Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?” Zc.3:2), quanto na nova aliança (“...Eu, entretanto, roguei por ti, para que a tua fé não se esgote;” Lc.22.32).
O apóstolo são João, em seus escritos, nos assegura que: “todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca." 1 Jo.5.18.
Dito isso, me parece impossível a afirmativa de muitos acusadores, que o Diabo tenha matado esses pastores.


Esse pensamento de que o Diabo está influenciando e matando pastores, se firma pela ESPIRITUALIZAÇÃO de tudo que contraria o “politicamente correto na igreja evangélica”, tornando as lideranças evangélicas no: Ou Deus ou o Diabo. O que não provem de Deus provém do Diabo. Nesse pensamento, o SER HUMANO não existe; Não é levado em conta.


Para não MATERIALIZAR o conteúdo com teses biológicas do ser humano, me reportarei à tricotomia que compõe o homem: "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo". 1Ts.5:23. A composição tricotômica do ser humano, biblicamente falando é composta de ESPÍRITO, ALMA e CORPO. A igreja, apesar de ser o lugar de tratamento da alma, tem se firmado e aprofundado em tratar da espiritualidade do homem, por meio da palavra de Deus, onde, nossos excelentes teólogos, pregadores e a “teologia motivacional” de formação de líderes e de conquista de sucesso financeiro tem ocupado o campo do ensino, negligenciando-se o TRATAMENTO DA ALMA – psique.


A espiritualização, seja de sucesso no pastoreio de uma “grande” igreja (quantitativa), seja numa vida “cheia do espírito”, na demonização dos problemas de saúde física, mental ou emocional, tem sido a tônica do entendimento dos crentes, onde, não cabe fracasso nem mal algum que aflija um Cristão.


Nessa linha, líderes evangélicos têm negligenciado o cuidado da Saúde física. Enquanto para o mundo “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, para os cristãos, orar é o que interessa, o resto Deus cuida. ISSO NÃO É VERDADE!


Quando fui ordenado Pastor e assumi a primeira igreja, jejuei meses seguido a fio. Espiritualmente me sentia muito bem, porém, comecei a apresentar sérios problemas estomacais e no intestino. Ao relatar a outro pastor amigo sobre os sintomas que vinha sentido, ele me recomendou um médico evangélico para fazer acompanhamento. Na primeira consulta, ao relatar minha rotina de vida cristã, ele me perguntou quanto anos de ministério eu pretendia exercer. Respondi: Pro resto da vida! - Ele me disse: Então seu ministério será bem curto. No máximo uns dois ou três anos. Fiquei assustado! Ele me ensinou uma coisa: “Deus te amou sendo você ainda pecador. Não importa o quanto você se sacrifique, isso não aumentará em nada o valor que você tem para Deus”.

Eu estava destruindo meu corpo, fazendo sacrifício de tolo. Consagração não é sacrifício de tolo, mas descuidar da saúde, isto sim, é sacrifício de tolo. O cristão deve se dedicar ao jejum e oração, ir ao monte ou outras atividades referente a fé, respeitando sua limitação humana. Fora disso é sacrifício de tolo. “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento”. Mt.9.13.

Muitos têm se frustrado ao não ver o resultado dos seus sacrifícios “espirituais”. Isso é fácil de explicar: “Determinados sacrifícios são formas inconscientes de se sentir merecedor das dádivas divinas”. Isso não cabe na GRAÇA. Nada podemos fazer para ser merecedor de qualquer favor de Deus. O único requisito é a fé.

Basta você jejuar e depois achar que Deus tem que te responder porque você jejuou. Sem contar aqueles que dizem: “Agora Deus vai me abençoar porque eu jejuei!” Ou seja: agora eu mereço essa bênção, eu mereço ter um ministério abençoado e de poder. Lembre-se que isso é inconsciente. NÃO FUNCIONA.

Nesse pensamento de consagração e espiritualização, a maioria dos líderes descuidam da saúde física, contraindo doenças e destruindo o templo do Espírito de Deus.

Querido líder que está lendo esse artigo, responda a si mesmo: Qual foi a última vez que você foi ao médico e fez um check-up? Cuidar da saúde física é cuidar do CORPO.

SAÚDE MENTAL: ALMA – “Tão somente cuida de ti mesmo e cuida bem da tua própria alma...” Dt.4.9. O cuidado da saúde mental é uma recomendação bíblica repetida em diversos textos, porém negligenciada pela maioria dos cristãos, principalmente pela falta de entendimento da tricotomia e a dificuldade de separar as funções da alma e do espírito.

Em meu livro Sarando as Feridas da Alma, trago um aprofundamento sobre essa temática, mas irei resumidamente clarear essa tese aqui.

O espírito - é a parte que possui ligação com as coisas espirituais ou com o mundo espiritual. O termo Rhuah, que pode significar sopro ou vento, indica o espírito do homem em Gênesis 2:7 – “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Sendo assim, o espírito foi insuflado nas narinas de Adão, e pelo espírito o homem ganhou a alma eterna, tornando-se, em definitivo à imagem e semelhança de Deus.

No Novo Testamento, escrito em grego - o termo para Espírito é "Pneuma", usado para se referir ao Espírito Santo, que possui o mesmo sentido de “Rhuah” no hebraico, gerando um vínculo em relação ao Espírito de Deus e o espírito do homem.

É por meio do espírito que o homem se identifica e se relaciona com Deus, visto que, o espírito é eterno – sendo a única parte da tricotomia que não está sob juízo: - “E o pó volte a terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” Ec.12:7. Isso significa que, na morte, automaticamente o espírito separa-se do corpo, retornando para Deus. O corpo volta ao pó - seguindo, posteriormente, juntamente com a alma, para o juízo final – “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”. Mt.10:28.

A ordem dos tomos definida pelo Apóstolo Paulo em 1Ts 5.23 – “Espírito, Alma e Corpo”, aponta o grau de importância cronológica, sendo o ser humano, por essência espiritual. Daí se entende a necessidade dos homens buscarem, desde sempre, servir a uma divindade, mesmo que não conheça o Deus verdadeiro – Javé.

O Salmista Davi consegue externar essa necessidade de se relacionar com Deus, como a necessidade de respirar para viver: - “Assim como a corsa suspira pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” Sl.42.1,2. É como se a vida não tivesse sentido sem uma comunhão constante com Deus, e, é o espírito humano o responsável de alimentar esse desejo – “E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador”; Lc.1:47.

A alma - é um tema complexo, objeto de estudos divergentes e inconclusivos para filósofos, teólogos, psicólogos e etc. Por mais que pesquisemos, dificilmente encontraremos uma definição concreta e definitiva para alma.

Na fé cristã, o cuidado da alma é o principal “objeto” da espiritualidade. Porém, o que é a alma? Qual a finalidade dela na tricotomia? Porque se fala tanto nela e se conhece tão pouco dela?
Pessoalmente não tenho a intenção de dar uma definição como verdade absoluta do assunto, mas vou desenvolver uma linha de pensamento sob a ótica teológica e psicanalítica, visando, no final, trazer o entendimento de que, tanto à teologia quanto à psicanálise – uma vez associadas, podem atingir um fim proveitoso para a cura da alma, “reprogramando” a mente e, consequentemente, produzindo resultados espirituais. - “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma” 3Jo.1:2.

A expressão alma é um termo que no hebraico do Velho Testamento é - néphesh: dá o sentido literal de “respiração da vida”; No grego do Novo Testamento é psykhé: termo que indica a vida física e racional do homem.
Etimologicamente, deriva do termo latino animu (ou anima), que significa "o que anima". Seria a fonte da vida de cada organismo, sendo eterna e separada do corpo. Alma não é o mesmo que espírito.

Na Bíblia, os vários sentidos da palavra alma, tais como - sangue, coração, vida animal, pessoa física, etc., devem ser interpretados segundo o contexto da escritura em que está contida a palavra “alma”.

Em relação ao ser humano, a alma é o princípio inteligente que anima o corpo e usa os órgãos e seus sentidos físicos como agentes na exploração das coisas materiais, para expressar-se e comunicar-se com o mundo exterior.

A Alma e o Plano da Salvação - A morte de Jesus tem como objetivo a salvação da alma, a salvação do “eu”, daquilo que me define como ser existente - a alma vivente descrita em Gn.2.7. Nesse ponto, entra o conhecimento psicanalítico que vai definir a composição da alma para chegar no “EU”.

Para a medicina, enquanto o cérebro está funcionando, a pessoa está viva. A morte cerebral ocorre quando não há mais nenhum tipo de atividade cerebral, seja elétrica - dos micro-impulsos entre os neurônios, circulatória ou metabólica. Biblicamente falando, refere-se à separação corpo/alma - “...e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” 1Rs.17:21,22.

O cérebro é a estrutura física - o órgão responsável pelas atividades cerebrais e metabólicas, que controla tudo o que um indivíduo faz. A mente é a parte imaterial, invisível e não palpável. Podemos dizer que o cérebro é o elo de ligação da alma com o corpo.

Quando somos alcançados pela graça de Deus, o primeiro tomo da tricotomia a sofrer mudança é a alma. Na linguagem cristã, o termo é – Conversão: do Latim, converterE - “virar, transformar”, de COM, “junto”, mais VERTERE, “virar, torcer”. O sentido é convergir, mudar de direção. No caso da fé, é uma mudança radical naquilo que cremos: Conceito de Deus; E naquilo que fazemos: Conceito de pecado. “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê;” Rm.1.16.

Essa mudança de conceito se processa na mente – Alma: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Rm.12.2. A salvação converge o homem da forma do mundo para a forma de Deus, através da mudança da mente – único meio de experimentar uma verdadeira relação com Criador.

Como vimos, é na mente que alojamos todas as informações que definem nosso caráter e determinam nossas ações. A conversão de conceitos implica numa nova visão sobre o pecado, nos levando a santidade.

A busca do conhecimento da palavra de Deus formará os novos conceitos e guiará o homem à vontade dEle – (“A palavra em vós enxertada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” Tg.1:21), gerando a fé.

Paulo nos ensina que a fé vem pelo ouvir – “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. Rm.10.17. Tudo que ouvimos, passa a ser informações, que serão recebidas e processadas na mente, transformando-se em conceitos. Uma vez formados os conceitos, entra em ação as atividades cerebrais que receberão esses conceitos para torná-los em ações. No cérebro, essas informação passam por um novo processamento, agora nos campos da razão e da emoção. Para melhor compreensão desse processo, é importante entender como funciona o cérebro. Basicamente, existem duas partes no cérebro que são responsáveis pelo processamento das informações: O Sistema Límbico - responsável por nossas emoções (Numa emergência o sistema límbico que já foi treinado, dispara os impulsos necessários de autodefesa) e o Neocortex - que é o responsável por processar as informações lógicas - inteligência. Depois de processado nesses campos, essas informações serão direcionadas para o emocional ou para o racional, dependendo do indivíduo.

Se a pessoa é racional, essas informações serão úteis e definirá o caráter do indivíduo como uma pessoa centrada. Se é uma pessoa emocional, a tendência é canalizar essas informações para a emoção, levando, muitas vezes, aos recalques, frustrações, as decepções e etc.

Todo esse processo de mudança é teologicamente chamado de santificação – separação para Deus. Numa linguagem paulina, a definição é: Desenvolver a Salvação - “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” Fl.2.12. Um dos sinônimos de desenvolver é: Aumentar as faculdades intelectuais, expandir o conhecimento – “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” 2Pd.3.18. Novamente voltamos para a alma, local de absorção, alojamento do conhecimento, processamento de mudanças e comando das ações. A salvação só pode ser processada na mente, mediante o conhecimento que se tem da palavra de Deus – “Vós examinais criteriosamente as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testemunham acerca de mim” Jo.5.39.

Para muitos cristãos, se avalia a espiritualidade ou santidade de alguém pela manifestação de dons e de poder, porém, é o maior engano. A espiritualidade se avalia pela santificação por meio da palavra – "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." (Jo.15.3), “a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,” Ef.5.23. Não há manifestação de dom ou de poder sem conhecimento da palavra. Em geral, esses cristãos que procuram mostrar grande espiritualidade por meio dos dons, têm pouco ou nenhum conhecimento bíblico, e sua santidade é superficial. Não têm fundamento e logo desviam-se da fé. Aqui está o grande sentido de Marcos 12.24 – “Então Jesus os admoestou: Não é sem motivo que errais tanto, pois não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus!”. Pela ordem - as escrituras vem primeiro, depois o poder. A base do poder é a escritura. É ela quem fundamenta os dons e o poder.
Creio que esse resumo clareia um pouco essa diferença alma/espírito. Agora, veremos outra abordagem sobre a alma: A alma na psicanálise.

...guarda a tua alma das angústias”. Pv.21.23

Antes de qualquer coisa, a psicanálise é uma teoria que pretende explicar o funcionamento da mente humana. Além disso, a partir dessa explicação, ela se transforma num método de tratamento de diversos transtornos mentais.

Quando o assunto é a psique, dois fundamentos se destacam na teoria psicanalítica: Consciente e Inconsciente.
O consciente - indica uma visão mais superficial da personalidade e atitudes - as racionais, pensadas de forma clara por nós. Nesse processo, a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total;

O inconsciente - os processos psíquicos são, em sua imensa maioria, inconscientes - Ou seja: toma conta de toda parte inexplicável, aquilo que está submerso, nossos instintos e desejos mais profundos, propulsores da nossa existência. Tais processos psíquicos inconscientes são dominados por forças libidinais. - A libido é a força que move o ser humano na obtenção de prazer, evitando assim o desprazer. “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” Rm.7.17.

A psicanálise compreende as grandes manifestações da psique como um conflito entre as tendências libidinais e as fórmulas morais e limitações sociais impostas pelo indivíduo. “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Rm.7.19.

Uma vez que a obtenção do prazer não pode ser alcançada, logo será recalcada no inconsciente do indivíduo. Esses conflitos dariam origem aos sonhos, que seriam as expressões deformadas ou simbólicas de desejos reprimidos.

A psicanálise divide a mente humana em três partes: 1 - O id, isto é, os impulsos múltiplos da libido, dirigidos sempre para o prazer; 2 - o ego, que se identifica à nossa consciência; 3 - o superego, que é a nossa consciência moral, o guardião dos princípios sociais e das proibições que nos são inculcadas nos primeiros anos de vida e que nos acompanham de forma inconsciente a vida inteira. Ele também age inconscientemente, censurando os impulsos e desejos.

Pode se dizer que, para a psicanálise a mente é uma engrenagem, que funciona e rege a vida do indivíduo. É nela que se forma e define o caráter e a personalidade de cada ser – o “eu”.
Especificamente, a psicanálise, quando associada aos princípios bíblicos, pode contribuir e muito no tratamento da alma. Acredito que a profecia de Isaías se encaixa bem nesse processo: “E os que de ti procederem edificarão as ruínas antigas, e tu levantarás os fundamentos de muitas gerações, e serás chamado reparador da brecha, e restaurador de veredas para morar" (Is 58:12). O psicanalista escava as ruínas antigas, levanta os fundamentos de  gerações, repara brechas e reconstrói veredas.

Visto o tema sob a ótica teológica e psicanalítica, passemos as doenças emocionais. Quando decidi estudar psicanálise, no processo de formação, fui descobrindo respostas para os conflitos pessoais que não compreendia a razão de não conseguir superá-los por meio de uma vida santificada.

Foram incontáveis as noites que saia após o culto, deixava a esposa e filhos em casa e dirigia feito um louco noite adentro, chorando, angustiado e confuso, até que a gasolina estivesse acabando. Voltava para casa, estacionava na garagem e dormia no carro.

Lembro-me de numa noite estar tão confuso que arranquei o galho de uma arvore com uma força tão brutal que não seria possível fazer isso de mãos nuas.

Em outra ocasião, esmurrei o parabrisa do carro, despedaçando o vidro. Isso é quase que impossível de se fazer dirigindo.

Hoje consigo entender facilmente o que está acontecendo, especialmente relacionado a questão do suicídio de pastores.

A principal causa apresentada por estudiosos da área de saúde mental, está relacionada a SÍDROME DE BURNOUT – um estado de tensão emocional e estresse crônico que provoca intensos desgastes físicos e psicológicos, causados por acúmulo de tarefas, cobranças excessivas, perfeccionismo e foco no trabalho como fonte exclusiva de prazer.

As categorias mais atingidas são as que lidam com pessoas e se expõem ao sofrimento humano. O Sacerdócio está em primeiro lugar, seguido de Policiais, professores e profissionais de saúde.

Características da doença
Exaustão - Conforme pesquisa do Isma-Brasil 97% apresentam: fraqueza, dores musculares, dores de cabeça, náuseas, alergias, queda de cabelo, distúrbios do sono e diminuição do desejo sexual; 
91% - apresentam: desesperança, solidão, raiva, impaciência e depressão;
85% apresentam: raciocínio lento, memória alterada e baixa autoestima.

Despersonalização: Em geral, os portadores da síndrome Burnout tornam-se céticos e mal-humorados, tendem a se isolar, apresentam distúrbio emocionais e negativismo.
Baixa produtividade: A insatisfação pessoal leva o indivíduo a baixa produção e desvalorização daquilo que faz. A queda no rendimento levanta dúvidas quanto à própria capacidade. Outros sintomas predominantes são: agressividade, ataques de ira, diabetes, cardiopatias, doenças autoimunes, crises de pânico e depressão. A totalização desses sintomas resulta em esgotamento total.

A Síndrome de Burnout tem como principal causa o perfeccionismo, que leva à busca de uma excelência às vezes impossível. No caso dos sacerdotes, a busca de uma vida como referencial para os membros da igreja é a base de suas atividades.
A falta de reconhecimento, as críticas constantes e “fofocas” envolvendo seu nome, são os principais gatilhos para Burnout.

Depressão e Burnout - A dificuldade de diagnosticar a Burnout, pode ser confundida com depressão. Cabe lembrar que nos relatos recentes de suicídio entre sacerdotes - pastores e os padres, os mesmos apresentavam quadro de depressão e uso de medicação.

O uso de antidepressivo ameniza os sintomas, mas não trata a causa. Para que o tratamento seja eficaz, requer o afastamento das atividades, descanso e psicoterapia. 
A qualidade de vida é uma das armas para prevenir a Síndrome de Burnout. E isso inclui cuidar da saúde, dormir e alimentar-se bem, praticar exercícios físicos e manter uma vida social bem ativa.
A síndrome de Burnout, foi descoberta pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger em 1974.

Assim, é recomendável que os pastores e líderes que identifiquem em si os sintomas acima relacionados, revejam suas rotinas de atividades, façam check-up, tirem férias, programem atividades esportivas e, acima de tudo, busquem tratamento psicoterapêutico.

Preocupada com o crescimento dos problemas emocionais e mentais que vêm se agravando, a Igreja Metodista do Brasil em Paranavaí/PR, criou um espaço para atendimento de seus líderes, membros e a sociedade local, onde presto atendimento. A realidade clínica nesses atendimentos têm produzido resultados extraordinários na qualidade de vida emocional, mental e espiritual dos atendidos, mostrando que, associar a terapia psicanalítica à saúde da igreja, contribui, grandemente, para uma igreja mais sólida e com qualidade de vida total do que o evangelho pretende.

Creio ser fundamental que as denominações evangélicas invistam mais na saúde mental e emocional dos pastores, de suas esposas e filhos, pois todos são potenciais candidatos a síndrome de Burnout, e, consequentemente, “os próximos suicidas”.

Pastor: "tem cuidado de ti mesmo...". 1Tm.4.16.

Osésa Rodrigues de Oliveira
Psicanalista Clínico – Pós Graduado em Psicanalise Aplicativa
Bacharel em Teologia.


 Assista o vídeo abaixo abaixo sobre Burnout